Quando mais esquentava a CPI dos títulos estaduais, eis que irrompe na pauta jornalística, outra vez, a descoberta de que PC Farias teria envolvimento com a máfia italiana. A justiça de Maceió, que ficou limitada com a perícia do Badan Palhares que deu a morte do tesoureiro de Collor como um caso passional, de homicídio-suicídio, aguarda o novo material, colhido na Itália, para determinar novas diligências.
A sociedade do espetáculo é insaciável. Sua essência por imposição do mercado é a do descarte de pessoas, comportamentos, mercadorias. O acusador de hoje na CPI pode ser o réu de amanhã, conforme alertou o jornalista Luis Nassif e parece dirigir a hipótese aos três mosqueteiros da instituição, Requião, Kleinubing e Amin e o Dartagnan que pode ficar ajustado em Romeu Tuma. Lembrei aqui o papel do Ibsen Pinheiro na acusação a Collor e depois constrangido como beneficiário da CPI do Orçamento.
O fato é que essa retomada do tema PC Farias, vista por uns como esforço de dissuasão do sistema, até que pode ajudar a adensar a reflexão: se a CPI dos precatórios for além do que se conseguiu com o cerco ao tesoureiro de Collor será um avanço e isso ainda com a vantagem adicional de descobertas posteriores como essa do envolvimento com a máfia.
Aqui no Paraná deputados de oposição, sabidamente minoria, tentam fazer CPI dos títulos estaduais, pois afinal o Banestado só perdeu para o Banespa no volume de compra desses papéis. Ao invés de ficar negando espaço à minoria, o governo deveria mudar a sua atitude e aceitar a CPI para surpreender a oposição. Afinal o Banestado vai ser ouvido na CPI quente, a federal, e a local apenas tentaria um exercício promocional para os heróis caturras, que aliás são filhos de Deus e merecem aparecer. Com a cobertura parlamentar que Lerner tem, das mais desastrosas, qualquer parlamentar tipo Romanelli pareceria um Rui Barbosa que cortaria os governistas aos talhos como fazia com carne de gado nos seus tempos de magarefe em Londrina; Caíto Quintana, muito mais preparado, faria picanha ao ponto com seus adversários e completaria suas falas com declamações gauchescas ao bater das esporas da bota do artista pilchado.
Gostaria de lembrar cenas passadas quando tínhamos níveis de alfabetização política, bem superiores aos de agora: um simplório guarda-livros, o Eugênio José de Souza, Genico, de Antonina, era secretário de Fazenda do Munhoz da Rocha e a oposição, que tinha pessoas do nível de Accioly Filho e Hélio Setti, tentou encurrá-lo, levando um banho numa convocação. Se os dirigentes da área financeira tiverem um mínimo de competência dá para fazer o mesmo, outra vez, a não ser que realmente o governo esteja embrulhado e deva esconder-se.
BIZARRICE - Na saída do cinema que exibia ‘‘Evita’’ a TV fez uma enquete e uma senhora deu a definição: ‘‘Foi o ‘clip’ mais longo que vi em minha vida!’’ Já o advogado e anarquista Elísio Marques tentou um paralelo em nossa história para a ‘‘mãe dos pobres’’ portenha e pergunta: ‘‘Dona Darcy Vargas, Dona Maria Teresa Goulart, Dona Risoleta Neves ou talvez Dona Neuza Goulart Brizola, que se foi sem nunca ter sido? ’’
SPRAY - Em saída de estádio, já tivemos duas mortes: aquela do lançamento da bomba e esta agora do pingente. Quando chegarmos ao décimo, a polícia vai fazer o que a de São Paulo ensinou: acabar com as torcidas organizadas com o que a delinquência sumiu. - Espírito de gangue, organização típica da cultura da violência (em colégios, nas ruas, nas torcidas, nos espetáculos de rock e funk), é o que está na raiz de tudo isso. A polícia é de uma incompetência que chega à sublimidade quer no aspecto preventivo, quer no repressivo e com isso ajuda a ampliar o caldo de cultura. - Roberto Requião usa o mesmo estilo de quando estava no Palácio Iguaçu (via Subsecretaria de Assuntos Especiais da Casa Civil) para aterrorizar adversários e envia do Senado fax de artigos de jornal ou cartas com denúncias, pegando no pé do governador. Mesmo quando fora do Palácio alguns documentos do gênero foram apreendidos pela polícia na gestão de Mário Pereira. - Melhoram relações entre a presidência do Tribunal de Justiça e o Sindijus, sindicato dos trabalhadores. O presidente Henrique Lenz Cezar recebe a diretoria, mas não há esperança de acertar os 62% de reposição aprovado pelo STF. - Se de fato algum país está interessado em decalcar o modelo de transporte de Curitiba, urge que se submeta ao crivo da qualidade total tanto o ‘‘ligeirinho’’, que tem má vedação, como ‘‘estações-tubo’’com seus mecanismos emperrados e mesmo os biarticulados. Estamos na época dos certificados de ISO 9 mil pra frente. - Copel ameaçou cortar a energia de um dos gigantescos shoppings de Curitiba por falta de pagamento. O pessoal anda matando cachorro a grito. Ou como diz aquela piada de Irati de que a crise lá é tanta que quando se mata porco, ele é afogado antes para não acusar o sacrifício com guinchos e os vizinhos virem pedir um pedaço.
FOLCLORE - A chance de haver informação é no conflito. Quando Romanelli e Scarpelini trocaram acusações deu para conhecer parte dos intestinos do PMDB. Agora quando Lerner e Requião trocam agressões há chance de saber das coisas, mas Aníbal Khury acha que pega mal, é autofagia. O que é pior, autofagia ou a paz dos cemitérios?
CROMO - A borboleta papaná, embriagada com o peso das asas (a externa azulada, a anterior multicor), flutua em meio às árvores do parque. Essa o Monet, que filtrava essas paisagens, não viu.
AFORÍSTICO - Requião acolheu uma carta apócrifa e a enviou a Lerner como se a fraude, ao passar por suas mãos, se transformasse em documento hábil.

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