Luiz Geraldo Mazza
Nós merecemos: agora querem fazer de Curitiba a sede dos Jogos Olímpicos de 2.008. Aliás, boa parte dos problemas que levaram à recusa do Rio poderiam ser referenciados em nossa Capital, entre os quais a disseminação da violência sem falar nos rios condutores de esgotos a céu aberto, as enchentes (inclusive a da Vila Olímpica imaginada como pasteurizada por Lerner) etc. Pagamos um tributo pesado à ideologia triunfalista do lernerismo feita de mitos e de um bem elaborado city marketing como o demonstrou a mestra Fernanda Ester Sánchez Garcia.
As determinações históricas da obra de Lerner acabam por surgir como fundamentadas na natureza, sublimadas sob a designação do gênio, do inexprimível. Neste caso, a despolitização é evidente, denuncia claramente o mito. Por outro lado, o mito Jaime Lerner-genialidade-panacéia para as grandes cidades, desmancha-se no ar ao analisarmos os precários resultados e, em muitos casos, até mesmo o completo fracasso de seus planos urbanísticos em outras cidades ou metrópoles brasileiras. Entretanto, estes são fatos velados, obscurecido pela mídia ao nível local e nacional. Pincei esse trecho da tese dessa arquiteta que rompeu com o confessionalismo da sua área profissional para denunciar uma realidade que não pode e nem deve ser escamoteada.
Requião, quando prefeito, embora com um estilo mais populista, também manteve essa atmosfera ao fazer uma propaganda em rede estadual em que prometia acertar casos de invasões urbanas, ao difundir que aqui estavam o transporte e a comida mais baratos do Brasil (quem se promovia com isso era o Samek com o sacolão como se isso tivesse tais efeitos multiplicadores), com o que ajudava, artificialmente, a provocar a chegada de mais migrantes que na sequência alguns delirantes tentariam transformar em agentes eleitorais, todos, graças a Deus, quebrando gloriosamente a cara.
O Paraná já vai habilitar-se a sediar Os Jogos da Natureza, iniciativa de fôlego e de risco. Botar agora essa pretensão - a de celebrar as Olimpíadas - seria mais do que redundância para exibir essa região, cheia de problemas e que não se reduzirão com o 2º pólo automotivo, como o paraíso do ócio, a capital do lazer, a expressão mais clara do hedonismo latinoamericano. Chega de viajar na maionese, gente. Saiamos desse embotamento e dessa alucinação, pois afinal de repente seremos diplomados como xaropes.
BIZARRICE - O senador Requião contava na Boca Maldita, domingo, que vai levantar os assuntos dos títulos estaduais e a imprensa que vá atrás. Quer dizer: as denúncias virão como chumbo perdigoto sem uma clara definição dos limites entre a especulação e a fraude, o ato temerário e o delito. Muitos lembraram das denúncias que fez contra Max Rosenmann e que terminaram com a Câmara Federal, dentre eles o corregedor da Casa, Valdir Pires, chamando-o, de forma clara, de leviano.
SPRAY - 270 milhões seria o furo da gestão Greca transferido a Taniguchi e que o obrigaria a lançar mão de antecipação de receita, pagando juros, para acertar o fluxo de caixa neste mês. - A indicação preliminar de que o desequilíbrio não ultrapassaria 40 milhões era parcialíssima, tanto que só de exigível a curto prazo há 160 milhões, quatro vezes mais do que o número apontado por Rafael Greca. - Atingidos pelas barragens de 20 países estão na praça discutindo o tema na Universidade do Trabalho. A Copel vem tratando, de forma bem mais civilizada, o caso de Salto Caxias do que os anteriores. Pior, no entanto, foi a forma como a CESP tratou suas desapropriações tanto no rio Paraná como no Paranapanema. - Outra iniciativa em defesa do trabalho é o debate de 19 de março no CEPAT, Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores, que opera no Sítio Cercado sobre o tema : Perspectivas Econômicas do Paraná e o Mundo do Trabalho. De fato só o 2º pólo automotivo e seu impacto devem ser olhados nessa perspectiva, ainda mais depois do oba oba da revista Exame segundo a qual num primeiro momento teríamos, com os efeitos multiplicadores, 50 mil vagas e numa segunda etapa mais 100 mil. Delírio puro, tal qual se dizia da Cidade Industrial que geraria 200 mil empregos quando não tem 40 mil. - Para que Senado, Banco Central, num país em que ocorre não apenas o caso dos títulos estaduais, mas especialmente o Sivam, o Proer e a pasta cor de rosa, nenhum deles esclarecido como não o será o dos precatórios. E o Tribunal de Contas que papel exerce nisso tudo? Um aparato dispensável. - Escolas de Loanda, as estaduais, receberam carteiras e cadeiras; as municipais, não. Estas, segundo a Fundepar, devem dirigir seus pedidos à instituição. - Servidores do Banestado estão com mil razões para entregar as distorções da casa aos membros da oposição: perderam as esperanças, sentem cada vez mais próximo o processo de privatização, acham que o enxugamento com o corte das horas extras é terrorismo.
FOLCLORE - Como já não temos polemistas como os do passado, recomenda-se aos senadores da CPI dos títulos estaduais a leitura das respostas de Carlos Lacerda aos que o provocavam. Certa feita, governo Vargas, estava na tribuna relatando os escândalos quando um deputado situacionista disse que ele lembrava Sherlock Holmes. Lacerda com olhar distante como se não visse quem o aparteara respondeu em tom teatral: Elementar, meu caro Watson!
CROMO - De bicicleta, percorrendo os vazios de Porto de Cima, megafone à mão, o dono do circo mambembe anunciava o último espetáculo na localidade e indicava que a próxima parada seria Alexandra. Globalização, sim, mas com mambembe, ainda que sem o globo da morte e a mulher barbuda que engole espadas.





