Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Ceticismo generalizado
O ceticismo se acentua no País. Há o risco de precipitações decorrentes da paranóia da volta da inflação. Nunca os níveis de credibilidade no governo, em seus três níveis, foram tão baixos.
Vejamos o que se dá com o caso da Previdência estadual e que é tema desde o começo do governo Lerner através do entusiasmo do Renato Follador: poucos acham que a medida emplacará porque até agora a garantia de capitalização do sistema inexiste e tudo o que se diz não passa de hipótese de trabalho.
Prova clara dessa descrença viu-se na assembléia de ontem da Associação dos Procuradores, cujo primeiro tema de discussão foi o da criação de cooperativa de saúde para servidores ativos e inativos. Ora, se há essa preocupação, quando o governo promete revitalizar o atendimento do IPE, é porque está caindo, de forma acentuada, o nível de credibilidade.
Outro item da pauta foi o da criação de um fundo de previdência privada para associados da ativa. Mais uma descrença, agora voltada para a própria funcionalidade do sistema proposto por Jaime Lerner. Essa desconfiança reacumula a ansiedade dos que temem que o governo, no empenho de acertar um problema gráfico de caixa, deixe na mão os aposentados e pensionistas como faz regularmente com fornecedores, prestadores de serviço, empreiteiros. O pior é que nessa listagem há meios de abrir exceção, como se dá com alguns clientes do peito, o que jamais seria possível fazer com os inativos e pensionistas.
Teoricamente, o ParanáPrevidência está bem articulado. Só que a capitalização é ainda problemática, ora dependendo de um dinheiro que não sai do BNDES, ora de outra hipótese remota como a de conseguir o grampo na União como forma de indenizar os gastos estaduais com a transformação dos celetistas em estatutários, imposta pela Constituição Cidadã do faraó Ulysses.
O governo só deve iniciar o sistema na hora em que tiver capitalizado o Fundo respectivo até para não criar um problema adicional de forte apelo político que o marcará para todo o sempre.
FOLCLORE
Num cemitério de cidade do interior improvisou-se uma lavoura para atender a famílias carentes. Como a safra é boa e a terra nem tanto, sugere-se que o fertilizante é que tudo explica
BIZARRICE Rafael Greca, ministro do Esporte, Turismo e Juventude, vai na Quaresma ser lembrado pelos ecologistas, ainda mais depois que defendeu a criação de uma via com cuidados ecológicos na Estrada do Colono, alvo de uma disputa irracional entre grupos radicalizados, de um lado os que desejam botar a natureza numa redoma de cristal e de outro os que pensam que tudo podem fazer num parque nacional. Vai virar Judas para ser malhado, mas se o pouparem, por algum motivo de véspera, dará para fazer, com o material, pelo menos quatro condenados do presidente FHC ao time da área econômica.
Se por causa do Rio Bacacheri, onde a briga era de campanário, chamou seus adversários de biodesagradáveis dá para imaginar o que vem por aí.
AXIOMA Dona Emília Belinati, em artigo muito sensível a respeito dos seus contactos no interior se refere a Porto Amazonas e à navegação do Rio Iguaçu, coisa tão possível como fazê-lo no Belém e no Ivo em Curitiba. O que flutua no Iguaçu é muito capitão, forma popular como designam os dejectos.
GLOSA O que é mais grave: a navegabilidade imaginária do Rio Iguaçu ou a promessa de Lerner, em sua primeira gestão prefeitural, de devolver ao Belém, superpoluído, os lambaris de rabo vermelho?
SPRAY Uma história incrível, sem base fática, é contada por aí: uma trama para atentar contra o desembargador Otto Sponholz que partiria de uma juíza que está em tratamento de saúde que para tanto teria contratado pistoleiros que entendiam mais de cano de água do que de revólver. - Pior do que o atentado contra o secretário Cândido Martins de Oliveira, da Segurança, no primeiro governo Lerner, em que pelo menos havia um carro com sua lataria perfurada por balas. Aliás, atentado até agora não esclarecido. - Quanto ao primeiro caso, esta Folha conta, há quase um mês, com informes sobre o assunto que, por sua falta de consistência, até agora não aproveitou. Nos tempos de Última Hora um prato desses era explorado de qualquer jeito, ainda que as coisas não parecessem verossímeis e com razoável grau de articulação. - Ontem, às 15h45, o advogado Antonio Neiva de Macedo Filho ingressou no Ministério Público estadual com pedido de investigação sobre as denúncias publicadas num semanário contra o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e o escritório de advocacia da família. O protocolo leva o número 989/ 1999. - Com o mesmo conteúdo houve denúncias na OAB-PR e na Ouvidoria Geral do Estado e que acusam favorecimento ao escritório com numerosas demandas contra o Poder Público. - Pelo jeito quem vai pegar esse rabo de foguete, na sequência, é a vice-governadora, já que Lerner viaja e com isso fica equidistante de uma briga interna de facções, uma a favor e outra abertamente contra o secretário da Fazenda. - A falta de energia do governador em mostrar comando facilita esse processo de desagregação interna, razão pela qual um dos respaldos de Gionédis, desde o início, é o guru Aníbal Khury. Aquela denúncia da semana passada de empreiteiros em atraso em projetos da educação, financiados no exterior, é atribuída à guerra intestina, não necessariamente intestinal. - Perguntar não ofende: se não há parreirais significativos em Santa Felicidade e Colombo, como é que se produz tanta uva e vinho nas duas localidades? - Professores, agora reforçados por outros sindicatos, vão aprontar outra greve de fome (depois do Carnaval, é lógico, a não ser que se pretenda uma ala de faquires nos blocos e escolas de samba) por causa dos descontos. O governo se diz com base legal para isso e os professores mostram decisão do STJ (governo Álvaro Dias), em que o pessoal da Saúde acionou contra o corte e ganhou a parada. - URBS baixou uma ordem idiota para que os sexagenários, com passe livre, entrassem pela porta da frente, o que é um constrangimento para todos. Mas nem todas as empresas cumprem a ordem, o que prova a sua inocuidade.
CROMO Colho o inefável entre as mãos do vento//como quem colhe rosa em pensamento;//cresço no Tempo e o colorido lento//do vento apaga minha realidade;// pássaro livre nos jardins cifrados,// vôo em violino, em minhas mãos me invento.// Colombo de Souza, em Cântico em 1960.
AFORÍSTICO O ipê floresce, o IPE (do governo) esmaece





