Luiz Geraldo Mazza
Pelo jeito o planalto vai virar mar, como já se profetizou para o sertão na tradição literária brasileira. É que o prefeito de Paranaguá, Mário Roque, está ameaçando desembarcar em Curitiba com uma enorme caravana para exigir que o Porto pague o que deve ao município e que no acumulado se aproxima de R$ 2,8 milhões.
Percebe-se que o ágil prefeito terá sucesso mais imediato do que o seu colega de Londrina, que tinha intenções mais abrangentes: além de fugir da acusação de caloteiro - e de uma promessa que ele próprio firmou ao admitir que a cidade tinha direito a cobrar o ISSQN, Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza, da Administração do Porto de Paranaguá, conforme decisão judicial - o governador se habilita a manter níveis de credibilidade em torno das promessas para a região, entre as quais aquela mirabolante do canal entre Pontal e Matinhos.
E se a moda pega - a de partir para mobilizações no Centro Cívico, tal qual se deu com a mais recente dos professores e funcionários das universidades estaduais - vai ser uma festa ao ver-se aquela área transformada numa espécie de Hyde Park (que não seja o oposto do dr Jekyl, mas sim o local de liberdade da Inglaterra). Será, no entanto, até divertido: dá para imaginar essa categoria, que tem uma excelente imagem junto ao público, dos empreiteiros cantando a marchinha Ei, você aí, me dá um dinheiro, aí!.
Como se trata de uma reivindicação de Paranaguá, espera-se que a colônia da cidade compareça para prestigiar o ato. Isso seria terrível quando Santo Antônio da Platina e Pato Branco por exemplo fizessem o mesmo. É que esses fazem os maiores jantares de originários daquelas cidades.
BIZARRICE Carlos Marassi, o mais correto mestre de cerimônias de promoções, que vão de concursos de misses a inaugurações, ao aproximar o governador do artista plástico Poty Lazarotto, de quem acabara de ganhar uma de suas obras em cima do tema da cervejaria (Kaiser, Ponta Grossa), ouviu Lerner, sorrindo, dizer que tomara muitas com o gravurista e muralista. Bastou isso para que o pessoal da Kaiser forçasse a barra, dizendo que a cerveja era daquela marca.
SPRAY Uma edição do jornal do Partido dos Trabalhadores, com mais de 100 mil exemplares, segunda-feira vai contar o que seus deputados sabem a respeito das irregularidades no Banestado. - Era visível que o pano quente da sessão secreta não iria dar resultado, mas estimular, como alertei, a meia-verdade, o que é pior do que boato. - Há um clima emocional, negativo, entre servidores do banco porque eles se julgam os maiores injustiçados: afinal estourou em cima deles o corte das horas extras e a ameaça de perda de emprego, enquanto os aproveitadores são protegidos pelo sigilo e continuam, como sempre, livres de qualquer sanção e protegidos pelos políticos. - Afora isso superestimam as operações ruinosas por causa exatamente da falta de informação clara e não podem ouvir nem falar na Corretora e na Leasing. - Eleição direta em escolas públicas é, por decisão do STF, inconstitucional, embora constante das cartas magnas estaduais. Conforme o entendimento dos ministros Carlos Velloso, Otávio Gallotti e Francisco Rezec essa atribuição (a de nomear e exonerar) é de competência exclusiva do Executivo. Com isso a lei Rubens Bueno, que adotou a medida nas escolas locais, também foi atingida, mas o governo Lerner vai mantê-la por motivações óbvias, inclusive parecer politicamente correto. Para o governo a eleição é uma comodidade porque tira a área do corsarismo político e das pressões do comando de prefeitos e deputados. - A notícia de que os incentivos para instalação industrial em Curitiba serão reduzidos e mais ainda o fato de que as próximas cinco indústrias (que o governo anuncia brevemente) irão para o interior indica uma reversão séria de Lerner contra um processo indesejado de concentração e que acentuava desníveis regionais internos. -
Xerox do semanário Impacto das práticas de nepotismo dos vereadores de Curitiba já apareciam na tarde de ontem, tal a repercussão das notícias. - FOLCLORE Dias passados o Ennio Marques Ferreira dizia que apenas Getúlio Vargas havia morado, por dois dias, num apartamento do Palácio São Francisco, hoje sede do Museu de Arte do Paraná. Está enganado: o interventor e general Mário Gomes (secretário da Fazenda no governo Lupion, o segundo, e também deputado federal) residiu no local. Dali é que veio a fama injusta, bem no estilo ácido dos paranaenses antigos e adversários de adventícios, de que comeu todos os perus da Granja do Canguri (hoje Parque Castelo Branco). Na verdade os alimentos tinham aquela origem, daí a maldade e que pegou como se fosse documental. Nesse Palácio Iguaçu, como já contei, em 1953 levei um empurrão, escadaria abaixo, do anjo negro, o Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas que de fato se hospedou no edifício. Fui a serviço falar com alguém da Casa Civil e sofri a incivilidade.
CROMO A ave símbolo do Paraná, a harpya, nhapecami para os índios, está no Zoológico, mas não consegue procriar em cativeiro. Raros espécimes, ainda vivos, não procriam porque as garras do falconídeo ao tocarem nos ovos os destróem, pois têm a casca fragilizada pelos defensivos químicos.
AFORÍSTICO O Brasil é um país curioso: quando tem recorde de produção sofre com o engarrafamento nos portos e se um dia sua população pobre tiver condições de se alimentar com três refeições diárias não terá como atender a demanda.





