Luiz Geraldo Mazza
O signo da caixa preta
Até na área aparentemente sadia, e supostamente inocente, do esporte, há coisas incríveis: o contrato da Calói com o falecido secretário da área era inteiramente desconhecido do titular atual, Ney Leprevost, que vai, pouco a pouco, encontrando cadáveres nos armários. Nosso repórter Marcos Freitas foi quem mostrou uma cópia do acordo desconhecido. Surpresas outras virão.
O sigilo é a marca do governo que tenta controlar a opinião pública pelos veículos domesticados, o que acontece de forma sistemática, não apenas naquele caso paradigmático dos protocolos das montadoras, um segredo de Polichinelo, como também nessas relações inexplicáveis com agências de propaganda e que deve ser a ‘‘chave’’ dos dispêndios abusivos de quase meio milhão de dólares, em pouco mais de quatro anos de gestão.
O mimetismo e a obscuridade - o despiste e a dissimulação no primeiro caso e o sigilo radical no segundo - são a marca do governo. Nunca se soube, por exemplo, o custo-benefício dos Jogos Mundiais da Natureza. Por onde anda aquela Universidade das Américas, tão virtual quanto os feitos lernerianos?
Esperar que o Legislativo cumpra esse papel, que é da sua responsabilidade (e por isso existe seu órgão auxiliar, o Tribunal de Contas), no caso paranaense, é inútil. A Assembléia é uma subversão permanente do seu campo institucional: tem sido uma instância ratificadora de tudo o que o governo pretende e desse jeito jamais se empenharia em mudar o opaco para translúcido e transparente.


AFORÍSTICO
Tudo se privatiza, e por isso é que a fronteira entre o público e o privado é cada vez mais complicada: essas parcerias!



NOVELA A novela do empréstimo ao Banestado cada hora tem um incidente novo: anteontem o Stephanes estava eufórico, mas ontem nem tanto. Até que no fim da tarde veio a confirmação: a grana (títulos) é para depois de amanhã. Com a republicação das barbáries havidas no banco estadual, especialmente as da Leasing e da Corretora, que não são as únicas, já começou a funcionar a visão conspiratória de que haveria interesses políticos, por exemplo, nas matérias do jornal e da TV de Paulo Pimentel.
O governo que vá se habituando porque a crise tem esse lado criativo: o de mostrar fissuras, contradições, nas relações de domínio.
BIZARRICE Muita gente achou coincidência demais o blecaute na hora em que o governador Jaime Lerner, em Londrina, sacou uma frase inspirada sobre a usina termelétrica que pretende implantar para viabilizar o ramal do gasoduto.
Pelo jeito está aprendendo, por osmose, com Belinati, essas trucagens.
Da escuridão pode nascer a luz e também a demagogia.
AXIOMA Dizem que o Ramiro Wahrhaftig se saiu bem diante dos estudantes que protestavam contra a falta de professores da Unioeste em Cascavel. Segundo a oposição, a coisa não foi bem assim: os estudantes o tratavam como Ramiro, não por afetividade ou por parecerem amistosos, e sim pela impossibilidade de soletrar-lhe o nome familiar.
GLOSA Dois deputados, que se esforçam para parecer mais jovens do que são, andam com a mania de corrida de automóvel, originários ambos do kart: Beto Richa e Tony Garcia testam um protótipo da Audi que faz 250 km/h.
A ansiedade é das esposas, mas também, embora com outro sentido, da turma de suplentes.
SPRAY A OAB arquivou a denúncia contra o secretário Giovani Gionédis de prática de advocacia administrativa. Há denúncia igual no Ministério Público, feita pelo advogado Neiva de Macedo, a quem os promotores solicitaram nova documentação. - O jornalista Luis Fernando Fedeger estuda novas formas de enquadramento do que considera tráfico de influência em favor do escritório jurídico da esposa do secretário da Fazenda. - Não é a primeira vez que algum ocupante do governo Lerner é acusado de advogar contra o Estado. - Gionédis tem afirmado, até por escrito, que desde que assumiu a Fazenda não teve mais qualquer participação em advocacia. Ora antes disso foi das secretarias do governo e da Casa Civil e uma das procurações exibidas, a do Consórcio Prosdócimo, é do tempo em que já estava em função, junho de 1995. - São comuns no grupo anomalias do gênero: Cássio Taniguchi, quando esteve no comando da Urbs e do Ippuc, ratificou licitações em que a sua empresa, a Executive, foi vencedora. - Nessas questões há o venial e o pecado mortal. Para os nossos padrões, conforme se viu no ‘‘grampo’’ do BNDES, é venial. - Vem aí um escândalo com 30 mil alqueires de área situados na Mata Atlântica em favor, obviamente, de um político, de gente de poder. - Saiu-se bem efetivamente o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, no mini-confronto com estudantes da Unioeste. Não se intimidando e dispondo-se ao diálogo, ganhou até aplausos do pessoal da UPE. É um teste, mas virão coisas piores. Dá para ver isso simplesmente na resistência dos reitores ao programa de autonomia relativa. Antes midi do que mini da Mari Quant. Mas nesse campo quando se oferece o dedo, o pessoal se agarra no braço pra ver se fica pelo menos com a mão. Sem terra invade, sem orçamento chia. - Desconfianças quanto ao vestiba de Direito da Tuiuti acabaram na Procuradoria da República, que vai pedir informações à reitoria da universidade.
UNIVERSIDADE Média nacional, federal, na relação aluno-professor é de 8,9 distante do desejável nas normas da OCDE que é de 16,7 alunos por professor. Na UFPR a relação, números de 1997, é de 9,24. Ao consulado não dá para mexer com rigor nessas coisas porque quebra a correlação de forças no campo eleitoral. Por sinal que a relação funcionário-professor de 1.8 é das mais altas do País.
Custo aluno mais elevado do Sul é do Paraná, R$ 770, contra R$ 692 de Santa Catarina e R$ 630 do Rio Grande do Sul, complexo bem maior.
FOLCLORE O cartorário José Nociti, nos tempos em que não saía do Graciosa Country Club, volta e meia aprontava uma. Certa noite, numa conversa mais íntima, no bar, com um senador e um deputado, todos anestesiados pelo uísque, tentou convencer o ‘‘pai da pátria’’ a evitar um trauma que ele passaria a sofrer. O senador, cigarro à boca e sorridente, perguntou que trauma. O Zé respondeu: o seu anseio de urinar na calça de um senador. Como já estava ‘‘armado’’ urinou e, rapidamente, virou para o deputado dizendo: ‘‘E na de um deputado também’’ e lá se foi outro ‘‘batizado’’.
CROMO O padre Marcelo Rossi, com sua aeróbica do Senhor, faz esquecer o medo de ver a hóstia sangrar por descuido do comungante.

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