Luiz Geraldo Mazza
Pode soar com certo assento demagógico a proposta, aprovada pela esmagadora maioria de prefeitos da microrregião de Campo Mourão (23 a 2), em Peabiru, de suspender a oferta de transporte escolar no ano letivo que começa neste mês. É que se trata de algo bem na linha melodramática ao jeito brasileiro e que volta e meia ilumina o cenário político: estudantes da zona rural ficariam desprovidos de assistência para a mobilidade social e com isso, como advertiu o prefeito Tauillo Tezelli, de Campo Mourão, que não adotará a represália, se acrescentaria um fator a mais no êxodo campo-cidade.
Claro que há uma dramatização de um fato concreto, as centenas de prefeituras no vermelho, inviabilizadas, e que não encontram sensibilidade da parte do príncipe estadual, já que o federal anda muito amuado com a degradação do Plano Real. Lerner ganha a agilidade de um Garrincha para driblar os prefeitos que transforma em joões para suas escapadas. E agora, quando se afunilam os problemas, tira o time de campo e vai para os States, outra vez.
Não será com o desespero que se sairá da inércia em que se encontra a maioria dos municípios. É, no entanto, indispensável fazer algo e tentar sensibilizar o patriarca, mais próximo, que é o governador, da mesma forma que o prefeito faz esse papel na sua cidade.
Como o corte do transporte é feito em protesto por falta de apoio estadual para a manutenção do serviço, é possível que do ato de ruptura se chegue a alguma forma de diálogo. Um governo que se dispõe a pagar R$ 150 mil por mês a um time de basquete dirigido pela musa Hortência não parece guardar muita noção de prioridade. Aliás, dá para lembrar do carnaval do Banestado, a olimpíada com títulos estaduais e os trambiques da Leasing, e do dispêndio de quase R$ 360 milhões em propaganda em apenas três anos, para acrescentar um gume de vespa na ira dos prefeitos.
Todo o esforço de construção de rodovias vicinais, das vilas rurais - tudo é prejudicado por essa decisão que pode desencadear mais migração e contínuo engravidamento das periferias urbanas. Deixar todo esse problema para Dona Emília Belinati resolver é estranho porque não ficará bem nítida a maior e mais aguda fidelidade: se as de ordem partidária ou as decorrentes da ação que a vice-governadora vem desenvolvendo de perto com os municípios.
O governador costuma acenar com hipóteses mediatas e delas trata como se já estivessem vigorando. Assim foi com o Fundão, que vai depender de grana que ninguém sabe quando sai, e se dá agora com a tal mexida na lei do ICMS para responder ao problema emergente, pontual, do transporte escolar. Um Estado que cresceu com a promissória no auge cafeeiro continua condicionado à promessa.
CROMO
Ao artista plástico, esfomeado no melodrama, melhor se ajusta comer a natureza morta, de legumes e frutas ou mesmo flores, do que a modelo nua





