Luiz Geraldo Mazza
Coisas da antropologia
Diz-se que o Brasil tem mais antropólogos do que índios, o que parece versão moderada daquela charge em torno das ONGS, das quais se diz que as que tratam de crianças de rua são mais numerosas do que os possíveis assistidos. Como toda a caricatura ela acaba tendo um sentido pedagógico. Não dá para confundir o Terena, um índio com PHD, com o acariocado Juruna, que virou deputado e que andava por esse Paraná com o José Domingos Scarpellini a tiracolo. Ambos, no entanto, embora a seriedade de um e malemolência do outro, aculturados, isso porque silvícola com a camisa do Mengo é tudo, menos índio. Não fosse o sangue e o que ainda resta de cultura ancestral, seria equivalente aos Apinagés, um bloco de falsos índios que não perde carnaval de Antonina.
A troco de quê esse papo desgarrado: vi, neste jornal, alguns antropólogos da região norte colocarem em dúvida o trabalho de mestres, que os precederam pelo menos aqui no Paraná, nessa ciência do homem, sobre trabalhos de campo para a Copel e em função de apropriação de áreas para hidrelétricas em que há remanescentes indígenas. É preciso dar uma idéia a essas pessoas sobre a memória dessa ciência em nosso Estado e que tem justamente em pessoas como Maria Cecília Vieira Helm, que sucedeu na cátedra o mestre Loureiro Fernandes (que estava presente na missão de contacto com os xetás nos anos 50) e o velho e idealista Oldemar Blasi, que, com paciência de Jó, tentou a sua vida inteira remover a indiferença das autoridades centrais sobre temas da área arqueológica, brigando pela manutenção dos sambaquis no litoral para esses trabalhos e também sobre as reduções jesuíticas como as de Ciudad Real del Guairá, em Terra Roxa, a de Vila Rica do Espírito Santo, em Fênix, a de Santo Inácio Mini etc.
De qualquer forma, toda contestação é saudável, desde que haja respeito apropriado à comunidade científica. O que não vale é a busca do impossível como muitos da área ambientalista agem a qualquer atuação em cima de usinas hidrelétricas, térmicas, e não oferecem alternativas, como se pertencessem a outra galáxia e como se o homem, em qualquer medida, não fosse um predador, incluindo os indígenas que só se salvam pela escala da exploração, mas que também tinham artefatos e técnicas devastadoras como a do uso do timbó, cipó tóxico para matar peixes. Muitas dessas preocupações em cima de hábitos das tribos aparecem nas ordenações filipinas e manoelinas tratando de normas de respeito ao meio ambiente.
Como em política, a regra da utopia é aproximar o possível do desejável. E isso se dá nas questões antropológicas. Os xetás desapareceram com a onda cafeeira que chegou aos seus redutos. Muitos dos índios brasileiros, daqui como da Amazônia, se mostram predadores, como se vê aqui em transações em cima do pinheiro e lá, no mercado do mogno. E às vezes eles dão lições até mesmo de participação, como aqueles que derrubaram as torres da Eletronorte para que o governo fizesse a demarcação das suas terras. Ou o ato comovente dos pataxós pedindo justiça em Brasília contra os playboys da burguesia.


BIZARRICE
Com essa onda contra cães bravios, que tomou conta da mídia, foi para o saco aquele princípio do jornalismo (ianque, na origem), que só dava como notícia o caso de uma pessoa que mordesse um cão e nunca o contrário.



AXIOMA Anedota futebolística da praça: o Ibama teria multado o Atlético porque está acabando com o verde dos coxas. A esperança desses é que hoje fique tudo azul no Alto da Glória com a vitória do Cruzeiro na Taça Brasil.
GLOSA Al Capone baixou numa sessão espírita e precisou da convocação do próprio Freud: estava arrasadíssimo com as formas invisíveis de máfias que o superavam facilmente e sem chamar a atenção.
FILIGRANA O Viagra é tão eficaz que ao cair numa biblioteca transforma, de saída, toda brochura em encadernação.
EPIGRAMA No desfile de protesto, em São Paulo, de criadores de Pit Bull ficou visível que os donos é que modelam o comportamento dos cães e que estes são menos perigosos do que aqueles que os conduzem.
SPRAY Sérgio Butka, líder metalúrgico, da Força Sindical, aspira ser aspirante à prefeitura de São José dos Pinhais. Muda-se para lá de mala e cuia. Cada povo tem o metalúrgico que merece: havia o Mimi, do filme clássico, e de todos o mais famoso no Brasil é o Lula, há muito tempo fora da fresa e perto da frisa.- Como era fácil esperar, o senador Requião foi ontem à tribuna da Câmara Alta para dar solidariedade a ACM em sua guerra contra o Judiciário e relatando o absurdo de sua última condenação no Paraná por causa do 13º.- Um dos pareceres juntados para enriquecer a doutrina sobre o assunto foi o do conselheiro Nestor Baptista que nega ao agente público, que não se confunde com servidor, o direito à gratificação natalina.- Curiosidade: o autor da ação popular era um guerreiro requianista, Edson Feltrin, que ao lado de Lineu Tomas, derrubou a articulação de Richa na convenção do PMDB, em 85, para levar Amadeu Geara à candidatura prefeitural. Detalhe: Nestor foi líder de Requião no legislativo, mas o parecer se referia ao recebimento por parte de prefeitos e vereadores.- Como Lerner vai estar na Polônia, e depois na França, Cassio Taniguchi, prefeito de Curitiba, acompanha o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, à Curitiba-Garuva e depois, na estrada da Ribeira, para o andamento das obras e a ponte que liga Adrianópolis à Ribeira.- Dois mastros de bandeira teriam custado a bagatela de R$ 80 mil em Araucária.- Em Curitiba, imaginem, um procurador fiscal do município assinou um recibo provisório e o pessoal do Tribunal de Contas o analisa como se fosse um ET, tal a novidade.- Outra muito cabeluda é uma tal conta 999 com saldo de R$ 656 mil e 690 que está exigindo até a presença de um criptólogo para decifrá-la.- Querem mudar o foco das investigações sobre a Leasing: esclareça-se que o secretário da Fazenda da época era Miguel Salomão, e com isso coordenava todo sistema financeiro e, da mesma forma, foi por ele e sob seu comando que se desbaratou a gangue dos 60% do ICMS. Dele e do Neco Garcia na presidência do Banestado, porque este aparece nos dois casos.- A ‘‘Gazeta do Povo’’ está certa: não colocar a Universidade Federal do Paraná como símbolo de Curitiba é render-se aos ícones do lernerismo como os seis que foram alinhados. A cidade pré-existe à lavagem cerebral.- A tuberculose cresce e a UFPR quer fechar o Núcleo Profilático.-
FOLCLORE Heinz Hervig foi à Assembléia falar sobre o pedágio. Enrolou o que deu pra enrolar, já que o autor de toda a confusão, o enrolador-mor, vai viajar e assim fugir do pedágio e das desocupações de terras.
CROMO O peixe espada tem ânsia de estrelas, daí o pescarem com bóia luminosa.
AFORÍSTICO Haverá tédio maior do que acompanhar a rotina da política?

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