Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O Estado leigo
A laicização (o ato de torná-lo leigo) do Estado é uma velha aspiração de liberais, marxistas e anarquistas. Os liberais sempre enxergaram no Estado, e isso desde os primórdios, algo desconfortável ou o Leviatã, de Hobbes. Marxistas que não souberam, não quiseram e não puderam superar a ditadura do proletariado, ficaram devendo a utopia da sociedade sem classes, quem sabe até auto-regulada, algo como o sonho anarcóide da autogestão generalizada.
Na experiência brasileira com o peso da tradição ibérica, patrimonialista, o Estado que prevê e provê sempre foi uma constante. Mesmo quando se procurava torná-lo flexível, como ao tempo das empresas de economia mista, para fugir aos parâmetros do funcionalismo tradicional, viciado, desmotivado, persistia a estatolatria, sob nova forma e com uma nova classe de burocratas. O Paraná viveu isso com a pretensiosa Codepar, depois sucedida pelo malfadado Badep, onde havia um estamento de técnicos, metidos a sábios, que tudo explicavam, menos a razão pela qual quebravam as empresas que financiavam. Ficava-se sem saber se a incompetência era gerencial ou de monitoramento, já que havia um órgão que acompanhava as financiadas.
Com Lerner veio a moda das organizações sociais que pelo ocorrido no caso do Paranacidade, e na sequência no Paranaeducação, é algo que pode funcionar desde que não vire penduricalho de burocratas como acontece com estatais e paraestatais no Brasil. O Paranaprevidência, dado como modelo, é uma hipótese que lembra o jogo pirandelliano: uma idéia atrás de uma instrumentação, no caso o capital básico, da mesma forma que há personagens em busca de um autor.
Mas vejam os paradoxos: num momento em que se anuncia a privatização das poucas coisas que efetivamente funcionam (a Copel, o melhor modelo) o governo subverte todas as regras do mercado ao transformar os jornalistas oficiais numa casta, já que os salários que paga, ao menos à equipe de elite, são incompatíveis com os da iniciativa privada. Além de não lhe devolver a responsabilidade integral pelo mercado da comunicação social (vide o papel hipertrofiado que as agências de propaganda exercem como instâncias do poder e dreno para gastos pródigos, como os dos Jogos Mundiais da Natureza, e até operações de caráter político) enche de servidores paralelos e sob regime especial, fora de qualquer parâmetro.
E basta fazer uma crítica dessas, como no caso dos chunchos parenterais e de amigos em episódios de aberta corrupção, como os da Leasing Banestado, para que se ouça a frase sentenciosa no sentido de que os outros estão com inveja.
AFORÍSTICO
O PFL, ao dar 90 dias para que o governo baixe o dólar a R$ 1,70, deseja aparecer amanhã como o instigador que deu certo porque para os mais pessimistas, dentro de três meses poucos sobrarão vivos. Por que não R$ 1,50?
BIZARRICE Diz o anarquista Elísio Marques que o Basílio, ao marcar o terceiro gol do Coxa contra o Fortaleza, inviabilizou a segunda partida que encheria o Couto Pereira. Na hora do gol teriam dito Tuta que o pariu, lembrando da cena do ex-centroavante do Atlético, lá na Itália.
AXIOMA O PFL deu prazo a FHC para baixar o dólar a R$ 1,70 dentro de 90 dias. Como é claro o empenho em ter os bônus e nunca os ônus do governo, fundamento-chave da filosofia do partido, espera-se que em breve haja o cronograma de 120 dias para acabar com a seca. O PFL é o PDS encabulado.
GLOSA Em Floripa, Olívio Dutra, junto com os seus colegas do Sul, foi alvo de hostilidades dos petistas e basistas em geral. Dutra, que teve que rezar após ajoelhar nas negociações com a União, vendo a inutilidade de ficar na canoa furada do Itamar Franco. Para o governo federal ele é hoje Alívio Dutra. Mas para o Codesul é bom a sua presença em área de ações comuns em favor do Sul, como seu presidente-coordenador, tarefa pelo menos construtiva.
SPRAY Em 30 de abril devem sair eleições para os conselhos Fiscal e de Administração da Paranaprevidência para servidores estaduais ativos e inativos, razão pela qual houve plenária de 50 entidades ontem para aprovar a normatização do pleito. - Funcionalismo está desconfiado, mas não dá muita bola para a ação do PT, que apenas adensa o conflito e nada resolve. Um parecer da Andrea & Advogados Associados assegura a constitucionalidade da lei. - Vale a pena luta: o Sindijus, sindicato dos trabalhadores do Judiciário, conseguiu o reconhecimento ao direito à reposição de 53,05% e executa a sentença na 3ª Vara da Fazenda Pública. O Estado contestou, sem argumentação séria, mas com objetivo de empurrar essa, como faz com as demais, com a barriga. - Oposição, sem Rosinha e Romanelli, no Legislativo, é de uma pobreza franciscana. - Fala-se que há no Judiciário quem receba, como assessor, importância superior a R$ 15 mil. E o teto e o redutor, que está previsto constitucionalmente? - A bomba hidrogênica de Antonina (quebra da Flutrans) não chega a R$ 5 milhões. Grafei bi em função do jeito de falar do dirigente portuário, Osiris Guimarães. Fica entre 3 e 4 milhões. A caução cobre o prejuízo da gestão portuária, mas vai haver necessidade de mais R$ 700 mil para recuperar equipamentos. - O forte das cargas, no caso fertilizantes, fica em Paranaguá. Infelizmente as invasões de áreas em Paranaguá impedem a montagem de complexos para beneficiamento. - Delegacia de Polícia de Fazenda Rio Grande praticamente fechou. Isso porque o prefeito Celso Rocha acha injusto o município assumir a parte maior dos encargos. Das quatro viaturas, três são do município; dos 13 servidores, nada menos de 10 são da prefeitura. É o Paraná e seu governo descendo a ladeira. - Hoje, em Londrina, Lerner vai perceber o quanto tudo está desagregando na hora das reivindicações e num momento em que não há dinheiro para nada, a não ser, é claro, para aquelas coisas voluptuárias. - O que mais se fala na Capital é a coincidência de filhos e netos de políticos importantes terem passado no curso de Direito da Tuiuti. Dizem que na segunda chamada aparecerão outros. - Perguntar não ofende: se as Malas Ika eram inadimplentes no Banestado, como é que foi liberada, e a que preço, a marca para que um outro dela se servisse? Esse é um governo mala, indiscutivelmente. Sem alça. Rei da caixa preta.
FOLCLORE O ex-juiz e advogado Elísio Marques chama a data de 8 de março, Dia Internacional da Mulher, de Dia da Ponta de Costela, referência ao fundamento criacionista de que Eva teria sido feita com uma das costelas de Adão. É chauvinismo pra ninguém botar defeito.
CROMO A cidade se descobre,// sai de trás de seus tapumes//- reinventada sobre o asfalto,// cimentada à eternidade.// Colombo de Souza.





