Uma questão subestimada nos processos de globalização, diante do qual algumas pessoas como o presidente da República reagem como adolescentes diante do último modelo de videogame ou da mais recente criação do rock pauleira, é a do poder regional. Se achamos que as considerações sobre poder nacional são uma ‘‘velharia’’ , naqueles termos concebidos pela doutrina da Escola Superior de Guerra, em função do novo cenário geopolítico pós-queda do Muro de Berlim e da sociedade militarmente hegemônica, imagine-se o que dizer do poder regional. É indispensável que o governador Jaime Lerner, ao fazer convocação para tratar do ocorrido com o grupo Bamerindus, proceda a uma avaliação abrangente não apenas relativa a esse caso específico, onde não houve nem a décima parte da resistência oferecida, por exemplo, por Antonio Carlos Magalhães no caso do Banco Econômico e com um detalhe mais grave: aquele tinha evidência de malícia na gestão, tal qual se deu igualmente com o Banco Nacional.
Urge examinar até que ponto se pode criar estímulos para defender empresas de raiz paranaense no sentido de evitar que despareçam. Não para dar respaldo à incompetência, mas no sentido de preservar essa dimensão do desenvolvimento, que é a do apoio ao empresário regional. Se nos surpreende a absorção, por exemplo, da Metal Leve por um grupo externo com débil resistência da sociedade paulista, à exceção de alguns poucos, é chocante observar que perdemos nos últimos anos organizações que preponderavam em termos latino-americanos, como era o caso específico da Hermes Macedo, até então a maior loja de departamentos do hemisfério sul, isso sem falar na maior moveleira, Móveis Cimo, transportadoras como a Nossa Senhora da Penha e agora, mais recentemente em casos traumáticos, como o da Refripar, do grupo Prosdócimo, absorvido pela Electrolux.
Soa irônico ver o governador, com um ar triunfalista, anunciando nova etapa de desenvolvimento em nossa economia, com a chegada das montadoras, que nos transformarão em segundo pólo automotivo, quando nos ‘‘desparanizamos’’ no processo de mundialização. Dizer que isso é uma fatalidade é um absurdo porque a maior parte dos grupos paranaenses, que estão ‘‘quebrando’’ ou sendo absorvidos, devem a sua sustentação em fases relevantes de sua evolução à ação direta do Estado aos tempos da Codepar, que precedeu o Badep, do governo Ney Braga. O maior grupo industrial é a Inepar, que deve a sua sustentação ontem e hoje ao governo, quer nos apoios da estruturação da Cidade Industrial, quer na circunstância de tratar-se de um cliente cativo dos feitos da Copel. Se essas amarras forem estabelecidas como regra não assistiremos, impassíveis, à queda das nossas organizações como se fosse uma fatalidade incontornável.
O Paraná não se torna mais provinciano ao suscitar a relevância do tema e nem se mostrará ingênuo ou romântico. Espera-se que a avaliação, sugerida por Jaime Lerner ao caso do Bamerindus, relevantíssimo com sua especificidade, acabe se estendendo a todo o conjunto da economia paranaense. Se as empresas, por exemplo, perdem poder de competição por manterem características familiares, o que é erro estratégico, há necessidade de identificar distorções e preveni-las o quanto possível.
A verdade é uma só: não sabemos nos defender como outras unidades federativas. A Bahia deu exemplo claro, embora os erros no cartório, do caso do Banco Econômico. Os gaúchos deram outra mostra quando defenderam o Banco Meridional, por mais absurda que tenha sido a concessão para acobertar o furo do grupo privado Habitasul. Nós somos o contrário da luta, parecemos como os complacentes, os abúlicos, os que não reagem.
BIZARRICE Alvino Cruz, o Esmaga, o mega-mordedor de Curitiba, saiu do hospital e voltou a atacar. Mas ao botar banca na hora de deixar a casa de saúde deu uma demonstração de que é um curitibano por assimilação cultural: exigiu que alguém arrumasse um automóvel com Aníbal Khury para voltar à cidade porque pegaria muito mal para ele ir lá de Piraquara, onde estava, ao centro viajando em ônibus.
SPRAY O oportunismo da CPI dos títulos estaduais, em proteger Maluf, foi denunciado no programa do cardeal Paulo Evaristo Arns da ‘‘Rede Vida’’. Segundo Arns, protege-se hoje o Maluf como se o amparou quando permitiu o cemitério em Perus onde eram enterradas as vítimas do regime militar. - O jogo de sinuosidades políticas é visível, que acabará sacrificando ‘‘laranjas’’, entre os quais o prefeito Celso Pitta, assim caracterizado pelo pianista da ‘‘Pau Brasil’’ que acusa Maluf diretamente. - Vai pegar mal para Requião, que faz o papel de inspetor geral, se tentar suavizar a barra de Maluf, como de resto fez em relação aos senadores responsáveis pelos pareceres autorizando a emissão de títulos, conquanto, no início, tivesse colocado como condição indispensável a audiência dos ‘‘pais da pátria’’ e do Banco Central. - Deu em nada a cortina de fumaça, imposta por Aníbal Khury, para preservar o Banestado em função da convocação do pessoal da Leasing e da Corretora para prestar seus depoimentos na CPI dos precatórios. - O presidente do banco não se omitiu e mandou, desde o início, serem procedidas as apurações em ambos os setores, especialmente na Leasing. Se ouvirem o auditor do banco vai ser de estarrecer. Ele estava na Assembléia, na sessão secreta, mas não foi ouvido.
FOLCLORE Copel e Sanepar precisam reavaliar a decisão de não fazer a leitura das casas que têm cachorro brabo ou interfone. É folga demais. Afinal, se as pessoas se protegem com cão bravio e com sistemas de alarme é porque a segurança, que pagam como contribuinte, não é satisfatória.

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