Luiz Geraldo Mazza
O basismo está de luto e inconformado com o caráter inconstitucional das eleições nas escolas. Várias decisões de tribunais estaduais e superiores, como o STF, vinham reafirmando esse entendimento. O caso paranaense, já em 1992, governo Requião, era paradigmático: uma liminar já havia suspendido a parte essencial do artigo 178 da Carta Estadual, em seu Inciso VII, que falava no sistema eletivo, direto e secreto, na escolha dos dirigentes e o efeito da recente decisão tem caráter retroativo.
Pergunta-se: a instituição do sistema eletivo, adotado no governo Richa, o mais democrático de todos da grife peemedebista, trouxe algum ganho para a educação, co-responsabilizando, por exemplo, o colegiado de pais e mestres? Não, e isso porque o eleito era ungido e a área ficava permeável à ação dos partidos políticos, tal qual se dá nas chamadas associações de moradores, que acabam submetendo a cidadania, que urge construir, à demagogia assistencialista de pequenos tiranos de arrabalde seduzidos também pelo partidarismo.
Vamos abrir um parêntese para explicar por que Richa foi o mais democrático: em primeiro lugar, porque os seus sucessores Álvaro Dias e Requião eram muito parecidos em autoritarismo e individualismo, e depois porque o sabor do novo, da resistência ao arbítrio, perdia seu charme na evolução dos fatos. O próprio Richa se viu, depois de tantas concessões à chamada participação embutida na gestão democrática, a denunciar o fato de que se caminhava para a patologia do democratismo e do assembleísmo, duas deformações do regime para consagrar o que lhe é oposto - a demagogia.
Foi tão democrático José Richa que permitiu um julgamento público dos seus dois secretários mais importantes, o da Fazenda e o do Planejamento, Erasmo Garanhão e Belmiro Valverde Jobim Castor, via televisão, em função dos depoimentos públicos feitos na Assembléia Legislativa. Lerner jamais o faria com relação a assuntos muito mais graves, como os que apontaram a degradação física e moral do Banestado, o favorecimento aberto a pessoas do seu grupo nas bandalheiras praticadas, a vergonheira do pedágio na forma como foi reduzido em 50% e como se pretende aumentá-lo. Com este Legislativo que aí está, de pouco adiantaria. Nem Requião e muito menos Álvaro Dias o fariam, embora tivessem feito agressões ao Judiciário, abusando do acesso aos meios de comunicação, o que também se deve à subserviência dos empresários da área.
Todos esses governantes, inclusive Lerner, tiveram problemas com os professores que jamais foram simplificados por causa da eleição direta e que, ao contrário, até dificultaram essas relações. A providência tomada por Requião, ao discutir a constitucionalidade do artigo 178, foi clara, decente, corajosa, sem cortejamento da categoria, corretíssima.
SILOGISMO Se o PFL é o partido no governo e do governo, o Palácio Iguaçu se impõe como instância decisória. Assim era no regime militar, no qual o PFL, na roupagem da Arena, descobriu sua vocação: de ser e estar no poder. Tanto que quando percebeu que o PDS, primeiro substituto da Arena, iria perder a parada no Colégio Eleitoral com Maluf, virou PFL como dissidência para continuar no poder. E se o Abelardo Lupion quisesse agora fazer o papel do ACM, que dirigiu a ação anti-Maluf e pró-Tancredo na política interna? Silêncio na mídia, silêncio no PFL - a paz, plácida e reconfortante, dos cemitérios.
AXIOMA O PDT no Paraná jamais teve força por causa de Brizola. Mais alguns pronunciamentos, como os do horário eleitoral, e o partido caminha para o nanismo. E do nanismo vai ao onanismo.
GLOSA O técnico do Atlético levou a semana inteira lembrando aos seus jogadores que na hipótese de uma penalidade máxima contra Régis, jamais a batessem em tiro rasteiro e isso aconteceu duas vezes. Ainda bem que o nome do técnico é Clemente, e clemência, pelo jeito, é o que não lhe falta.
SPRAY Seria impensável, sob o comando anterior do governo Lerner, que tornou a sua assessoria impermeável à área política, uma reunião como a de ontem, para cuidar dos problemas do PFL. Tato Taborda recuperou para a Casa Civil a função ali exercida por outro jornalista como Samuel Guimarães da Costa, que a exerceu na gestão Paulo Pimentel, e Euclides Scalco no governo Richa. A inércia - foi rompida.- Começo a desconfiar que essa história de que o Paraná será o quarto PIB (não per capita, já que nesse indicador perdemos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina) do Brasil não tem muito embasamento científico e decorre de uma afirmação, um tanto quanto superficial, de uma revista gaúcha, Amanhã, talvez até com o propósito de mexer com os brios internos. O Ipardes, que estava mais crítico e parece voltar ao velho hábito do triunfalismo, embarcou nessa como se fosse um ordenamento doutrinal em cima desses discutíveis e jamais detalhados investimentos de 16 ou 18 bi de reais na praça. Curitiba, nestes 306 anos, deve estar com 170 mil desempregados e com grande parte de sua população economicamente ativa entregue a biscates e aos sobressaltos do mercado informal.- A ASPP, volta e meia, é apontada como alvo de atos ruinosos de diretores e nada é esclarecido com a amplitude exigida pelas dimensões dessa instituição, que é um dos maiores exemplos de continuísmo gerencial.-Mais casos de envolvimento de policiais ou assemelhados (alcaguetes) em ações criminosas na delegacia de Almirante Tamandaré. Percebe-se que a Corregedoria é organismo insuficiente para metabolizar a patologia que se espraia por toda a instituição, apesar das qualidades do delegado Aníbal Bassan Júnior.
FOLCLORE No anedotário médico há passagens curiosas do doutor Gazire. Uma delas referente a atestados de óbitos em dois episódios clássicos. O primeiro, a um problema pneumológico assim resumido: Causa mortis: tosse. E que tosse! Outro sobre acidente vascular: Era uma injeção muscular e o paciente, descuidado, tomou na veia.
FILIGRANA Dá a impressão de que aquela lembrança das acusações infundadas a Moysés Lupion, em relação ao que de fato acontece no Paraná, estariam no eixo da resistência ao deputado federal Abelardo. Este parece sincero e impulsivo demais para os padrões dominantes.
CROMO A mosca azul da lenda pode ser a varejeira esverdeada da realidade e que produz o berne.
AFORÍSTICO Se começarem a avacalhar universidades, dentro em pouco o diploma pode ser olhado, documentalmente, como folha corrida de maus antecedentes.





