Luiz Geraldo Mazza
Nesta semana um momento culminante do agito oposicionista na Assembléia: Aníbal Khury, que nessas horas lembra o general cartaginês, aquele montado em elefante, transformou um pedido de CPI (caso Banestado) em convocação para audiência secreta dos diretores do banco. Política é íntima da fantasia e da prestidigitação, tal qual David Cooperfield no Fantástico ou qualquer ator de mambembe com cartas de baralho ou extraindo coelhos de cartola. Não tem, é claro, a medida mística do milagre de Jesus com a multiplicação do vinho e dos pães por ser prosaica e amarrada ao visgo da realidade pecaminosa.
Para o bem de todos entendi que duas CPIs deveriam ser feitas: uma em cima dos fatos atuais do Banestado e do governo e outra (pois afinal é sério demais saber dos fundamentos de cassação de um senador) que investigasse simplesmente aquilo que está arrolado no processo que levou o TRE a impugnar o mandato de Requião. É inconcebível que tanto num como noutro caso o poder político por excelência se ausente de ambas as investigações.
Seria uma solução de sabedoria e com o sentido da balança da justiça, servindo também para uma autocrítica do próprio poder, pela circunstância de, pecaminosamente, desviar-se da verdade essencial para simplesmente dar cobertura a quem está no poder. Como de resto ocorreu nessa decisão de abortar a CPI e restringir as informações, a pretexto de proteger o sigilo, para não prejudicar a imagem do Banco, como se fosse possível mais essa prestidigitação acintosa, já que da investigação senatorial não escapará de forma alguma. E com a máxima cobertura, o que conferirá ao nosso parlamento a cumplicidade sistêmica com o mandante de plantão. Aqui, já o disse e repito, se houvesse algo como no caso Collor, até pela passividade dos meios de comunicação, não teríamos passeatas de caras pintadas e o ditador de opereta persistiria deitando e rolando. Tal qual Requião ou Lerner.
Enquanto a caixa preta for a regra (vide o que ocorreu com as diárias frias sob Requião, as questões de saúde com Álvaro Dias, as do Banco del Paraguai com Richa, isso para não falar no massacre de Campo Bonito que coloca mal a justiça, pois houve quatro mortes e o processo não caminhou) estaremos muito mal em termos de cidadania.
BIZARRICE - Quando o ministro Sérgio Motta abraçou Lerner no almoço oferecido a Jacques Chirac a cabeça de alguns tucanos começou a ferver, uma vez que a rosa do PDT poderia ser substituída pela urtiga do ministro numa simbiose vegetal. E os especuladores imediatamente imaginaram a troca do socialismo moreno pelo neoliberal de FHC. Por falar em socialismo, numa entrevista ao Folhetim da Folha de S.Paulo o ex governador Paulo Pimentel se disse socialista. Não dava para classificá-lo nem na sociedade fabiana de Bernard Shaw.
SPRAY - Operadores tanto da Leasing, quanto da Corretora Banestado no número cabalístico de sete estão distanciados da auditoria nas duas áreas e deverão prestar informações se convocados. - Além do Banestado, mais 74 outros bancos operaram com títulos estaduais. A Corretora teve rentabilidade de 6.9% a 21.67% com títulos que vão de Osasco a Alagoas. O ganho chegou a R$ 22 milhões e 804 mil. - Há pelo menos 40 processos (lei do colarinho branco) contra diretores, funcionários do Banco e ex dirigentes bem como empresários em andamento. - O governo diz-se empenhado em clarear tudo, mas se comunica muito mal e dá a impressão, diante das provocações e insinuações de Requião, de que deseja esconder as coisas. Se os seus dirigentes do banco dominarem tecnicamente o problema das respectivas áreas os deputados inquiridores vão levar um baile. Daí a estranheza de preferirem conversa fechada em lugar do enfrentamento, que seria mais saudável. - Banestado é historicamente uma área explosiva por causa da política. Canet pediu demissão no governo Pimentel sob a alegação de que pretendiam obrigá-lo a uma operação que beneficiava os Lunardelli e o governador deu o repique nomeando o Manfredini, do Banco Central, para a presidência. - Na gestão Lupion o Lamounier, do Banco do Brasil, assumiu a presidência por causa das denúncias e a despeito do seu trabalho (andou aceitando terras litigiosas, o que aconteceu várias vezes, como garantia de empréstimos) técnico era chamado de Lamumunha, tudo porque a política é terrível no ataque como vimos com Álvaro Dias acusando Richa no caso do del Parana e dos cisnes negros, muita onda que deu em nada.
FOLCLORE - A justiça, como já divulguei, deu ganho de causa, em primeira instância, aos vereadores que acionaram a Fundação Rádio e Televisão Educativa que por ordem do ex-governador Requião colocou no ar com o título Ligações Perigosas (título do romance de Choderlo Laclos) a ida e volta de vereadores na sede do sindicato dos ônibus. Agora o governo entra com ação regressiva contra Requião para que pague do próprio bolso o estrago: só de indenização R$ 1 milhão e 200 mil, sem falar em custas e honorários. Ao ingressar no PDT, Mário Celso Cunha se referiu ao fato. Na verdade a divulgação visava prejudicar Mário que disputava com Horácio Rodrigues a presidência da Casa e que ganhou com apoio do grupo Pro Cidade, que elegeu também Iris Simões e agora João Cláudio Derosso, um dos beneficiários da decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública. O mundo dá volta, as empresas de transportes estão quebradas em maioria e o grupo Gulin caminha para o monopólio, pois seu domínio atinge mais de 50% do sistema com o filé minhon do eixo norte-sul, o mais rentável.
AFORÍSTICO - A poesia perde para a economia quando a Sanepar tenta explorar até olho dágua e a Copel a luzinha dos pirilampos. Coisas de um tempo cínico.





