Luiz Geraldo Mazza
Recente pesquisa do Ibope, que apontou a vitória de FHC numa eleição agora, ainda em primeiro turno, fez uma abordagem sobre os partidos políticos e não surpreende o fato de, a despeito de tudo, o PMDB conservar ainda a condição de legenda mais lembrada e simpática. Com 18 pontos, três à frente do PT e distante do PSDB com nove e o PFL com oito, sustenta ainda o vigor da imagem que acumulou, ao longo do tempo, desde as ações de resistência democrática.
Há, no entanto, um problema: o partido insiste em projetar externamente uma independência que está longe de praticar (como de resto se viu na fajutice da convenção que recomendou o voto contra a reeleição, contestada pela decisão da maioria em plenário), pois, à medida que o tempo avança, fica mais parecido com o PFL e numa escalada que dentro em pouco será impossível diferenciá-los.
O oportunismo militante, dos que fingem oposição para aumentar o poder de barganha, chega a ser irritante, mas parece a arma disponível para conter a cupidez do PFL e do PSDB.
A minoria pretende jogar o partido na oposição e essa é a posição de Orestes Quércia e Roberto Requião, cujas afinidades não se esgotam aí, mas a maioria, ditada por outro tipo de pragmatismo, sabe que estamos diante de uma dinastia mais forte do que a dos militares com o atual presidente em sua escalada de seduzir o credor e o investidor externos. Cada lado dará a interpretação conveniente aos resultados da pesquisa: os adesistas dirão que o prestígio de FHC se transmite ao partido e os supostos oposicionistas contraditarão com o argumento de que o potencial da agremiação é deprimido por sua cumplicidade, e que voltaria a dominar se rompesse com a aliança atual. Bravata e apenas jogo de cena.
Outra revelação óbvia da pesquisa é que o brasileiro coloca a figura do candidato (59%) como mais relevante do que o partido (10%). Até no PT, o mais ideológico dos partidos, isso se nota diante da circunstância de que Lula, apesar de todos os desgastes (a imagem de derrotado é difícil de remover, ainda mais num povo lúdico e apostador como o brasileiro), é mais forte que a legenda. Esses fatos acentuam o caminho da adesão, pois o PMDB não tem um candidato, com o perfil exigido pelo momento, para encarar FHC. Nesse aspecto, embora as leviandades costumeiras, Requião, por seu desempenho na CPI dos títulos estaduais, é um dos mais aptos a esse papel de boi de piranha. Só essa constatação já dá uma medida do drama.
Nessa pesquisa, que dá 46% a FHC (Lula 13%, Maluf 10%, Sarney 7%), Lerner aparece muito bem com 3% no mesmo nível de Antonio Carlos Magalhães, Itamar, Ciro Gomes. Uma vez mais o personalismo se sobrepõe a partidos e aí até para melhor: Lerner supera Brizola e por isso mesmo é cercado tanto pelo PSDB como pela oposição. É a primeira vez que um paranaense aparece com esse destaque, ainda que já tenha tido um deles, Affonsinho, como candidato, o que recordamos sempre com extremo constrangimento, dado o vexame da participação.
BIZARRICE - Quando da escolha do Papa João XXIII um jornal de Curitiba registrou a declaração do arcebispo metropolitano que pedia bençãos do céu para inspirar o colégio de cardeais. A palavra céu saiu sem o é.
SPRAY - Londrina deu passos importantes, ontem, para receber uma unidade da Dixie-Toga, empresa do setor gráfico, que assumiu o acervo da Impressora Paranaense que se ocupará da produção de embalagens plásticas. Quem fez a indicação foi Lerner. - Verba de gabinete dos deputados subiu de R$ 7,5 mil para R$ 15 mil. Para 16 cargos em que em muitos casos dá o tradicional racha. Dobrou e nem o PT chiou. Como dizia o clássico O Tempra, o mores. E vai dar para melhorar o dízimo do partido. - Agora só falta a Câmara Municipal entrar nessa, inclusive criando novos cargos para os parentes. Aliás, em 96 foram gastos com pessoal R$ 26,9 milhões e a projeção deste ano é de R$ 31 milhões, o que é maior que o orçamento de Pinhais e Piraquara. Para pagar os parentes que rosetam na Europa sem dar as caras no serviço é preciso muito. - Encarregado de bloquear na cúpula nacional a entrada de Lerner no PSDB, o deputado federal Luis Carlos Hauly vai traduzir também a bronca dos sem votos embora devotos da direção regional. É um teste interessante ainda mais se Serjão e FHC, prepotentes como são, reagirem no estilo costumeiro. - Jornal do PT sobre as patologias do Banestado vai mostrar tudo e de forma didática. Inclusive a maquiagem do balanço e o absurdo da Leasing, onde o resultado operacional negativo é várias vezes maior do que o patrimônio. - Sindijus contesta informação do governo (leia-se Giovani Gionédis) sobre a última parcela de aumento retroativo dado ao funcionalismo do Judiciário. Isso foi pago aos 600 magistrados e os 4.500 funcionários ficaram chupando o dedo, inclusive sem receber os 65% de reposição que ganharam no STF. - Anteontem novamente Carvalhinho teve que dar testemunho na justiça eleitoral agora como testemunha ainda de ocorrências da eleição senatorial e de sua disputa com Toni Garcia. É uma ação penal eleitoral contra Domingos Caporrino Neto, que tentou impugnar a candidatura de Garcia.
FOLCLORE - Sugestão de um terrorista da Boca Maldita: dizer em voz alta e em alto falante que há um telefonema, no Palácio Iguaçu ou Banestado, de Fausto Solano Pereira para alguma autoridade ou mesmo aspone.
CROMO - Vejo da janela deste jornal, no galho de um pinheiro, a casinha de um João de Barro desocupada. Ainda bem que entre as aves não há os sem ninho.
AFORÍSTICO - Se soubesse do ACM, do Aníbal Khury e do FHC, Montesquieu reveria a doutrina tripartite dos poderes.





