Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
As oscilações do Buda
Cada povo tem o Buda que merece. O nosso, legítimo, é Aníbal Khury, para alguns um oráculo, tanto quanto o de Delphos, para outros mais um mito que a própria mídia, por ele pautada em muitos aspectos, sustenta. O fato é que não se pode e nem se deve subestimá-lo. Daí a distonia neurovegetativa, suores nas mãos, calafrios e palpitações, que tomaram conta do Palácio Iguaçu e que se aguçaram quando falaram num jantar, marcado para ontem à noite, entre ele e o senador Roberto Requião. Seria a celebração para o ingresso no PMDB.
Num governo que não sabe manobrar, como se vê na batalha perdida da informação na pendência com os sem-terra, em que figura como réu, quer para o governo federal como para o parlamento (Comissão de Direitos Humanos), tudo é muito fácil para o deputado, emplacando alguém do seu time na cabeça do PFL (João Elísio) ou fazendo ameaças de mudança de partido para valorizar-se.
Como em 2000 teremos eleições e o poder de influência do guru não é desprezível, imagina-se um troco em cima do PFL, que está em elefantíase, por parte de Aníbal. E lá na frente virão imposições para a chapa oficial. Se com a manobra fajuta do Edde Abib, para contestar a eleição fácil do vereador Derosso para a presidência da Câmara Municipal de Curitiba, conseguiu, de certa forma, imobilizar o situacionismo, essa vai dar efeitos piores.
Quando enfrentado, Aníbal nada tem do general cartaginês: viu-se isso no caso da má inspirada anistia a infratores do trânsito, em que trombou com Cássio Taniguchi mais do que com Lerner, e também na simulação em cima do Edde Abib, que desde o início não tinha qualquer perspectiva de sucesso. De repente, estamos até superestimando o guru e subestimando o governo que lhe estaria dando atenção apenas para não ofendê-lo. O despiste é a regra no viver político. Talleyrand o explicita: A palavra foi dada ao homem para dissimular seu pensamento.
AXIOMA
E convém relembrar o conceito óbvio de que quem fala com mais propriedade sobre reforma agrária é sempre o latifundiário. Afinal, ele a tem (a propriedade) como ninguém
BIZARRICE O máximo da credulidade se deu com um curitibano: procurou nos acampamentos dos sem-terra, inutilmente, alguém parecido com a Luana (Patrícia Pilar) da novela O Rei do Gado. O MST rejeita glamour. Tanto que quando a Playboy descobriu a Débora Rodrigues, os dirigentes entraram em pane. Assim mesmo o repórter Israel Reistein confirmou que havia muitas sem-terra bonitas e que com maquiagem poderiam surpreender.
GLOSA Caíram os acidentes fatais e os com danos materiais, mas subiu o registro de atropelamentos. O diretor do Detran acha que o Código deveria multar o pedestre. Deve examinar, antes, a ausência de calçadas, passeios, responsabilidade pública não cumprida, que é causa também.
FILIGRANA Mais uma do Rubinho Ferreira: o jornalista Cândido Gomes Chagas seria candidato a prefeito de Guaratuba com apoio de Aníbal Khury e Lerner. Bem, pelo menos haveria esperança de taparem aquele buraco da Vila que sai em todos os números da Paraná em Páginas.
SPRAY Luiz Alberto Machado, como patrono dos alunos do vestiba da Tuiuti, e Romeu Bacellar, da Universidade Tuiuti, mobilizados, ontem, no Tribunal Regional de Porto Alegre, para derrubar o exame marcado para hoje. - Era o esforço final para evitar o vestibular, cuja realização passou à UFPR, o que, desde logo, é um elemento a mais para atingir a imagem da Tuiuti, cuja defesa (não a dos advogados, mas a do corpo administrativo) tem sido desastrosa. - Os prejuízos à Universidade Tuiuti são irreparáveis, mesmo levando em conta que ela tem-se desenvolvido bem, inclusive no curso de Direito. - Os lucros da conta fantasma 65.615-6 da agência Comendador Araújo do Banestado eram divididos, segundo o Sérgio Luiz Frizzo, operador da Fortuna Corretora, entre os seus diretores Cristiane Canet Mocelin, Evaldo Darcy Ehle e João Germano Valeton. - Conta fantasma não é novidade: havia uma para movimentar dinheiro do jogo do bicho no governo Álvaro Dias em favor do Provopar. E convenhamos que pegar contribuição de bicheiro para obras sociais é melhor do que racha com a Polícia, políticos e outros setores sociais. - Segundo frisou Frizzo, a conta foi aberta em nome da Porto Seguro Comércio de Óleos Vegetais e era usada como caixa 2 para driblar o fisco. - Aliás, a Polícia Federal está dando duro em cima dos casos de delito fiscal e pelo menos uma dezena de empresários anda enrolada. O ex-dono da Ortopé, Horst Volk, é um deles. - Houve gente do Paraná que teve que se explicar por causa de retenção de fundos previdenciários e sociais (retenção indébita e depositário infiel) na PF. Tudo foi discreto e tanto que continuam por aí botando banca. - Pressões sociais e políticas, como as demonstrações do MST em Curitiba, não intimidaram Abelardo Lupion, deputado federal, que esteve junto com ruralistas no Tribunal de Justiça reclamando contra o descumprimento das ordens judiciais no Paraná. - É o front da batalha psicossocial: na rua os sem-terra, na cidade a pressão dos deputados da Comissão de Direitos Humanos em cima de Lerner, e no TJ a grita ruralista. - Discussão na OAB sobre implicações da Lei 8.112, que proíbe servidores do gerenciamento de empresas privadas e que operam com o governo. Volta e meia, casos semelhantes se dão aqui no Paraná inclusive.
GELÉIA Avião da FAB apanhado com 32 quilos de cocaína pura, devassa no sistema financeiro e vinculação de gente do Banco Central com o mercado, CPI do Judiciário (ainda que manifestamente ilegal), apuração dos chunchos das regionais em São Paulo (em que fica demonstrada a inocuidade do Tribunal de Contas) - tudo isso mostra o seguinte: o Brasil não piorou e sim está hoje mais bem informado, graças à pressão da sociedade.
FOLCLORE Quando anunciaram que Aníbal Khury iria para o PMDB, a primeira dúvida residia no fato de que o senador Roberto Requião, dono do partido, tem domínio equivalente na agremiação ao exercido pelo deputado na Assembléia. Conciliar a partilha seria algo como aquela lei física relativa à impossibilidade de dois corpos ocuparem simultaneamente o mesmo espaço.
CROMO No populário há aquela canção que diz assim: Fui passar na ponte// a ponte estremeceu// nágua tem veneno, baiana// quem bebeu, morreu! O vibrião da cólera reaviva o folclore.
AFORÍSTICO Há chefes políticos que só aparentam domínio porque, na verdade, mais parecem reféns de um sistema do qual não podem se libertar nem que o desejem. Às vezes, estamos muito próximos dessas situação e não percebemos.





