Luiz Geraldo Mazza
Uma festa multifacetada
De todo o tititi produzido pela festa dos 20 anos do Indústria & Comércio, nada excede o fato de que Ney Braga bateu todos os recordes em aplausos na relação de homenageados, como Richa, Álvaro Dias, Jayme Canet e tantos outros. E não se trata apenas de homenagem a quem está afastado da política e por essa razão ganha indulgências plenárias de possíveis adversários. Ocorre que é a raiz de toda a liderança moderna do Paraná, inclusive a da oposição.
Extraído o aspecto colunável, no sentido de oba-oba, de promoções dessa natureza, que foram sadiamente checadas pela irreverência de Jô Soares e que mexeram com as suscetibilidades dos mais sensitivos (piadas com palavrões e que constrangeram o arcebispo metropolitano e a vice-governadora, mas que soaram como uma suavidade diante da fala de Delfim Netto sobre o Bamerindus, também na esteira das comemorações dos 20 anos do jornal), a demonstração de apreço a Ney Braga é o estuário de um sentimento comum.
Os melhores quadros de situação e oposição no Paraná derivam justamente dessa fonte, incluindo a maior liderança hoje disponível, Lerner, que por seu turno acabou criando também o seu clã que, por isso mesmo, revela melhores condições para o novo salto em nossa economia com as montadoras e o aparato industrial que marcará o nosso perfil na abertura do terceiro milênio.
Ney Braga foi o genuíno deflagrador da reforma estrutural que preparou o Paraná para sair da dependência do ciclo cafeeiro que se esgotava; Lerner tem tudo para figurar não apenas como o consolidador da unidade cultural, mas como aquele que abre o Estado para as exigências mutantes da globalização e dos seus efeitos bons e, especialmente, os perversos.
Por haver dado prioridade ao economicismo (razões de infra-estrutura se sobrepondo às sociais, aí a razão de nossa defasagem em relação aos gaúchos e aos catarinenses nesse aspecto), Ney não pôde cumprir o que os estrategistas, que seguiam a doutrina do padre Lebret, pretendiam para um desenvolvimento econômico harmônico. Lerner corre idêntico risco, hoje agravado pelo modismo neoliberal da destruição do welfare state (Estado do Bem-Estar), que a direita, no furor da baba, quer impor ao mundo inteiro.
Já que a esquerda perdeu o discurso ao ponto de recorrer nostalgicamente até ao Keynes, pegaria muito bem rever o que o padre Lebret falou sobre essa compatibilização do econômico ao social, não como dicotomia e sim como síntese dialética no mais rigoroso dos sentidos, como resposta ao ceticismo militante.
BIZARRICE - Além do constrangimento provocado por brincadeiras com o ex-ministro Borges da Silveira, Jô Soares, em parte irritado com o atraso do seu show, tirou sarro também do Carvalhinho, dizendo que ele tinha tudo para ir longe, uma sutil referência ao tamanho do discurso do vice-prefeito. A partir de agora, quando houver promoção com o Jô Soares, os convidados vão fazer questão de ficar o mais distante possível do local da apresentação. Teve momentos hilários as cutucadas nos presentes, que de certa forma lembraram o palhaço Chic-Chic, que xingava a mãe dos que o chamavam de careca, com um movimento labial definitivo.
SPRAY - Nada como o non sense nosso de cada dia: um médico que comprou AZT, com dinheiro de doação, para atender pacientes de Aids em hospital público, está sendo processado pela Fundação Caetano Munhoz da Rocha sob o fundamento de que as drogas vinham de fora. - Furor fisiológico por espaços na gestão de Cássio Taniguchi chega ser anedótico: o movimento PFL 80 mil, parâmetro superado em votos na última eleição, que reúne vereadores eleitos e suplentes, se engalfinha nessa luta. Líder dos suplentes se atritou com um protegido do grupo de Stephanes, o filho. - Anteontem, no Centro de Eventos de Pato Branco, diante de uma assistência de 300 professores, o orientador Manoel Karam, da tal Universidade de Faxinal do Céu, disse que não estava ali para mostrar a sua beleza e a dos seus bíceps, mas o engajamento num processo de renovação. Reação foi negativa. Um pouco mais de cautela nessa área, bombardeada por algumas resistências ideológicas (mercantilização, desumanização, lavagem cerebral no padrão empresarial) não seria demasiado. - Polícia Militar, através dos seus comandos, recebeu como um impacto a destituição do coronel Bortolini do Comando da Capital. Pode pintar um manifesto para mostrar que essas demonstrações de fragilidade do governo atingem a coesão da tropa. - O deputado federal padre Roque Zimmermann fala amanhã sobre As novas relações entre igreja e sociedade, no santuário de Nossa Senhora de Salette (rua Lange de Morretes, 19, Jardim Social), às 20 horas, em promoção da Fundação Nossa Senhora de Salette. - Unimed não foi afetada pela repercussão dos episódios com Manoel de Almeida Neto, ex-secretário de Saúde de Álvaro Dias, absolvido pelo Órgão Especial do TJ. Quem pegou no pé do ex-secretário foi o TC da União e a CPI na Assembléia foi brecada pela maioria, quando o Doutor Rosinha tentou prorrogá-la.
FOLCLORE - O vereador Jorge Samek está pedindo para que o prefeito Rafael Greca mostre onde estão as 6 mil obras que diz ter realizado. Está oferecendo para o burgomestre algo mais forte do que a cassação do Requião em termos de promoção política: dá para imaginar Rafael e Margarita numa novela, do tipo Mil e Uma Noites, narrando, a cada dia, com direito a merchandising, todas as obrinhas e obrões. Já estou vendo a tenda, os véus, os arabescos.





