Luiz Geraldo Mazza
Muito prazer, secretário!
Nos últimos dias, os meios de comunicação social do Paraná estão recebendo a visita, provavelmente para apresentação, do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, acompanhado sempre de um titular efetivamente novo do governo, o da área específica, David Campos.
Ora, o secretário Gionédis é por demais conhecido. Não cumpriu as expectativas que cercaram a sua designação para substituir Miguel Salomão, este um homem que detém conhecimento sobre questões financeiras, pois Aníbal Khury, sempre ele, foi um dos que sugeriram que a mudança poderia implicar em aumento real de arrecadação, quando não havia a menor condição de isso ocorrer porque, como alertou o atual secretário de Planejamento, a receita é inelástica, e só o item despesa é que poderia ser mexido para a racionalização. O que está se impondo apenas agora com a mobilização para o ajuste fiscal.
Sabe-se que Gionédis não queria a solução adotada para a presidência do banco estadual, que ainda naufraga lentamente com R$ 1 milhão ao dia, e se opunha à designação de Reinhold Stephanes. Na verdade, o objetivo é um só: garantir ao titular da pasta fazendária, como é da tradição, a condição de mentor da política financeira, como sempre aconteceu. Ocorre que não estamos, em relação ao Banestado, em condições de normalidade diante do moribundo que entrou em coma, enquanto o secretário já movia os cordéis da política financeira. Foi o seu antecessor que pegou o rabo de foguete da gangue dos 60% do ICMS e também das falcatruas da Leasing. É verdade que Gionédis executou empresas que se haviam beneficiado com a fraude, o que provavelmente lhe custou aborrecimentos sob a forma de pressões de aliados políticos que defendiam empresários fortes envolvidos no trambique. Lerner, ao promover o gestor da Leasing a secretário de Estado, de certa forma, ratificou os chunchos como se fossem uma forma, bastante atenuada, de pecado venial.
Ficamos com essas visitas de cortesia, que não se limitem a cortes e azia, pois é notório que o governo não poderá mais manter a gastança do setor da forma pródiga como estava ocorrendo, sabendo que o secretário continua o mesmo, mas as práticas serão diferenciadas. Vamos ver para crer.
GLOSA
Diante da demorada conversa de ontem entre o governador e a vice lá no Chapéu Pensador poderia acontecer o seguinte: qualquer decisão autônoma, própria, de Emília seria olhada como algo combinado previamente entre os dois.
Tudo que de inesperado ocorresse, seria atribuído a Lerner
BIZARRICE ‘‘Passa, passa, avião// será ele ou não?’’ A música popular acabou consagrando JK e sua mania de voar de um lado a outro. Inaplicável a Lerner que viaja, outra vez, na curtição ou na vaidade, num momento de extrema concentração diante da quadra brasileira e da disposição do presidente FHC em conversar com todos os governadores. Escapismo nítido. Justiça poética seria a Emília Belinati assumir o governo para valer. Que tal uma reforma secretarial? Pelo menos sairíamos da modorra política em que vivemos. Dá-lhe, Emília.
AXIOMA A mesquinharia dessa controvérsia em torno da vice-presidência da Comissão Executiva da Assembléia coloca mal o governo e seus aliados. Todas as vezes que o governo se meteu nisso, quebrou a cara. Álvaro Dias teve a ousadia de querer apoiar o Neivo Beraldin para a presidência da Câmara Municipal de Curitiba e teve que engolir o Horácio Rodrigues. Recentemente, o Aníbal Khury quis se meter também e perdeu. Bem feito.
SPRAY A mediocridade do governo é assustadora: a oposição sumiu do Legislativo com a derrota de Luis Cláudio Romanelli e com a transferência do Rosinha para a Câmara Federal. - Até os deputados se ajustarem (especialmente os do PT), vai ser complicado. Oposição do tipo Caíto Quintana e Orlando Pessutti não tem o tom candente que sensibiliza o Palácio Iguaçu. - O simples fato de o PMDB estar apelando para a Comissão Executiva Nacional, com quem sempre andou às turras, via requianismo, para acertar seu lugar na composição da Mesa, revela o acanhamento das pessoas e do partido. O Aníbal Khury pode dar mais essa garantia do que qualquer força externa. E o está fazendo na medida do possível, para respeitar a tradição. - A Universidade Tuiuti ofereceu bolsa de estudos ao deficiente físico Hilton Cesar de Carvalho no curso de Fisioterapia. O eixo da Praça Osório, Voluntários da Pátria, Carlos de Carvalho está comemorando. - Muita bronca de usuários no serviço de oftalmologia do SUS atendido pela Santa Casa de Misericórdia na capital: gente idosa maltratada e burocracia demais. - O encontro de ontem entre Lerner e Emília foi meramente administrativo e ficou claro que ela deverá representar o governo na reunião do Codesul e possivelmente em algumas das convocadas pelo presidente da República. - Wagner Rocha D’Ângelis não aceitou manter-se na Coordenadoria dos Direitos da Cidadania e Grupo Especial de Defesa dos Direitos Humanos-Paraná, mas continua na Comissão Estadual de Direitos Humanos da OAB-PR, do Centro Heleno Fragoso pelos Direitos Humanos, da Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Curitiba. Deixou ainda um programa para a área no governo estadual, no qual propõe, entre outras coisas, as Casas de Abrigo da Mulher, decalcadas do Canadá e já adotadas em algumas cidades brasileiras. - Por pura sorte foi descoberta a importação de nafta do Uruguai para fraude com combustíveis. A mistura dá muito lucro aos postos e afeta, aos poucos, os motores. - Até aliados mais íntimos não suportam as omissões de Lerner: 21 dos 23 prefeitos da microrregião de Campo Mourão decidiram suspender a oferta de transporte escolar neste ano letivo, por falta de apoio financeiro do governo estadual. Campo Mourão não acompanha a retaliação por não achar justo que as sanções recaiam sobre as crianças.
FOLCLORE Na campanha municipal de 85, Lerner fugia, como um punk de um desodorante, aos debates para os quais era desafiado por Requião. No auge da ‘‘guerra’’, apelidei-o de ‘‘Fujaime’’. Na eleição mais recente, Requião voltou a chamá-lo de ‘‘Fujaime’’ porque acertadamente fugiu aos debates. Agora, por causa de sua mania por viagens, o estão chamando novamente de ‘‘Fujaime’’. Engano: pode fugir de tudo, menos de viagens.
CROMO Como no interior não vai ter ônibus para transportar escolares, o governo poderia premiar, já que investe muito em atletismo, os meninos que chegassem a pé mais rapidamente nas escolas. Maratona pela vida. O Rafael Greca iria adorar o lirismo da proposta.
AFORÍSTICO Que saudades do Zacarias de Góes e Vasconcellos!

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