Luiz Geraldo Mazza
Têm sido eloquentes os sinais desagregadores no interior do governo Lerner. No começo tivemos aquela ponte elevadiça de castelo medieval que se armou no Palácio Iguaçu com um triunvirato de secretários mais próximos oposto à classe política de modo particular. De herói da primeira façanha na área de segurança pelo episódio de Marechal Cândido Rondon, o coronel Bortolini se transforma em vilão e é derrubado do Comando do Policiamento da Capital em manobra da dupla Aníbal Khury e Ricardo Chab. Dá para pinçar dezenas de eventos do gênero.
Agora, às vésperas de uma crise mais séria e obviamente induzida em função da CPI dos títulos estaduais, quando os laços de coesão deveriam ser mantidos, percebe-se o esgarçar do tecido solidário, clânico, que deveria prevalecer. A notícia de que o presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, teria mantido contacto com o senador Roberto Requião, porque este lhe deixara recado na secretária eletrônica, é um ato de extrema ingenuidade. Mesmo que tenha dito coisas técnicas e corretas sobre as investigações, ficou refém da versão que o senador fará do assunto com sua tradicional virulência.
Ora, o senador mandou um expediente ao governador do Paraná, em que se dirige a ele como histérico, apresentando uma denúncia contra irregularidades do Banestado que correm, de boca em boca, e que atingem especialmente a Leasing. Essa denúncia é apócrifa e Requião, como se suas mãos tivessem o dom de depurar os objetos em que toca, a legitimou, acatando-a como de boa fonte em aberto desafio ao perplexo governador.
Diga-se, a propósito, que o hábito da carta anônima se consolidou com os governos de oposição de Richa para cá e como decorrência das disputas de espaços daquela frente coração de mãe que era o PMDB, onde conviviam supostos guerrilheiros com colegas da Ku-Klux-Klan. Algumas pessoas se esmeraram nessa arte e a carta referida, a relativa aos problemas do Banestado, é amadorística diante de algumas que traziam até o codinome de Igor Lechov que suscitavam questões sórdidas da intimidade familiar.
Bem no seu estilo, no bilhete que capeia a carta anônima, o senador Requião vai fundo na provocação e sugere que se Lerner não tomar providência ele é que acabará vestindo o tal pijama zebrado a que se referiu. Como o governo é fraco e tem mais inimigos internos, pela burrice ou a puxação de saco, do que externos, percebe-se que corre o risco de ruir com as provocações de um senador.
BIZARRICE - Consta que pessoas ligadas ao ex-prefeito Rafael Greca, aborrecidas com matéria considerada crítica demais da revista Paraná & Cia procuraram o pessoal do Boticário, um dos anunciantes da publicação, para que houvesse reprimenda. A empresa não aceitou porque isso aí não cheiraria bem, nem que se usasse toda a variedade de fragrâncias.
SPRAY - PMDB regional, revitalizado com as ações de Requião na CPI, reuniu ontem centenas de vereadores do partido por obra e graça do Instituto Pedroso Horta, instância doutrinária do partido comandada por Maurício Fruet. - Um trabalho interessante foi desenvolvido para mostrar que a decantada vantagem que o Paraná levou na atração das montadoras com a sua infra-estrutura econômica se deve também às gestões peemedebistas de Richa, Álvaro Dias e Requião, todos com ênfase no campo rodoviário e até ferroviário. Justíssimo, não há como contestá-lo. Governo é continuidade, embora não necessariamente continuísmo. - Se com os shoppings de Curitiba há riscos de deseconomia pelo excesso de uma competição ruinosa, a hipótese de se dar o mesmo com os investimentos na área do lazer é cada vez mais forte. Curitiba tem o hábito do contágio à cada onda como se viu quando da mania dos tobogãs: no Rio e São Paulo havia três e aqui tivemos dois de uma vez só. - Dentre os investimentos temos o da antiga estação ferroviária, um complexo com mix variado de atrações, o do grupo Mehl mais arrojado ainda e o de Beto Carrero no espaço pertencente ao Paraná Clube. - Denúncia de que um diretor do Banestado montou uma rede de venda de tapetes é o bochicho mais recente na praça. Se houver tapete voador, como existe cheque com essa característica, a situação fica anedótica. - Próximos cursos do Senac: marketing para pequenas e médias empresas e leasing, ambas de 17 a 21 deste mês das 19 às 22 horas; empregabilidade (como garantir-se no mercado de trabalho) de 17 a 19 das 19 às 22 horas; chefia e liderança de 17 a 25 das 19 às 22 horas; informática de 17 de março a 14 de abril das 19 às 22 horas. - Operações de reparo no petit pavê em Curitiba espantam pela má qualidade, ausência de nivelamento. Só há uma saída: trazer calceteiros portugueses como o Rio de Janeiro fez para cursos nas empreiteiras e aos próprios fiscais da Prefeitura.
FOLCLORE - Cândido Gomes Chagas, dono da Paraná em Páginas, é do bate-rebate. Quando o governo o cercou em matéria de propaganda não teve dúvidas: publicou a foto da irmã de Karlos Rischbieter com uniforme nazista fazendo a saudação tradicional. No IPM dos jornalistas de 1964, na qual estávamos na banca dos réus, ele foi para testemunhar em favor de Edésio Passos e quando menos se esperava apresentou a cópia de um cheque do governo a favor do jornal Ultima Hora. E perguntava com aquele jeitinho só dele: Vocês (membros do Conselho de Guerra aos quais se dirigia) não deveriam ficar perseguindo jornalistas porque trabalhavam naquele jornal, mas saber, isso sim, quem o financiava. Uma paulada nos aliados da revolução (golpe, na verdade) embolou todo o meio de campo.





