Luiz Geraldo Mazza
A elefantíase do PFL
Ainda na expectativa de uma reforma política, que estabeleça a fidelidade partidária como fundamento essencial, percebe-se uma tendência entre nossos partidos mais fortes para a atomização e aqui o que mais riscos apresenta é o PFL, cujo inchaço o coloca sob um processo de elefantíase. Partido inflado, como está o sucedâneo da Arena e do PDS, fica sujeito a esse processo e não conta com antígenos eficazes para evitar o pior.
Fala-se, por exemplo, que Aníbal Khury seria um dos nomes fortes a deixar as fileiras do partido. Ele, que exerce um domínio hegemônico no Legislativo estadual, tem sensores que vão muito além da intuição e do ‘‘faro’’ para captar o momento de mudar de legenda. Aliás, já pertenceu a várias delas e sabe desfrutá-las, tanto nos grandes como nos pequenos partidos. Basta lembrar, entre as suas façanhas, a de haver transformado o PTN, Partido Trabalhista Nacional, grêmio nanico de Emílio Carlos da base aliada de Jânio Quadros, no lançador do fato consumado da candidatura de Paulo Pimentel, desafiando o Partido Democrata Cristão, PDC, que se habilitava à sucessão de Ney Braga. Como já esteve em períodos de domínio na Arena e também no PMDB e agora PFL, se voltar para o PTB é para aumentar o seu poder de fogo, ainda mais depois de emplacar João Elísio no comando do partido oficial.
Com Lerner em notória queda, o Buda vai criar mil e uma dificuldades para a chapa oficial com Cassio Taniguchi, aquecendo candidaturas no PTB para impô-las como vice, e assim por diante. O que está por vir não é nada palatável. E o PFL não terá como evitar um regime de emagrecimento necessário.


BIZARRICE
A eficiência do governo é admirável: lançou ontem, depois de duas semanas de epidemia em Paranaguá, o ‘‘Disk-Cólera’’. Que rapidez! Só falta agora o vibrião atender em pessoa.



AXIOMA Uma figura ‘‘ligeira’’ do governo, que já se destacou sobremaneira nos Jogos Mundiais da Natureza, está querendo emplacar Jogos do Mercosul. Afora o caso do Centro de Excelência Rexona, nenhum dos muitos programados deu certo, tanto que o basquete feminino de São José dos Pinhais, o vôlei masculino de Maringá e o basquete de Londrina não têm patrocínio.
GLOSA Ontem o governo estadual assumiu o compromisso de descentralizar a Reforma Agrária e hoje dois secretários, o da Segurança e o da Justiça, prestam depoimentos à Comissão de Direitos Humanos, a propósito de violência contra os sem-terra. A União lava as mãos e o Estado herda sangue. E os basbaques ainda vão comemorar. Não é missão, mas sub-missão, submissão, como versejaria o poeta concreto.
VINHETA ‘‘O fascínio pelo novo levou nosso Governo do Estado a conceber a Costa Oeste e esquecer completamente a velha Costa Leste. As questões mais antigas do Paraná continuam por aí e problemas novos é que não faltam. Lastimo que o governador Jaime Lerner, que tanto propagandeou atitudes ambientalmente corretas, seja um enganador na essência do seu marketing político. A falta de percepção quanto ao momento ambiental e a omissão governamental daí decorrente mataram pessoas em Paranaguá. Como fica?’’ A reflexão é de José Álvaro da Silva Carneiro, da Liga Ambiental.
SPRAY Vitimalismo é a arma do MST para tentar equilibrar o jogo: ontem o tiro numa criança, antes o homicídio e o sequestro como baixas.- Governo entra descompensado no confronto e na batalha da informação e está no banco dos réus (depoimento de Cândido Martins de Oliveira e José Tavares é prova disso). Perde em todos os ‘‘fronts’’, enquanto é pressionado pelos ruralistas a proceder desocupações.- Graças à inabilidade do governo, tenta-se santificar o MST e demonizar os ruralistas. É a visão objetiva da mídia, onde Lerner se acreditava o dono do pedaço.- Paranaguá, há muito, vem revelando deficiências no saneamento. Em abril de 97, houve denúncia ao Instituto Ambiental do Paraná e também ao Ministério Público de acúmulo de lixo hospitalar em praça pública.- O Relatório do Impacto Ambiental provocado pela questão da termelétrica a carvão esmiuça a infra-estrutura regional e revela o caos. Tanto que o grupo interessado na construção da usina prometia fazer aterros sanitários em três pontos da baía, hoje alcançado pelo churume.- O incrível é que a despeito de todas as deficiências, a prefeitura decidiu privatizar os serviços de saneamento, uma das causas hoje do alastramento do vibrião porque a Cagepar cortou a água dos que não podiam pagar as contas.- O médico Dalton Paranaguá, ex-prefeito de Londrina, em declaração pública, afirmou que o problema da cólera é, sobretudo, uma questão de incompetência.- O psiquiatra Fernando Sielski lança o livro ‘‘Filhos que usam drogas - Guia para os pais’’ dia 29, das 17 às 20 horas, no hall térreo da Biblioteca Pública.-
RESSONAE O grupo Sonae ganhou de mão beijada para montar o complexo da Tafisa, em Piên, um imóvel de 580 mil metros quadrados, doação feita em 9 agosto de 97 pelo prefeito Nei Ciupka, hoje diretor da empresa. Escritório que cuida da parte jurídica: Pereira Gionédis, comandado pela mulher do secretário da Fazenda.
Uma das acusações, não precisas, mas presumidas, feitas ao grupo Sonae pelos fornecedores de hortigranjeiros foi a possibilidade de que nos descontos feitos possa haver artifício de sonegação fiscal em vários níveis de governo.
Outro detalhe: o setor supermercadista sempre foi olhado como um alvo de evasão fiscal. Tanto que o Mercadorama, antes de ser absorvido pelo grupo Sonae, esteve envolvido até o pescoço no caso do Clube dos Sessenta, tocado por uma gangue que oferecia serviços de consultoria em que os débitos fiscais eram liquidados e com a empresa recebendo de volta 60%. Nenhum empresário sofreu qualquer sanção, além das de caráter fiscal.
FOLCLORE Há quem entenda que o Banestado deva ser federalizado porque os seus escândalos têm dimensões federais, como os últimos incidentes do Banco Central. Se o órgão encarregado da política monetária se envolve em casos como o do Banco Marka, com que condição pode ditar normas? O consolo, diante de tudo isso, é que pelo menos hoje o público tem informação.
CROMO ‘‘Em cinquenta e cinco// chegamos à ferroviária// as malas e os filhos// ante o súbito pinheiro// primeiro pasmo do exílio.//’’ Wilson Bueno.
AFORÍSTICO A convocação de dois secretários para depor numa Comissão de Direitos Humanos é a prova maior da incapacidade de ação do governo no caso específico do MST. Perde a um só tempo a batalha jurídica e a da informação. Com isso beatificaram os sem-terra e satanizaram os ruralistas.

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