Há momentos em que a alma nacional é submetida a abluções purificadoras: os mais recentes episódios foram os da CPI de PC Farias, que levou Collor ao pedido de renúncia para fugir ao ‘‘impeachment’’, e da CPI do Orçamento que tirou a roupa de algumas vestais do primeiro processo, como Ibsen Pinheiro. Cada vez que isso ocorre diz-se que o Brasil está mudando, mas tudo fica pela metade e a limpeza não é geral.
Sugere-se que vai ocorrer o mesmo com essa estória dos títulos estaduais, mas pelo jeito só lucrarão com isso os que obtiverem dividendos eleitorais, e quando fizermos o balanço final veremos que uma vez mais se adiou aquilo que se imaginava uma reedição do ‘‘Baile da Ilha Fiscal’’, aquele que se deu horas antes de a monarquia cair no Brasil.
Seja o baile ou uma espécie de apocalipse para os ímpios do momento, tudo se transfere em moratória inesgotável: quando da derrota de Maluf para Tancredo, pensou-se que o Brasil seria passado a limpo com o Colégio Eleitoral que em parte compensava a frustração com as diretas derrotadas no parlamento e veio, logo em seguida, o Plano Cruzado, que também nos enganou e garantiu a vitória do PMDB; tivemos, também, a fantasia da Constituição Cidadã do faraó Ulysses Guimarães hoje submetida ao strip-tease de estados e municípios quebrados e que recorreram ao ilusionismo dos títulos e cuja CPI lembra o Denorex (aquele que parece, mas não é remédio) na suposta ânsia de remir a pátria ofendida.
Virão novos escândalos que, como as fraudes da Previdência, continuarão ocorrendo a despeito do conhecimento do ‘‘caminho das pedras’’. Será que o orçamento federal se livrou daqueles vícios que, aliás, deveriam ter ocorrido antes do período dos anões?
Aqui no Paraná as mesmas pessoas, que aparecem em ocorrências atuais nas irregularidades do Banestado, são as mesmas que trinta anos atrás estavam firmes em anomalias públicas. A impressão que tudo isso causa é que uma forma larvar de corrupção, institucionalizada pela frequência, legitimada na rotina assustadora, rege os acontecimentos com o virtuosismo de uma orquestra.
BIZARRICE - ‘‘À disposição do Festival de Teatro de Curitiba, a ‘Magirus Deutz’ do Corpo de Bombeiros ficou das 15 às 21 horas de domingo na praça Santos Andrade para a culminância da ‘Aquariofobia’. Ainda bem que nesse interregno não pegou em nenhum ‘Farol do Saber’ na Capital.’’ A observação é do advogado e anarquista Elísio Marques.
SPRAY - Primeira consequência do ‘‘Disk Parentes’’ colocado na redação do semanário ‘‘Impacto’’ : dezenas de denúncias sobre a Câmara Municipal, Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça relatando casos de nepotismo. - Horácio Rodrigues acusou Requião de peculato ao tempo em que foi prefeito, mas a Mesa da Assembléia mandou retirar a declaração dos assentamentos. Sigilo para o Banestado (atual governo), sigilo em favor da oposição: elas por elas. - Desapropriação de área, onde se explorava um barreiro para fornecer matérias primas a olarias, no atual Parque Tingui teve a intermediação do grupo Pão de Açúcar. Isso aconteceu em 1992. - Dá para imaginar os ‘‘judas’’ a serem malhados neste final de semana: Pitta e Maluf vão aparecer com destaque, tal qual os governadores de Alagoas, Santa Catarina e Pernambuco. Lernistas vão malhar ‘‘Requião’’ e requianistas o ‘‘Fofão’’, como diz Hélio Duque. - Por falar nisso, seguem nesta semana os entendimentos para a entrada de Lerner no PSDB, inclusive a possibilidade de um encontro entre o governador e FHC. - Jornal do PT, com 100 mil exemplares, em cima da maracutaia dos títulos estaduais, só vai sair depois da Páscoa. E por uma razão simples: surgiram novos documentos, que precisam ser checados, e um deles mostra que o incrível Fausto Solano teria feito mais de 900 telefonemas ao Paraná. A checagem dos aparelhos a que se destinaram tais ligações está sendo procedida. - É tão verdadeiro que Solano esteve aqui como no governo passado tivemos a presença dos chefes do jogo do bicho, entre eles o Capitão Guimarães e o Miro, hoje condenados pela juíza Denise Frossard. - De 31 de março a 4 de abril, Senac empreende os seguintes cursos das 19 às 22 horas: Código de Defesa do Consumidor, Gerenciamento de Pequenas Empresas, Redação para Executivos e Alternativas para soluções de conflitos. - Comitê Municipal do Partido Comunista Brasileiro, o partidão ou pessegueiro, promove hoje jantar na Churrascaria Recanto Gaúcho (Victor Ferreira do Amaral, 470, Jardim Social) de comemoração do aniversário. Só falta botar no fundo a música ‘‘Vermelhou a paixão’’ com a Fafá de Belém. - Situação do Banestado é de tal ordem, diante da insistência em ocultar as ocorrências da Corretora e da Leasing, que tanto diretores atuais quanto futuros correrão riscos, tal qual se deu com gestores e conselheiros do Badep. O jornal do PT vai exibir isso e a distribuição atingirá as 50 maiores cidades do Paraná.
FOLCLORE - Em função da proximidade do planeta Marte e do eclipse de domingo a rádio CBN fez uma enquete sobre OVNIs e, como me cabia comentar o assunto, lembrei de algo pitoresco: nunca vi um disco voador ou coisa semelhante, mas também em qualquer tempo fui ouvido por um pesquisador do Ibope ou Gallup. No entanto, sei que existem e que são apropriadas as suas conclusões. O silogismo me leva, portanto, a não subestimar OVNIs e ETs. Aliás, há dezenas deles na praça.
CROMO - No eclipse de madrugada, pouco importa que o tempo nublado tenha dificultado a visão de Marte. Valeu a pena redescobrir o céu num tempo em que a maioria está cabisbaixa olhando para o chão.

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