Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Cadáveres no armário
Há a anedota da octogenária que está conversando com uma filha sobre traição conjugal e, como se lembrasse de alguma coisa remota, corre até o sotão e abre o armário: lá estava o esqueleto do seu amante, esquecido há décadas.
Neste governo e especialmente no Banestado, a cada momento, há um esqueleto no armário ou mesmo cadáveres ainda não degradados. Como o estabelecimento é protegido pelo sigilo, o que aliás é uma redundância num governo de caixas-pretas, não é fácil saber das coisas, ainda que quanto mais surpreendentes elas menos espantam, aceitando-se tudo como se essa fosse a normalidade.
Na hora em que se fizer a anatomia do banco ver-se-á que uma cultura está ali implantada, há muito tempo, por força da manipulação política, para proteger interesses os mais chocantes, o velho hábito da parceria com picaretas de gravata, audazes fraudadores ou malandros da fauna dos embotados que fazem da pilhagem a arte da malandragem, botam a mão nos recursos, não pagam os empréstimos e ainda se arvoram em consultores e críticos. Quem sustenta todo esse aparato é a classe política, ela própria devedora e mediadora.
Essa última façanha, a da operação com a Crefisul, cuja situação no meio devia ser amplamente conhecida ou pelo menos suspeitada, que redundou em mais um prejuízo superior a R$ 20 milhões, que somados com as centenas de milhões de casos como os da Leasing e da Corretora, é a prova de que esses bancos estaduais não poderiam deixar de ser uma das prioridades a extinguir na reforma do Estado.
Há muito método nas mancadas e em operações perniciosas, como as feitas com os títulos estaduais e municipais, para que se debite isso à desídia e a um caso de pura incompetência. Trata-se de uma programação diabólica como se o non sense fosse uma expressão da racionalidade, e é visível que muita gente ganhou com isso e, até parece, por uma ação planejada.
Espera-se que, por uma questão de respeito à maioria, que mais perdeu do que ganhou ao trabalhar com o banco na condição de acionista, de correntista ou de funcionário, haja o cerco aos inadimplentes e fraudadores para valer. Essa é uma condição sine qua non do saneamento para a privatização. Se isso não for feito é porque os saneadores também estão comprometidos.
BIZARRICE
Precisamos de um Mister M para mostrar as prestidigitações deste governo repetente (não ficou nem para segunda época e vai pior agora do que nos quatro anos anteriores). Nesta semana, milhares de estudantes e alunos do Colégio Estadual Guatupê fizeram protestos em São José dos Pinhais sobre a falta de carteiras nas salas de aula. E ontem os dirigentes da Fundepar anunciaram a carteira ergonômica, sofisticação distante a quem falta carteira comum. Tão rápida a resposta quanto à ação de um batedor de carteira.
AXIOMA Esse gesto oficial para responder à falta de carteiras nas salas de aula é uma preocupação do governo com o ato de sentar. E cá entre nós, nunca tanta gente sentou ao mesmo tempo como os paranaenses.
GLOSA Rubinho Ferreira ficou impressionado com a euforia de prefeitos no Curitiba Palace Hotel. Investigou a causa e descobriu: eles acham que a vice Emília Belinati pode lhes abrir a caixa forte, logo que assumir. Acontece que ela não está por aí e houve tanto abuso que a arca restou vazia.
LEI SECA Com o fechamento de bares clandestinos, vai ser incrementado o pior tipo de bebum, o doméstico, o caseiro. Sobra para a cara metade e, de certa forma, para a Delegacia da Mulher ou a de Plantão. A violência sai da rua e vai para dentro de casa. Negócios clandestinos do poder continuam livres.
FILIGRANA Desde ontem o legislativo estadual está em recesso: antecipação da Páscoa. Bem que poderiam antecipar o fim dos próprios mandatos.
ARQUEOLOGIA Brizola na televisão a fazer o mesmo discurso de 45 anos atrás é a mesma coisa que Ramsés aparecer agora para os egípcios.
SPRAY Voltou com toda a força a doutrina criminal dos substitutivos penais de Ferri com essa decisão da polícia e da prefeitura de fechar os bares clandestinos da cidade. Se o álcool é a causa dos crimes (de 1º de janeiro até agora o dado aparece em 64,7% dos homicídios), a idéia procede.- Há quase 10 mil butecos em Curitiba e nesses locais foi constatada a presença de marginais do narcotráfico, do comércio de armas e do crime organizado. Objetivo é levar, em seguida, o programa fecha bar a mais 15 grandes cidades.- Elogio em boca própria é vitupério: a Master mandou um release aos jornais elogiando o anúncio (muito bom, por sinal) que ela produziu para a prefeitura, no qual aparece o Oscar, o craque do basquete, errando o lance do lixo ao cesto e observado por um senhor que aquilo não é coisa de curitibano. A propósito, já limparam as cercanias do IPPUC?- Por falar em lixo: depois de esgotado o aterro sanitário da Caximba, qual vai ser a próxima cidade do interior a conviver com o problema? Nesse ponto, o vereador Jorge Miguel Samek tem razão: decisões metropolitanas não podem ser tomadas a partir do centro e em detrimento da periferia.- Quantos quilos de bagagem Lerner trará da Polônia e França? Bem menos certamente do que os 180 quilos de excesso na vinda de Rafael Greca à Itália, conforme o Relatório Reservado.- Estamos com o governo da caixa preta e do caixa dois: em qual dos dois se encaixa? - FHC de novo por aqui, agora para inaugurar Salto Caxias. Nunca um presidente visitou tantas vezes seguidas o Paraná. Ainda bem que o governador não estava viajando.-
Momento bom esse, lá em Leônidas Marques, para deflagrar movimento contra a privatização da Copel.- Em Curitiba, outra vez, o engenheiro e planejador Eduardo José Daros, presidente da Associação Brasileira de Pedestres. Está com um projeto de Manual do Pedestre e falou sobre isso, ontem, na Rádio CBN e com o desembargador Valeixo.-
FOLCLORE O histórico dos irmãos Oliveira, que botaram o Paraná no ranking da criminalidade com o sequestro de Wellington, traz aquele clichê de psicologia barata de que a origem de tudo, da carreira criminosa inclusive, estaria numa violência cometida contra o pai. Arquétipo que aparece em Billy the Kid e em tantos outros. Lembro, de uma vez, do professor de Medicina João Xavier Viana irritado com esses excessos: Só falta agora vocês me dizerem que o Tom Mix era homossexual para destruir meus sonhos de infância.
CROMO O Louva a Deus tem aquela atitude até quando ama. Portanto não se trata, como imagina o populário, de alguma reverência ao Criador.
AFORÍSTICO O ministro dos Transportes é um sábio: viajando em helicóptero evita pagar o pedágio. Fiquemos por aqui, senão o governo imagina a cobrança.





