Luiz Geraldo Mazza
Até para a transparência há limite, pois em excesso ela, por ser meridiana, solar, acaba cegando. Transparência em banco é como exigí-la no setor de inteligência de uma empresa ou do governo. O princípio da fidelidade, no qual se insere o sigilo, limita a abertura como se ficasse num campo translúcido para não cair no opaco.
Assim, pois, haverá sempre razões técnicas, operacionais e até jurídicas que criarão as restrições para que a abertura não se transforme em arrombamento e esse é um dos freios da CPI dos títulos estaduais que está lançando tanta denúncia no atacado que a essa altura é difícil, pela desinformação e também pela exploração político-emocional, saber o que é escândalo, o que é pecado mortal e venial, o que é normal, embora repugnante, no sistema capitalista na atuação dos saprófitas financeiros e o que é, enfim, roubo e fraude.
O público brasileiro não vive sem doses homéricas de denuncismo e isso cria as pré-condições para que um julgamento típico de multidão se processe com a maior naturalidade. No pique da mídia, a despeito dos alertamentos de uns poucos, há todo um clima semelhante ao das execuções como as do paredon de Havana e faz-se isso, ainda que alegoricamente, diante da certeza de que é preciso condenar já porque se demorar dá pizza.
Há uma ansiedade dirigida para esse objetivo e que vai tornando impossível botar matizes no assunto e apelar para o raciocínio. O que move tudo é o peso da impunidade, visível inclusive em bons momentos como os da CPI do Orçamento e do PC Farias que deixaram as punições pela metade. O pior é que a matéria informativa desses órgãos legislativos tem se mostrado inepta na tramitação no Judiciário e isso acaba se transformando num ônus à imagem dessa instituição, como se ela fosse a grande chaga nacional. Vide o atestado de idoneidade que se está concedendo ao ex-presidente Fernando Collor.
Outra constatação é a inutilidade de aparatos como os tribunais de contas para o controle dessas rebuscadas formas de fabricar moeda e que surgem como a saída possível para muitos diante da falência do Estado brasileiro em todos os níveis (federal, estadual, municipal), uma saída à Macunaíma que transita entre a malícia sutil, às vezes inevitável, e o delito.
BIZARRICE - Não bastasse o envolvimento direto na compra dos títulos estaduais, a política de enxugamento de funcionários e corte de horas extras está desmontando a imagem do Banestado. Para compensar o Tony Ramos, que aparece na novela Anjo de Mim da Globo, funciona como medium numa propaganda do banco, ainda que no final ele faça um ar desconfiado quando fecha a caixa forte. Seria um ato de premonição?
SPRAY - Mais uma decepção para Londrina: não há como fazer o caminho do gás, que virá da Bolívia, passar pela região. O último ponto de armazenagem será na Replan de Campinas e depois vai até a Ribeira e entra por Adrianópolis com novos pontos em Curitiba e Araucária. - Fatalidades geográficas são um ponto forte em política. Vantagens locacionais que favorecem a Região Metropolitana, por exemplo, são incontornáveis no caso das montadoras. Tanto num caso como no outro vale a pena brigar. - Já perdemos uma batalha, a do terceiro pólo petroquímico, para o Rio Grande do Sul nos anos 70 quando detínhamos o melhor estudo técnico, prevalecendo o maior prestígio dos gaúchos. Mais tarde veio a unidade de amônia e uréia (Ultrafértil), hoje privatizada, para compensar. - Há uma histórica desvantagem do Paraná nessas questões, tanto que a primeira estação experimental foi imposta em Tremembé, São Paulo, quando naturalmente deveria vir para São Mateus do Sul, o que só aconteceria mais tarde. - Quem está recebendo investimentos no norte é Cornélio Procópio: depois da Macsol é a vez da Tormec (parafusos e peças) que investirá R$ 10 milhões no fabrico de tornos mecânicos e que gerará uma centena de empregos. - Banestado só perde para o Banespa entre os estaduais na aquisição de títulos: R$ 274.875.279,06. Na sequência aparecem a Divalpar com R$ 23,8 milhões, Fundação Itaipu com R$ 17,4 milhões, Omar Camargo Corretora com R$ 6 milhões, Banco Araucária com R$ 4,4 milhões, Fortuna Corretora R$ 3,5 milhões, Paraná Banco R$ 2,3 milhões, Aureum Corretora R$ 1 milhão. O Araucária é de Luis Alberto Dalcanale e Alberto Dalcanale Neto, a Fortuna de Cristiane Canet Mocelin, Paraná Banco do multiempresário (área de comunicação, empreiteiro, banqueiro, comercializador de equipamentos rodoviários) Joel Malucelli e a Aureum de Geraldo Dalcanale. A Divalpar é dos irmãos Adur. Todos vão se exercitar no bambolê porque há muita confusão na CPI e dentre os chamados poderão ser escolhidos. Biblicamente.
FOLCLORE - Por falar em Luis Alberto Dacanale, que foi inclusive presidente da Assembléia Legislativa, ele mais parecia um aristocrata dentro do PTB, embora a origem de trabalho rural do seu pai. Costumava ir a núcleos populares e favelas com seu carrão de alta cilindragem. E quando diziam para despistar e não aparecer com a máquina, alegava-se que fazia aquilo para produzir mais revolta no povão. Por sinal que era dirigente do Ferroviário e depois do Colorado, povão para ninguém botar defeito.
CROMO - Baton na bandeira vermelha, mimetismo rubro no dia da mulher.
AFORÍSTICO - Diferenças entre Lerner e Requião: o primeiro demora para pensar e muito mais ainda para falar e o segundo fala rápido, muito antes de pensar.





