Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Recuo ainda insuficiente
Os deputados, percebendo a reação generalizada da opinião pública contra a compra de carros importados, recuaram e decidiram abastecer-se de veículos (será que eles são mesmo necessários nessa variedade, três para cada um, alguns até com mais?) produzidos aqui mesmo. Não chega a ser uma purgação de culpas e nem uma penitência, mas o gesto merece elogio.
Se o legislativo está disposto mesmo a ficar em sintonia fina com o clamor da sociedade, que deveria ser um ritual de rotina, urge uma revisão, o quanto antes, na posição engajada, assumida pela maioria, de pleitear, com açodamento incrível, o reajuste do pedágio. Isso é bem mais grave do que o caso dos carros importados, posto que para o nosso tipo de moralismo o ícone máximo da sociedade tenha todas as precedências.
Lerner vai criar uma comissão para opinar sobre o assunto e tentar partilhar o lado oneroso da causa com Emília Belinati, para quem já tinha, em ocasião anterior, reservado o despejo dos sem-terra. Emília, embora mais delicada e educada que o marido, é suficientemente sensível e inteligente para não embarcar nessa canoa mal calafetada. Essa viagem à Polônia pode levar ao pleito para que Emília pague esse vale-pedágio em favor do governador.
Senadores do PSDB, os irmãos Álvaro e Osmar, poderiam entrar na causa com o precedente de, no tempo certo, haverem se manifestado contra o pedágio, e, se o fizessem, estariam simplesmente ratificando a posição anterior. Ganhariam os créditos, daí resultantes e com todo o merecimento.
Se o sonho do carro importado ficou para depois, poderiam zelar pelo sono do paranaense, evitando a imposição do pior dos pesadelos: o de pagar dobrado por uma responsabilidade originariamente do Estado através do vitaminado pedágio.
AXIOMA
Falemos sério: pelo que está acontecendo por aí não estará na hora de beatificarmos Moysés Lupion?
BIZARRICE A Electrolux sai do Paraná e vai pra São Paulo. Já desempregou bastante e agora o seu comando estratégico vai pra São Paulo, como já se deu com o HSBC Bamerindus. Só um detalhe: as duas eram do Paraná, sustentadas pela poupança interna, e a Refripar foi respaldada, em todos os estágios de desenvolvimento, em capital fixo e variável, pela Codepar-Badep. Trazemos as multinacionais, com mil benesses, e perdemos as nossas empresas. Genial!
Dá para comparar nosso governador com Alexandre ou César. Só que com ele, enquanto o Paraná cresce, as empresas paranaenses dançam.
GLOSA Banco Itaú e a Prefeitura lançam hoje a campanha Eleja Curitiba e buscam um ícone, uma referência que a defina. A cidade se descaracterizou de tal forma nos últimos 30 anos que o que era cartão postal volatilizou-se como a praça Tiradentes, a praça Osório, o Passeio Público. O que é badalado, a serviço de uma ideologia, é kitsch como a Ópera de Arame, o Botânico, o Farol do Saber, o cemitério com ar de café-concerto, as estações entubadoras. Como dizia o cronista esportivo, os europeus plagiam Lerner há 500 anos.
EPIGRAMA Estudávamos a campanha na Gália na aula de Latim ,De Bello Galico, narrativa genial da geopolítica dos tempos clássicos. Aí um aluno foi traduzir o complemento circunstancial de lugar in aperto loco que significa num lugar aberto em que as tropas estavam bivaqueadas. Tradução, num aperto louco. O professor João Mazzarotto, duríssimo, da pedagogia antiga, com a mania de chamar alunos de tongos e tongas ou atirar-lhes o apagador de giz, riu, mostrando senso de humor: A tradução não está inteiramente incorreta, pois militarmente quem se expõe em lugar aberto, nas faldas da montanha, está, de fato, num aperto louco. E foi uma das únicas risadas do mestre, de quem quando me lembro ouço imediatamente a ladainha rosa-rosae-rosae-rosam-rosa-rosa da primeira declinação ou a algaravia dos pronomes em forma de verso qui-quae-quod-cujus-cui-quem-quam e assim por diante, como se fôssemos os gansos do Capitólio ao grasnar sem fim.
SPRAY Já há um núcleo de resistência à tese da compra do mausoléu Pinheirão pelo governo. Um bom começo. Aliás, seria uma leviandade.- Começam a aparecer os nomes de socialites picaretas que tomaram dinheiro da Leasing. O pior é que os companheiros de roda dos citados elogiam os inadimplentes pela jogada. É o tipo de moral que o cenário atual comporta. E quem chia eles sentenciam: É inveja, nada mais.- Governo reage à idéia de devolver a Ponta Grossa o Parque de Vila Velha. Não pode e não deve. Aliás, essa interação entre uma área de pesquisas agrostológicas (pastos) e de outras especialidades agronômicas é um tanto quanto incompatível com o turismo, sob qualquer aspecto.- Ratinho estava, sábado pela manhã, no Curitiba Palace Hotel, quando recebeu telefonema de Goiânia, dos irmãos Zezé de Camargo e Luciano, para que servisse de mediador com os sequestradores de Wellington. Ratinho, que entende de ratoeira, desconversou. E foi beliscar seu queijinho com os amigos.- Outra do Ratinho: desolado com a tristeza que tem percebido no interior paranaense, sugeriu ao secretário de Esportes e Turismo, Ney Leprevost, um torneio de futebol de salão abrangendo todas as regiões. Propõe ainda que as cidades vencedoras recebam uma ambulância, cuja doação ele obteria em São Paulo. Figuraço.- Causou muito boa impressão, no café da manhã da Academia Paranaense de Letras, a secretária Alcyone Saliba, da Educação. Com aguda visão de processo, pediu à instituição que mostrasse a forma de inserir nos currículos o estudo sistemático de história e geografia do Paraná e deu como especialista em cartografia algumas idéias a partir das quais se montaria um pacote.- Valdir Córdova Bicudo está diariamente de segunda a sexta no Canal 20, da NET, com o seu A hora da bola, das 20h30 às 21h30. No domingo, das 19 às 21.- Pedro Eloi Rech, ex-dirigente da APP-Sindicato, teve notas máximas na USP na tese feita sobre Faxinal do Céu. Crítica básica: opera sobre o emocional das professoras e não sobre o racional. Esclareça-se que a secretária Alcyone Saliba, da Educação, que botar mais realismo naqueles seminários. Disse isso ontem para o pessoal da Academia Paranaense de Letras. É sinal de mudança.-
FOLCLORE Ontem, fim da tarde azulada, outonal, um assessor palaciano olhou o horizonte e, com os olhos lacrimosos, e muita emoção, observou o cenário como se se tratasse de mais uma obra do seu governador. Muita gente pensa assim.
AFORÍSTICO - Excelência, chegou a comissão de empreiteiros...
- Pode botá-la embaixo da porta do meu gabinete.





