Luiz Geraldo Mazza
A impressão digital
Da mesma forma que a Tiazinha é inconcebível sem a máscara e o chicote, ressalvado o principal, já que as referências são acessórias, pode-se dizer que o governo paranaense teria a melhor das marcas com uma impressão digital. Sabido é que se trata de algo original, ainda que bastante comum e chave até como fator identificatório. Nunca se fez tantas coisas de forma aberta na história do Paraná como agora. Ninguém se espanta em ver no jornal que os franceses não só participam como dirigem a parte operacional da Sanepar como também não se assusta com a fúria da venda de outros ativos públicos e até do maior de todos, orgulho do processo civilizatório recente, a Copel.
O carnaval da Leasing, cujo prejuízo ainda não foi ao todo estimado, está aí para demonstrar que não se trata de nada atípico, mas algo que detém coerência profunda com o sistema e a doutrina dominante. Até hoje ninguém cogitou de uma investigação mínima nos Jogos Mundiais da Natureza e que se feita escancarará, uma vez mais, outro portal de irregularidades. Quanto foi gasto na promoção e que garantias temos de que vale a pena mantê-la? Se não se sabe o prejuízo acumulado, que não foi pequeno, diante dos resultados tão pífios, por que não ir fundo nessa investigação?
O PT, quixotescamente, tenta montar uma CPI sobre essa vergonheira que é a jogada do pedágio e a farsa da baixa temporária das tarifas e encontra a maior dificuldade em obter assinaturas para instituí-la. Como a esmagadora maioria dos deputados já se revelou comprometida, ao ponto de pleitear o aumento, com um açodamento que ficou próximo da histeria, e o governador apenas murmura, há a certeza de que o reajuste virá, criando uma bola de neve que certamente foi desconsiderada nesse estudo otimista da Arthur Andersen Consultoria e que fixa um cenário de ‘‘ilha’’ em relação ao resto do Brasil. Dá para imaginar que o impacto inicial, de cerca de 20% nos fretes, provocará uma reação em cadeia de inimagináveis consequências.
Em que argumentos misteriosos se agarrará o governo para justificar gastos de R$ 500 milhões em propaganda em apenas quatro anos? Não estará aí, como no caso da Leasing e da Corretora, com a compra dos títulos podres, um dos fios da meada e que definiriam tudo como um autenticidade orgânica do sistema?
A impressão digital é também uma tatuagem, daquelas irremovíveis: quem ganha com a desparanização de nossa economia? Seriam apenas as multinacionais ou teríamos outros usufrutuários? Como tudo é dado como normal, não há o que responder e muito menos a esperar.


BIZARRICE
O deputado Péricles de Holleben Mello diz que houve superfaturamento de até três vezes nos preços praticados pelas concessionárias do pedágio. Cita recomposição das cercas (299%) e das placas de sinalização (267%). Por isso é que o motorista, ao chegar na praça de pedágio deve, como já disse, colocar as mãos ao alto como quem está sendo assaltado. O gestual é educativo.



AXIOMA O gesto das mãos ao alto pode ser usado nas próximas campanhas eleitorais da mesma forma que o Adhemar de Barros fazia com o polegar da mão direita para cima. Assim que o candidato pefelista se aproxima as pessoas colocam as mãos ao alto. Menos ruim do que a saudação nazista, compatível também com o ambiente.
GLOSA Fica-se aí a pensar em medidas contra as mordidas de cães ferozes e, de repente, se percebe que é bem maior a margem de risco que se corre, vejam só, com a simples ingestão de cachorro-quente.
EPIGRAMA Boa aquela de ontem do Macaco Simão na ‘‘Folha de S.Paulo’’: o jeito de o Pit Bull fugir da castração é travestir-se de Tiazinha.
SILOGISMO O bobo da corte regional é manjado. E o da federal quem é?
SPRAY Será que no Lerner 2, o Espanto, teremos solução para os problemas do Lerner 1? A justiça mandou ver as contas pessoais do ex-diretor da Leasing com a correspondente quebra do sigilo.- Se o Ministério Público, em todos os níveis, cumprir o seu papel, o segundo governo, que foi apontado como uma correção de rumos do primeiro, vai facilitar o seu efetivo julgamento.- Até hoje não veio a resposta à interpelação do jornalista Abdo Aref Kudri, do sindicato de jornais e revistas, para os gastos com propaganda.- Dá para imaginar o que está por vir com a aceleração dos negócios de privatização, o saneamento do Banestado etc.- Nada disso seria preciso se o legislativo não fosse tão passivo e cúmplice. Tanto é que vai fingir rebelião com os últimos vetos de Lerner e depois vem aquela resignação solene, já de todos conhecida.- No caso da ParanaPrevidência, a despeito da alegada racionalidade da proposta, o governo está sendo acusado, pelo conjunto das entidades sindicais, de açodado, por haver imposto a aprovação nos últimos dias de 98 e agora estar propondo mudanças. Uma carta aberta a esse respeito foi enviada aos deputados.- Bronca das entidades começa com o caráter privado da instituição para a previdência básica e única, passando pela gestão, que desejam paritária, motivo pelo qual não aceitam a composição dos conselhos como está posta.- Se continuar assim, vamos ter um repeteco do sucedido com Requião, que dramatizou a criação do Fundão e depois o fez novamente na hora de extinguí-lo.- Diz-se à boca pequena em áreas do sudoeste que uma promotora se mandou da região por medo da gangue da polícia. O que parece ficção às vezes tem assento real.- O sudoeste vai viver novos momentos de glória na inauguração da hidrelétrica de Salto Caxias, no dia 26, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O PT, que tem alguma força na região (em Dois Vizinhos, especialmente), programa hostilidades com aquela habitual falta de originalidade.- Estouro de tanques e áreas de criação de peixes exóticos explica o surgimento de espécimes como o bagre africano, o pacu tanto no rio Iguaçu como no Negro. Também acidentes dessa ordem constituem o fundamento da presença da truta arco-íris no rio Cachoeira.- FOLCLORE ‘‘Se é para o bem do povo e felicidade geral da Nação, diga ao povo que fico’’. É a frase do D. Pedro que Lerner jamais poderia pronunciar, ainda que reeleito. Ele mais vai do que fica. O jacaré fica, mas ele vai de novo, agora para a Polônia.
CROMO Quando tudo sabe a fel, não é possível redescobrir a doçura: a memória do gosto e do odor permeia a literatura sensorial de Marcel Proust.
AFORÍSTICO Como já disseram que o charco era uma das características de Curitiba, e a despeito de toda obra de drenagem e urbanização, os batráquios ainda orquestrarem as nossas noites, por que não eleger o sapo da Budweiser como o símbolo mais forte na campanha do Itaú e da Prefeitura?

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