Luiz Geraldo Mazza
Quem manda no Paraná é mais ou menos como Antonio Carlos Magalhães na Bahia: Aníbal Khury, presidente da Assembléia, menos truculento e nem por isso um turco lento. Dá para percebê-lo no cotidiano como mediador, inclusive, dos interesses do Judiciário junto ao Executivo. Uma das suas áreas sempre foi a dos cartórios, em torno da qual erigiram alguns mitos, dentre os quais o de que continuou agindo como mediador, mesmo depois de cassado pelos militares.
Sedutor, normalmente ameno, desempenha, seguidas vezes, o papel de algodão entre vidros e é o que tentará fazer hoje na sessão secreta da Assembléia que examinará os problemas do Banestado. De saída, em nome da autonomia do poder, vai dar um deixa pra lá no Ministério Público estadual, cujo chefe, Sotto Maior, pretendia ter um dos seus representantes presentes ao encontro e fez tal declaração sem ter a cautela elementar, de respeito a uma regra de cortesia, de solicitar ao deputado essa participação.
Se é justa a pretensão do Ministério Público de ficar por dentro do evento, aliás exercício que habitualmente não faz com o zelo e a frequência devidos, não deixa também o Legislativo de ter a sua razão, ainda que no dia a dia atue quase sempre como um apêndice do Executivo, o que não é de hoje, razão de todo esse autoritarismo institucional que praticamos. Tal nó deveria ser desatado e em Aníbal Khury devem existir reservas de generosidade e compreensão para desculpar a intromissão bem intencionada dos procuradores de justiça em favor de um clareamento dos fatos que não deixe margem a dúvidas maiores do que as já existentes.
Não será com panos quentes e excessos de pasteurização que se salvará a imagem do Banetado, sabidamente o melhor dos bancos estaduais, mas também conservando a patologia comum à área na olimpíada da inadimplência, das doações sem investigação cadastral e da acomodação de que as tetas túrgidas da loba romana, o erário, acertam os que mamam com sofreguidão. Aliás um dossiê mostrando a herança do governo Requião-Pereira abrirá as explicações porque ali reside boa parte da dificuldade de alavancá-lo com moeda estável e sem a cumplicidade da inflação que tudo permitia e facilitava.
Espera-se que haja competência da oposição nas indagações para que se faça um check-up da situação e que revele o grau de comprometimento alegado pela carta anônima que Requião autenticou como se fosse documento hábil, algo que se fosse aceito pela CPI senatorial comprometeria boa parte de seus trabalhos e facilitaria, no futuro, a alegação de nulidades processuais. Depois do show das acusações, haveria o risco de uma frustração, como se deu no caso Collor.
BIZARRICE - Ontem, dia de São José, houve a missa dos Josés na Catedral. Só faltou na hora da reunião daqueles que levam o nome do santo um curitibano clássico ter gritado Zé enquanto o pessoal se dirigia para a igreja.
SPRAY - Tessitura da ida de Lerner ao PSDB foi marcada ontem por um encontro entre o senador Osmar Dias, o ministro Sérgio Motta e Eduardo Jorge. Isso em Brasília. - Em São Paulo Lerner esteve com Mário Covas. A ida de Lerner talvez produza o retorno de Euclides Scalco ao PSDB. - A jogada especulada era a de que Lerner encabeçaria a chapa, Rubens Bueno figuraria na vice (com o que se amainaria a tensão interna) e Álvaro Dias iria para o Senado. - Isso poderia provocar um arrastão no PMDB ante o temor de mais 6 anos fora do poder e quem o desfrutou, como a prática tem demonstrado, se desajusta na oposição. - De qualquer forma esse cenário favorece a figura de Requião no PMDB e impõe aos pedetistas que permaneçam com a legenda para evitar invasões. Se com o domínio da situação, em passado recente, o PDT permitiu a legitimação de uma dissidência sem votos e que chegou a pegar o espaço da candidatura senatorial com Tadeu França, imagine-se o que não se daria agora. Os sem votos, ainda que devotos (supostos) de Brizola, fariam um estrago. - Nem tudo, porém, é céu de brigadeiro para o governo: o deputado federal Ricardo Gomyde, aquele que foi eleito por Marlene e Mário Pereira, ofereceu um jantar ao que sugere ser uma frente parlamentar de oposição a Lerner na Câmara Federal. No fundo há também muito ressentimento contra o coordenador José Borba. Na contabilidade vale tudo, inclusive inveja. - Juizados especiais estão sobrecarregados e não contam com funcionários (o concurso com 30 vagas e 6 mil candidatos ainda não saiu): 3/4 do movimento das varas criminais e 1/3 das cíveis se dirigem para essa instância. - Relação dos 15 novos juízes substitutos: Jair A. Botura (Umuarama), Nilce Regina Lima (São José dos Pinhais), Joana Tonetti Biazus (Santo Antonio da Platina), Paulo Cesar Roldão (Rolândia), Celso Thaumaturgo (Lapa), Lauro Augusto Fabrício de Mello Filho (União da Vitória), Fernando Andriolli Pereira (Ibaiti), Rosicler Cassou (Nova Esperança), Maria Cristina Chaves (Arapongas), Rodrigo Otávio Gomes do Amaral (Jacarezinho), Rodrigo Bressan (Paranavai), Sílvio Yamaguchi (Santo Antonio do Sudoeste), Roseana Assumpção (Francisco Beltrão), José Roberto Silvério (Ivaiporã) e Fabiana Leonel Ayres (Loanda).
FOLCLORE - O general Dutra discursa em Curitiba: fala em terra das araucarías e Manoel Ribas, o interventor,(que procuravam caricaturar como entendido apenas em cavalos), teria justificado que estava certo porque não se diz estrebária e sim estrebaria. Maldade em cima de um sábio simples e cuja obra de integração física do Paraná é inegável.





