Dizem que das internacionais socialistas, além da de baixos teores que ficou, a herança maior, afora a música épica, está hoje no vermelho das bandeiras dos clubes que lhe tomaram o rótulo como o Inter de Porto Alegre e a Internacional da Água Verde de Curitiba. Repete-se na alegoria o conceito de Marx diante de um axioma de Hegel, registrado em ‘‘Os Dezoito Brumário’’, de que na história tudo se dá como tragédia e se reproduz como farsa.
Ao comentar ontem na CBN o fato de a estatal Renault estar demitindo na França e na Espanha e abrindo frentes no Brasil sugeri que diante da onda da globalização que se estude uma forma de organizar o trabalho também em escala universal de modo a impedir que se aprofunde o processo de desgaste que o alcança como fator de produção. Por que a estatal francesa faz isso? Simplesmente para melhor ajustar a sua operação em termos geopolíticos e baixar custos. Operário espanhol ou francês é caro, brasileiro vale preço de banana e se sair de São Paulo para o Paraná cai ainda mais.
A sociedade moderna é fragmentária por método e torna impossível os laços da coesão. Numa das mais recentes greves metalúrgicas deu para percebê-lo: como as montadoras tinham mais recursos de capital na economia de escala puderam atender os trabalhadores da área, enquanto os das satélites (autopeças) nada ganharam por se tratar de setor atomizado, disperso, sem concentração. No episódio uma evidência da compartimentação e do corporativismo. Cristovam Buarque é um dos poucos petistas que enxerga isso criticamente.
Quixotismo ou não, é preciso unir numa ponta do processo o trabalho e na outra a natureza, fator de produção, na pregação séria da defesa do ambiente. Uma e outra não teriam força para encurralar o capital, hoje fugidío como o mercúrio, diante da financeirização da economia e que permite, por exemplo, com um simples digitar em computador deslocar recursos de uma região para outra. Essa capacidade é maior do que a de uma linha de montagem obreira, mesmo contando com apoio da robótica.
Afinal se a globalização é uma fatalidade, que não justifica o entusiasmo adolescente do presidente FHC num país em que mais de 25% da população não têm banheiro (e esta deveria ser uma ‘‘privatização’’ pública), urge pensar algo, no sentido defensivo, em favor da massa obreira mundial. Caso contrário a globalização para o Zaire será aquela da foto do ‘‘Estadão’’ em que as tribos caminham como zumbies pelas estradas e em primeiro plano aflora um ‘outdoor’ ‘‘Toujours Coca Cola’’. Sempre Coca Cola, a socialização do arroto.
BIZARRICE - ‘Matemágica’ é isso: o Sivam volta à tona (e nela aparece o senador Gilberto Miranda, aquele que acertou a emissão dos títulos de São Paulo) e agora o preço duplicou com a diminuição de radares.
SPRAY - Banestado está submetendo seus clientes a um sofrimento em filas imensas e que parecem não ter fim em função das medidas internas de corte de duas horas-extras. O clima é de paranóia tanto para os prejudicados internos (caixas e escriturários) como para os externos (clientes). - Atividade do futuro é o lazer. Até o genro de Marx, o cubano francês Paul Lafarge sabia disso quando escreveu ‘‘O direito à preguiça’’. Pois o Beto Carrero, um dos gênios da área quer explorar as instalações do antigo Britânia, pertencentes ao Paraná Clube por 20 anos. Quero saber em que lugar vão fazer o parque de estacionamento. - De lazer, uma interessante: em Santa Catarina são comuns os hotéis-fazenda tanto no litoral como na região serrana. Há um em Governador Celso Ramos, da família Petrelli, denominado ‘‘Palmas do Arvoredo’’, que une praia (e tem uma exclusiva) e fazenda. - Requião ganhou presentes de aniversário: um deles, manifestação de júbilo por sua atuação na CPI dos títulos estaduais, aprovada na Câmara Municipal de Curitiba. Dos 35, 27 apoiaram, o que prova, mais uma vez, que o governo não tem coordenação política e não sabe enfrentar laranjices. Outro foi o elogio de Arnaldo Jabor. - Para descompensar teve contra si o editorial do ‘‘Estadão’’ considerando que a CPI visa mais propaganda do que resultados eficazes. - Álvaro Dias estaria com um pé na Telepar. Alguns dos seus assessores preferem isso do que uma pasta ministerial que o afastaria do Paraná. Áulico tudo justifica. - Loanda está com várias escolas sem carteiras. Com a palavra a Fundepar. - Horácio Rodrigues, deputado, tem um projeto bom: diminuir o número de municípios. Vai trombar com seu ídolo, Aníbal Khury. - Por falar em municipalismo, Marechal Cândido Rondon está, de fato, inovando ao lançar programa de demissão voluntária para o funcionalismo. Poucos podem fazê-lo porque não teriam como financiá-lo. O Estado, por exemplo, está sem caixa para essa terapia.
FOLCLORE - Corre pela cidade uma lista de beneficiários de propaganda oficial. E tudo é divulgado meio à sorrelfa para dar tom de escândalo ao que é, por demais, comum. Ela se refere ao mês de novembro, tempo de segundo turno, do ano passado. A ligação entre mídia e governo é histórica. ‘‘O Dezenove de Dezembro’’, nascido no 1º de abril (dia da mentira) de 1854, um ano depois da emancipação do Paraná, era jornal e diário oficial. Aliás o Diário Oficial, segundo o Freitas Netto, que o dirigiu várias vezes, é o único que entrega tudo o que o governo faz objetivamente. É claro que para interpretá-lo urge uma inspiração como a de pastor diante da Bíblia. Por falar em pastor, os veículos normalmente se portam como ovelhas bem comportadas e quando uma se mostra meio tresmalhada a diplomacia é mobilizada para voltar ao redil.
AFORÍSTICO - A patetice é uma virtude do governo paranaense: Requião tenta - e forçando a barra de todo o jeito - botar o Estado na CPI e a maioria da Câmara Municipal aprova manifestação de júbilo proposta por oposicionistas. Marcos Isfer pelo jeito continua no trânsito.

mockup