Luiz Geraldo Mazza
O governo Lerner está apostando tudo em sua iniciativa de implantar o Fundo de Previdência. Transforma a questão em bandeira de caráter nacional, o que é muito adequado e se constitui em contribuição seríssima para acertar, em termos estruturais, a crise de Estado.
Tem a obrigação, portanto, de conduzir bem esse processo, que lhe dará um desafogo de 35% nas despesas de custeio, o que o habilitará a ter recursos para investimentos num momento em que o aparato estatal, o que me parece modismo, declara-se leigo em obras públicas que não estejam confinadas às áreas de saúde, educação e segurança. Mas urge enxergar que outros fundos de pensão, ligados à área pública, deverão ser protegidos como os da Copel, Sanepar e, em especial, o do Banestado. Nesse caso, tenho sugerido, com sobras de razão, embora seu caráter heterodoxo, que o Funbepe opere diretamente no processo de cobrança para ir atrás dos inadimplentes crônicos protegidos pela política e que andam rindo com o andamento do saneamento.
Outra questão importante é a da tal Paraná Previdência. Enquanto não tiver a grana, até aqui apenas imaginada - os tais bilhões do governo federal, nossa velha loba romana - para estabelecer o capital rotativo, que garantirá o pagamento dos inativos e pensionistas, não pode desligar tal responsabilidade do Tesouro. Nada de salto no escuro e de aventureirismo em cima de uma hipótese de trabalho.
O governo é o caloteiro maior nessa questão. Enquanto nas fundações das indiretas soltava dinheiro à vontade na base de cinco e até mais por um, em relação à contribuição dos empregados (Banestado, Badep, Copel etc), no caso do IPE jamais pagou a sua parte, como constava da lei de autoria do deputado Léo de Almeida Neves. Como já disse, apenas Paulo Pimentel atendeu parte desse imperativo com as sedes do Instituto que construiu na capital e no interior. Esse motivo seria suficiente para que evitasse uma precipitação no sentido de parecer o pioneiro, criando algo apenas no papel e sem garantia concreta de funcionamento.
Desde os tempos da Prefeitura de Curitiba, a usina de criatividade lerneriana produziu muito milho queimado na pipoqueira. Sair-se-ia muito mal se tal se desse com iniciativa tão importante e que gerou tantas expectativas.
EPIGRAMA
Pode-se dizer que quem tem CUT tem medo ou é o contrário?
BIZARRICE Cutistas lançaram o malogrado movimento Reage, Brasil, em defesa da elefantíase estatal e contra, especialmente, a privatização da Vale. Agora dirigentes do Reage acham que a crise cambial justifica sua volta, algo como pleitear que as múmias saiam dos sarcófagos. Para ganhar o interesse da população deveriam lançar o Reggae, Brasil, que ao menos teria ritmo.
AXIOMA O Laércio Faustino Cardoso, mais chamado de Cardovo, tal o seu empenho em defesa dos galináceos e do seu produto calcário e oblongo, o ovo, está em guerra com o governo, que parece pretender forçar o ajuste fiscal em cima do galinheiro, olhando tudo lá do puleiro sem ouvir cacarejos de protesto.
De cada quatro frangos, o governo leva um. Só falta sugerir que isso é prejuízo, galinha morta. Laércio, com essa, botou um ovo em pé numa homenagem àquele que descobriu a América, o Colombo.
Como dizia o Acácio, o conselheiro do óbvio, não se faz omelete sem quebrar ovos. No omelete cambial, as empresas estão quebrando.
GLOSA O Elba de Pádua Lima, o Tim, técnico de futebol, supermitificado em todo o Brasil, chegou a proferir, graças a tanta badalação, a frase de que armando o time reserva vencia o titular. A prática do Filipão, do Palmeiras, está mostrando como é falso esse tipo de colocação. Ponto para o Nego Pessoa que nega a essencialidade do técnico num time de futebol.
PRAIA Dizer que as nossas praias - Guaratuba, Caiobá, Matinhos - estão na fossa é redundância e humor negro. Mas a Sanepar leva moradores e empresários à loucura por causa da tarifa sazonal. O Rubinho Ferreira conta que o hotel que gerencia, em Guaratuba, Sobre as Ondas, pagava R$ 230,00 a R$ 250,00 e a última fatura foi de R$ 634,00. Um usuário que gastava R$ 27,00 paga agora R$ 100,00.
Todos, enfim, entraram pelo cano.
SPRAY Bastou vir a privatização das ferrovias e aumentou o número de acidentes graves. Uma coisa nada tem a ver com outra, mas afeta a imagem do processo de privatização. - A ocorrência de Ponta Grossa se dá num momento em que o setor vinha deslanchando. Já a Ferroeste está fechando bons contratos, substituindo a modalidade rodoviária, caríssima, como acontece com o cimento. - Também nas concessionárias de telefones está havendo chio. A Telepar, que já vinha piorando antes da privatização com a moda das terceirizações, deslanchou para baixo. - A Light, no Rio, não se emenda e nada faz contra os apagões. Há quem pense em sabotagem, mas é apenas ineficiência e falta de ação das agências governamentais. - Pesquisa de ontem, da CBN, mostrou que a maioria da população é a favor de restrições para que menores dirijam ciclomotores. Decisões da área não poderiam ficar subordinadas a pressões de interessados do mercado. - Delegado calça-curta não é boa solução. Todavia, como não há grana para os concursos que preencham todas as vagas, não é justo que Barbosa Ferraz padeça por falta de autoridade policial. Algo tem que ser feito, urgentemente. O mais grave é que o município montou, inclusive, seu Conselho Comunitário de Segurança, razão pela qual tem moral, ainda que como exceção, para pedir a volta do calça-curta que lá atuava. - A meia três caipira está sufocando os agricultores em função da dívida em dólares. Por sinal que o governo estadual deu outra mancada ao anunciar que o Procon faria ações coletivas em cima dos contratos com variação cambial. Não tem estrutura para tanto. - OAB-PR está em cima de mais de um caso de advocacia administrativa, isso é privilégio a escritórios de gente ligada ao governo. Isso não espanta: na propaganda é comuníssimo e em outras áreas, também.
FOLCLORE O Paraná vai perder mais uma indústria: a Philip Morris de cigarros. Em compensação recebe a unidade da Tang, subsidiária do mesmo grupo, de refrescos. Embora isso não refresque, não deixa a Cidade Industrial de tanga, ofertando-lhe a Tang.
CROMO Até mesmo na colméia há os que mais desfrutam o ócio, os zangões, como se imagina para a sociedade do futuro, onde haverá menos operários. Quem diria que a utopia estivesse no buraco de uma árvore carcomida?
AFORÍSTICO Outra viagem do governador: isso não é turismo, mas sim truísmo.





