Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
PIB forte, pibe fraco
O governo festejou a circunstância de o Produto Interno Bruto do Paraná ter crescido 17 vezes mais do que o nacional. Os dados da macroeconomia quase sempre dão uma idéia falsa da situação. O Brasil, tido como oitava economia do mundo, aparece numa posição humilhante quando se o submete ao IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, que cruza esses dados econômicos com os sociais. Na verdade, o crescimento do PIB foi de 2,54%, quando o do Brasil ficou em apenas O,15% em função da retração do nível de atividade.
Já se fizermos um estudo de PIB per capita, perdemos no sul do Rio Grande do Sul, embora apenas nesse aspecto econômico tenhamos superado Santa Catarina, e por pouca margem, uma vez que nos sociais (escolaridade, mortalidade geral e infantil, expectativa de vida) levamos a pior. O Paraná já teve, embora em caráter excepcional, um registro superior a 6,44%. Há a expectativa de que passemos ao quarto lugar em renda interna, superando os gaúchos.
No detalhamento setorial, conforme o Ipardes, o Paraná esteve à frente do Brasil em todos os indicadores, o maior deles na indústria, com 4,09%. Miguel Salomão, secretário do Planejamento, mostrou que boa parte do crescimento ainda se deu na implantação das fábricas com ativação da construção civil e suprimento de cimento. A maturação desses investimentos virá com o tempo e as escalas produtivas. Um outro dado analógico é o que mostra a tendência de o Paraná superar o Rio Grande do Sul. Ocorre que aquele Estado tem 5,5% de intenção de investimentos industriais da carteira nacional de inversões e o Paraná conta já com 8% do total brasileiro.
Insisto num detalhe: urge reduzir o fosso, cada vez maior, entre o chamado desenvolvimento econômico e o de caráter social. Há muito entusiasmo, quase um embotamento, em torno do novo perfil da economia paranaense, enquanto pouco se observa o quanto esse impacto melhora a parte social, que se atrofia a olhos vistos e com isso nossas taxas de IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, ficam abaixo da dos nossos vizinhos do Sul.
Quando o Brasil vivia a euforia do milagre, o mais duro e repressor de todos os presidentes militares que tivemos, Emílio Garrastazu Médici, percebeu essa contradição e falou que o Produto Interno Bruto não era a Felicidade Nacional Bruta. E não era porque o econômico salta à frente do social, é dicotômico em relação ao outro, embora haja a ilusão capitalista de que o processo da economia chega a redistribuir a renda, o que não é verdadeiro. Uma forma de fazê-lo é ampliar a malha de atendimento social via saúde e educação e isso implica em intervenção, hoje uma heresia para a picaretagem neoliberal.
O que não pode acontecer é haver PIB forte e um pibe (criança) fraco.
BIZARRICE
Governo está assanhado com a possibilidade da vinda da Ford, algo ainda remoto. Esquece que não tem mais grana para virar sócio, como se deu com a Renault, e que também não está em condições de abrir mão de receita futura, tanto que renegocia com a montadora francesa a prorrogação dos quatro anos de isenção. No relatório conjuntural da Fiep houve registro de 7.400 demissões nos dois primeiros meses do ano. Setor alimentar foi o que mais cortou vagas e haverá mais, como se vê na decisão da Batavo de demitir 10% do quadro.
AXIOMA Todo o segundo governo é inferior ao primeiro. Assim foi com Moysés Lupion, com Ney Braga e está sendo com Jaime Lerner numa intensidade forte. Este pode consolidar o conceito e levar à população a idéia de que a reeleição não é uma boa. Já não se trata de superstição, mas de fato incontestável, especialmente neste momento. Ainda há tempo para mudar ou pular fora. Mas mudar com esse time é difícil.
GLOSA O Tempora, o Mores: até a propina agora tem atualização cambial. Débitos de acertos eleitorais estão sendo calculados, igualmente, pela taxa cambial do dia. Com tudo isso, os atrasos são comuns. Outro dia havia um cliente em quase desespero atrás de R$ 6,5 milhões.
VINHETA Extradição do general Augusto Pinochet é um refrigério em meio a essa barbárie dos ataques da Otan na Iugoslávia.
SPRAY Curitiba tem um orçamento gigantesco de quase R$ 1 bi e meio. Vereadores confessam que não decifram a sua linguagem esotérica, embora esta seja a sua função básica.- Agora o público em geral vai ter oportunidade de dominar os meandros do orçamento da cidade por intermédio de um fórum específico criado pelo Conselho Regional de Economia do Paraná e que abrigará outras entidades.- Dia 22, no 1º andar, Edifício Pedro I da UFPR, haverá o lançamento do Fórum e um boletim com dados básicos da Lei de Meios será distribuído abrangendo período de 1994 para cá.- Luis Eduardo Sebastiani, presidente do Corecon, um dos autores da idéia, a entende como uma imposição de deveres institucionais da própria categoria na tradução, sem economês e esoterismos, no ângulo técnico, jurídico e político do orçamento público para os que se interessarem.- Com a divulgação de como se partilham os gastos da cidade dará para definir o conteúdo do próprio governo e se eles se processam na direção do que havia sido prometido. - Afirmações de Tato Taborda sobre a nova fase da reforma agrária no Paraná na Globo animaram, embora não suficientemente, ruralistas. Elas indicam que o governo rompe a inércia que permitiu abusos acumulados no Noroeste.- Celebrações de sem-terra, estes dias, vão tentar manter o governo sob o fogo, agora do basismo religioso e agrário. O público, em maioria, é contra a forma como se dão as invasões, embora aceite a ocupação das terras ociosas.- Rádio Banda B é a segundo colocada do Ibope em AM, feito de dois meses do radialista Luis Carlos Martins, o que não deixa de ser uma façanha.-
FOLCLORE Gaúchos do Paraná defendem o seu governador Olívio Dutra na briga com as montadoras. E têm um argumento forte: chuncho, como o de dar dinheiro do povo de mão beijada para multinacionais (no Paraná foram mais de R$ 900 milhões, sem juros e nem correção monetária, conforme denúncia do senador Osmar Dias em artigo de janeiro do ano passado na Gazeta Mercantil) não é aceitável. Ademais acerto no fio do bigode, até pela fartura, é mais fácil com ele.
CROMO Se não temos rouxinol no Brasil, que pássaro é este, da madrugada, que me desperta, todos os dias, às cinco horas, com a precisão de um cuco e a magia de uma sonoridade de difícil identificação?
AFORÍSTICO Você imaginou que drama escolher entre Lerner e Requião, Requião e Álvaro Dias? Há ausência de quadros e renovar com as mesmas pessoas e estilos não deixa de ter uma dimensão de tragédia.





