Luiz Geraldo Mazza




Orçamento na radiografia
Montado o Fórum do Orçamento de Curitiba, os técnicos que darão cobertura aos trabalhos já fizeram as primeiras observações em boletim divulgado, e no início de maio haverá um novo encontro das entidades empresariais, sindicais e sociais que o integram para decodificar a Lei de Meios e colocá-la ao alcance do público, desmistificando-a, tirando-lhe a aura esotérica.
O governo municipal parece não ser impermeável a esse tipo de clareamento. Tanto que os encarregados da elaboração do orçamento estiveram presentes ao lançamento na Universidade Federal. Além desses havia deputados e vereadores de governo e oposição, o que preserva o caráter pluralista e apartidário da iniciativa. Mas isso só será checado com o desenvolvimento das ações do fórum e que visam a subsidiar movimentos sociais, sindicatos e quaisquer interessados. Uma das questões colocadas é a de que os dados do orçamento tenham um terminal na Câmara Municipal com plenitude de informações. Além disso haverá cursos sobre o assunto ministrados por economistas (Conselho Regional) e advogados (OAB-Curitiba).

FILIGRANA
O que é mais fácil para a Polícia: pacificar os sem-terra e a UDR ou os grupos que se digladiam no interior da Segurança?



BIZARRICE Vem aí a TVereador. E quem a defende é o vereador Salamuni, enquanto Derosso, o presidente da Câmara Municipal, não vê condições nem financeiras e nem técnicas (o prédio é histórico e reformas pegariam mal) para aceitá-las. Um detalhe: vendo sessões da Câmara Municipal, o poder seria devassado e o telespectador morreria - ou de indignação ou de tédio.
AXIOMA Cunhado não é parente, dizia Brizola nos tempos de Jango. E genro é parente? O do famoso juiz do TRT de São Paulo ‘‘entregou’’ o ex-sogro. Na tradição brasileira o genro é que apronta, mas nesse caso ele acusou o ex-sogro. É lado perverso, criativo e inesperado do nepotismo.
Aqui no Paraná, genro e cunhado são beneficiados: o primeiro na agência que mais fatura no setor público, o segundo no Tribunal de Contas onde esse tipo de contabilidade tramita.
Briga familiar ajuda a clarear a história: se não fosse Pedro Collor, o seu mano, Fernando, poderia estar no poder até hoje. Com aquela volúpia...
GLOSA Não entendi essa do Ricardo Prefeito, ao anunciar a aproximação de Neivo Beraldin do seu antigo líder, Álvaro Dias, de chamar a dupla de ‘‘Elma Chips’’. Hermético demais, o jornalista deve andar se aplicando na criptografia, enquanto se diverte regando a Pedra da Roseta. Enfim, rosetando.
ORÇAMENTO Recebo do deputado federal Gustavo Fruet a informação de que houve neste ano redução drástica de investimento público direto com direcionamento através de parcerias nas áreas de saneamento, transporte e habitação. Diferença de investimentos regionais, por um lado, indica correção dos chamados desníveis; de outro, demonstra desigualdade com o Sul.
RACISMO São raros os casos de racismo, mas houve esse na Tuiuti envolvendo um professor, por sinal, Welhein Eduard Meiners, contra a jovem Camila Vargas de Souza. Ele teria chamado a moça de ‘‘galinha preta de encruzilhada’’ e, pelo jeito, sai fora do puleiro e perde até o posto, se tudo for confirmado.
Em Apucarana, anos passados, um morador pintou de branco o seu muro e o grafiteiro tascou ‘‘O muro é branco, mas o dono é preto!’’ O proprietário também grafitou: ‘‘Mas sou rico’’, ao que o invejoso voltou a mostrar racismo.
Quanto à Universidade Tuiuti, convenhamos, está precisando de um chuva de água benta e de um ‘‘despacho’’ que não seja necessamente judicial.
SPRAY Ano passado, as exportações paranaenses totalizaram US$ 3,330 bilhões, 8,4% do total brasileiro, e ficamos em quarto lugar. - Variação negativa em relação ao ano anterior no caso paranaense foi de menos 17,3%, já que em 97 encostamos nos gaúchos com R$ 4,25 bilhões contra R$ 4,916 bi. Em 1997 o contingente exportado representou 10,1% do Brasil. - Com a fábrica de motores o complexo da Renault teria, segundo estudos de consultoria, um potencial de criação de postos de trabalho numa faixa entre 51,4 e 114 mil, ficando na média de 70 mil e a arrecadação do ICMS direto de US$ 2 bi até R$ 2,018 bi. A previsão parece um tanto quanto exagerada. - Oscilações do mercado, como se observa em São Paulo, na indústria automotiva, já não impressionam ninguém, o que faz prever que importaremos esse tipo de impacto para a nossa economia. Já não é pequeno o desemprego endêmico da Grande Curitiba, que anda perto de 200 mil. Imagine-se quando tivermos ondas como as que afetam SP e MG. - Por falar em Minas, o complexo Fiat (montadora e supridores de primeira camada, como indica análise conjuntural do Ipardes) emprega quase 50 mil pessoas. Dentro de seis anos a Renault, aqui, geraria 2.000 empregos diretos e 15 mil indiretos. - Aníbal Khury, presidente da Assembléia, não vai assinar a resolução que transfere aos deputados maior mobilidade na movimentação de verbas. Essa seria a razão pela qual resolveu sair de cena. Temporariamente. - O que não falta nos Jogos Mundiais da Natureza é comissão. E agora querem criar uma solução doméstica para a descentralização, por meio de uma comissão, driblando-se a secretaria do Turismo e do Esporte. Se tivéssemos um Tribunal de Contas de verdade, uma das curiosidades a satisfazer seria o balanço da primeira edição dessa montagem virtual e pouco virtuosa. Como não pegam uma dessas, jamais verão a estória dos R$ 500 milhões gastos em propaganda.
FOLCLORE Essa foi contada por Jaime Lerner: ele e o seu assessor Guaraci estavam no Rio engraxando os sapatos quando da morte de Bob Kennedy. Os lustradores papeavam bem à carioca.
- Viu só?, mataram mais um Kennedy.
- Que karma da família, hein? Primeiro aquele morreu na guerra.
- Depois mataram o outro na presidência, e agora esse que podia também ser candidato.
- Imaginou o problema da velhinha?
- Que nada. Já está acostumada.
CROMO E quantos dias mais teremos de calor: o sol um disco de cobre no horizonte, a perfeita definição das árvores em função da luz, os lambaris do rabo vermelho me esperam no Rio Negro. Aqueles do Rio Belém, prometidos pelo Lerner, só se forem de lâmina de acrílico.
AFORÍSTICO Como o governo está quebrado e nem pode oferecer cestas básicas aos sem-terra, que acamparam no Centro Cívico, o jeito é esperar o maná bíblico que a inspiração religiosa poderia proporcionar. A Igreja tem o ‘‘ad petendam pluviam’’ para pedir chuva e o apelo do pão?

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