Luiz Geraldo Mazza
Quem entende de bolinha de gude, como o ouvidor João Elias de Oliveira, sabe o que é boas de volta, que dá o direito de o cidadão fazer outra jogada. Tanto no turco, no búrico, tal qual na cobrinha vale pedir jeitos, altos morrinho moderno.
Uns descuidados do sistema governo-empresas, aquele que gere o bem público a partir de (algumas) pessoas quase provocam um vexame: a agência Heads mandou um release aos jornais comunicando o ingresso do novo sócio, Eduardo Fischer, e que a colocará em outras galáxias, com a comemoração no Restaurante Casablanca em que os sócios antigos e o atual (naqueles consta o genro, que não aparecia na nota) seriam apresentados ao governador e cerca de 70 figuras do mundo empresarial. Às pressas acharam que o release era temerário e pediram para torná-lo sem efeito.
O encontro é segunda, à noite. Casablanca. Boas de volta.
BIZARRICE
No governo falta crítico (interno) e sobra cítrico. É o maior pomar de laranjas de que se tem notícia
ROTINA É frequente o presidente FHC baixar por aqui, e isso volta a acontecer na inauguração da Tafisa. A expectativa criada de gerar atividades em Piên como restaurantes, prédio de apartamentos, entrou na onda da propaganda do governo também não alcançada no caso das montadoras. Lembram dos anúncios idiotas e melodramáticos de botequins se imaginando restaurantes?
FUNDÃO Hoje, 3 da tarde, auditório do IPE (falido pelo PMDB), cerca de 50 entidades de servidores estaduais tratam da regulamentação da eleição para representantes dos barnabés, da ativa e aposentados, nos conselhos Fiscal e de Administração do Paranaprevidência. Vamos amarrar direitinho para não haver a repetição da bronca de Requião quando teve um conselho curador que discordou da rentabilidade do Fundão no Banestado.
AXIOMA Está aí: o Paraná buscou tanto uma pista adequada e próxima de rafting que a acabou encontrando em Curitiba, sede próxima dos famosos Jogos Mundiais da Natureza, caso se mantenham as benfazejas chuvas.
GLOSA Multidões de retirantes do Zaire caminham como sonâmbulos pela estrada e num ponto de destaque da fotografia (primeira página dos jornais) aparece o belo out door da Coca-Cola com a mensagem francesa Toujours Coca-Cola (Sempre Coca-Cola), a permanente, no mundo globalizado. Da globalização é isso que sobra para o povo: a cooptação do refrigerante. O arroto é um direito de todas as classes sociais, um princípio isonômico.
UMUARAMA Em Morretes, Júlio Cesar Salomão para eleger-se prefeito fez uma campanha milionária em que não faltou helicóptero com o qual distribuia bolas e camisas de time de futebol por todos os bairros, do Anhaia ao Nhata, do Rio Sagrado ao Porto de Cima. Como apareceu agora em Umuarama pretendendo explorar o aeroporto e até linhas da cidade a Curitiba e São Paulo, a turma está de olho no simpático adventício. Salomão foi cassado, preso, liberado e ainda recentemente o prefeito de Morretes, Orlando Conforto, em posição bastante desconfortável, mandou publicar edital de notificação a Salomão no sentido de que o Tribunal de Contas do Paraná desaprovou as contas do período de janeiro a junho de 1996.
Em Umuarama, além de privatizar o aeroporto, seu projeto, vai bancar agora na 25º Exposição Agropecuária a exibição da dupla Zezé de Camargo e Luciano. Só falta para aureolá-lo, como empresário-talismã, aparecer o irmão sequestrado.
SPRAY Pelo jeito as intervenções havidas no Tribunal de Justiça, na sessão do Órgão Especial da semana passada, que recomendaram o reexame genérico das vantagens atribuídas ao pessoal de assessoramento superior vai ficar apenas na pedagógica sugestão de dois desembargadores apoiada pelo presidente da sessão, o desembargador Silva Wolf. - Tudo decorreu do exame do processo em que um assessor jurídico aposentado pedia vantagens iguais às recentemente concedidas a servidores de status equivalente e que foi negado por unanimidade. - Aliás, desde que Wolf assumiu o comando do TJ, há um clima de ansiedade e no qual se exagera a adoção de qualquer medida primária como a de exigir o retorno aos cargos e comarcas de origem, procedimento absolutamente comum ou a devolução de todos os projetos que tramitam no Legislativo e que digam respeito a cartórios, o que, convenhamos, é também o mínimo que se espera de quem tenta tomar pé no terreno. - O Judiciário precisa de canais junto à opinião pública para maior conhecimento dos eventos da área até mesmo com o bom sentido de dessacralizá-lo, de aproximá-lo. Talvez esse isolamento tenha respondido no passado, governo Requião, pela dificuldade de a mídia, habituada que está de só ouvir o governo, cliente-chave, não ter dado o mínimo espaço às razões do poder judicante naquele momento encurralado. - O que a Embaixada dos States tem a ver com o que pensam os governadores sobre a reunião de amanhã com FHC? É o que se perguntava ontem com a notícia de que sondava opiniões no Paraná a respeito de Lerner. Este vive tanto por lá que devem saber. - Delegado Sivan, de Umuarama, apontado como o mais eficiente do Paraná pela reportagem da SBT, é um criativo: os presos fazem a comida da cadeia local e de outras da comarca em sistema autosustentado. Detalhe maior: o crime quase zerado. - Greca, alvo de mal-entendido, na história da ida a Santa Catarina. Seus pais e parentes já estavam lá no Costão do Santinho, onde costumam fazer a sua temporada. Estou com eles: distância das cloacas do Paraná. Prefiro Bombinhas, mas isso não vem ao caso. - Campo Mourão vai ficar com uma das três regionais novas do Paraná do Banco do Brasil. Merece. Como coordenará cerca de 30 agências, dá pra fazer só com eles um senhor carneiro no buraco.
FOLCLORE Com a iniciativa do PT de questionar no STF a Paranaprevidência, muitos estão lembrando que o partido e a CUT têm uma de suas fraquezas no fato de reunirem o sindicalismo de funcionários públicos, classe em extinção. Se há esse risco, não menor é a possibilidade, conforme alegam outros, de termos algo do tipo GBOEX e Montepio da Família Militar cuidando da grana dos inativos, dentre os quais me incluo, apavorado, com a iniciativa das privadas.
CROMO O sábio faz o teste táctil na sensitiva, nunca na urtiga brava.
AFORÍSTICO Amor ao governo é um estado de excitação muito parecido com o dos histéricos dos asilos, apesar da expressão dos seus cultores.





