Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O governo se mexe
Lerner rompeu com a inércia e passou a tomar inciativas no front político nacional: contatos com Tasso Jereissati, seu colega cearense, e com Amin, de Santa Catarina, na sequência do encontro com Anthony Garotinho, do Rio, tentando proselitismo para o encontro de todos os governadores em encontro destinado a dar andamento a duas propostas suas: o fórum dos chefes provinciais, uma instância nova no campo institucional, e o estabelecimento do Fundo de Previdência.
Mas o governador entrou numa nova etapa, tanto que, discordando radicalmente da Medida Provisória relativa às áreas de fronteira, trocou idéias a respeito com o senador Osmar Dias. Outro tucano procurado foi Luiz Carlos Hauly, líder de FHC no Congresso, sobre a regulação do Artigo 201 da Carta Magna e também a possível drenagem de recursos para cobrir a transformação do pessoal celetista em estatutário e que a União deve indenizar. Tal recurso seria a base de capitalização do Fundão.
O momento é delicado diante da situação instável da moeda e a disparada do dólar, e isso tudo dificulta o clima para que FHC olhe uma eventual proposta dos Estados no sentido da formação dos fundos de pensão não como uma colaboração (que de fato é) e sim uma hostilidade. Ocorre que a arrogância imperial do presidente e seus cardeais perdeu o sentido e não se justifica que os governadores deixem de agir por causa da perplexidade do Palácio Alvorada.
Já que o governador está falando com adversários recentes (Osmar e Hauly) e correligionários do passado (Garotinho), espera-se que o faça também com as forças locais e corte o barato da exploração dos prefeitos à base de panacéias sabidamente inviáveis e sobretudo deseducadoras. Pode até estimular as ações da vice Emília Belinati junto aos prefeitos, desde que não vise a desagregação interna, mas tão-somente produzir um raio-X da realidade dos municípios, que não se pode enfrentar com bravatas e salvacionismos de ocasião, como na proposta do prefeito de Londrina.
AFORÍSTICO
Se o Lerner viajar e Emília assumir e seguir o conselho do marido, na ajuda aos prefeitos, que festa, hein?
BIZARRICE O Rubinho Ferreira sugere que a vice Emília Belinati, que está ouvindo os prefeitos (para quem o marido propõe ajuda de R$ 500 mil per capita), ao assumir o Palácio Iguaçu, em fevereiro, por ocasião da viagem de Lerner (mais uma, mais uma!), libere a grana para os burgomestres. Nem esse risco leva Lerner a desistir da viagem.
AXIOMA Quem faz um cesto faz um cento: o governo não tem dinheiro para nada, não pode pagar fornecedores, empreiteiros e alugueres, mas está disposto a bancar, na base de R$ 150 mil por mês, o time da Hortência, de basquete feminino, enquanto não achar patrocinador. Nem em tempo de crise, a mania do mecenato (sempre oficial e público) desaparece. O governo deu tudo para essas centenas de empresas que se instalaram no Paraná: renúncia fiscal, terreno, facilidades e, na hora de fazer um marketing esportivo, que até pode ajudá-las, não se mexem. Elas devem entender mais de retorno do que nós.
Se o basquete for como o Rexona, já se sabe que não haverá massificação do esporte e nem uma atleta paranaense integrará o time.
GLOSA O prefeito de Los Angeles quer copiar o Ligeirinho. O mais ligeiro dos críticos de Lerner & Cia, Cândido Gomes Chagas, propõe, como cautela, que o americano veja de quem é a patente do ligeirinho, isso porque em passado recente, tentou-se cedê-la ao escritório do arquiteto, hoje governador.
SPRAY O temor da volta da inflação, em consequência do câmbio convulsivo, é a paranóia do momento: com o reajuste de 5% nos combustíveis, os efeitos sobre o custo de vida virão em cascata. - Como se anda falando em reajuste no pedágio, mais esse ônus nos fretes, o sindicalista Rui Cichella, do Setcepar, prevê a inviabilidade da atividade. Exagero faz parte do jogo. - Se o governo mexer no pedágio, com a crise que está aí, ficará mais desmascarado do que FHC com a mudança de rumos na economia. - Aliás, essa colocação é pouco honesta, já que o problema está sub judice, uma vez que as concessionárias até hoje brigam na Justiça Federal (processo ainda em Porto Alegre) contra o ato de Lerner que reduziu as tarifas e alterou cronogramas e compromissos das exploradoras do pedágio. - Andam forçando a barra no noticiário e o próprio deputado federal Gustavo Fruet deu veracidade a uma contrainformação, mandando um release à imprensa, em que fazia a sua discordância em cima de um assunto, que só existe na cabeça do pessoal do Setcepar. - Pisada na bola na notícia da nova diretoria do Banestado e especialmente na referência a firmas que estariam interessadas na aquisição do banco, quando, na verdade, essas tais empresas de consultoria são proponentes da formatação do processo de saneamento e privatização. A barrigada foi palaciana, o que não impressiona, uma vez que a patetice é contagiosa. - Outra coisa: não dá para tolerar o xiitismo de assessores do governo que continuam a enxergar atos de oposição nas mínimas coisas. Se esse pessoal tivesse o poder dos militares, o DOI-CODI anterior seria um parque de diversões a essas pulsões. - E a papagaiada de que Curitiba é mais visitada do que Salvador continua repetida por aí, graças a uma pesquisa esdrúxula da Embratur. Agora, com a vinda do prefeito de Los Angeles, retorna a panaquice da cidade-modelo e outras picaretagens do gênero, o que é uma surpresa, já que Cássio Taniguchi tinha acertadamente parado de apelar ao triunfalismo que leva à desmobilização e ao conformismo calhorda.
FOLCLORE Se todos os que mostram preocupação com o Banestado fossem honestos, antes de tudo dariam um jeito de sair da lista dos inadimplentes pagando os seus débitos. Honestidade, nesse caso, é igual à do sujeito que solta gases no interior do elevador e faz o ar de indignado, cobrando a audácia de culpados que ele sabe não existir. O que já houve de discurso de inadimplente contumaz, ora em defesa da manutenção do banco público, ora condenando os desmandos das gestões atuais como se fossem menores do que o das anteriores, é de espantar.
EPIGRAMA Rafael Greca quer transformar a Estrada do Colono, foco de tantas tensões, numa Graciosa. Na Graciosa não dá mais para caçar porque os bichos já sumiram espantados pelas máquinas fotográficas dos turistas. Na do Colono, o fechamento facilitou a ação dos caçadores.
CROMO Esse fim de tarde-chumbo, que se reproduz há tanto tempo, daria o cenário ideal para o terceiro ato do Rigoleto.





