Luiz Geraldo Mazza
Pimba na gorduchinha
‘‘É sua, garotinho! Pimba na gorduchinha.’’ Os clichês dos locutores esportivos são altamente familiares ao Rio, notadamente agora, depois do êxito do Fla-Flu, Maracanã cheio, em que mais se acredita na ressurreição do futebol carioca. Pois o Garotinho governador e o Lerner decidiram dar um ‘‘pimba na gorduchinha’’ na questão dos fundos estaduais de previdência. Ponto para os dois, embora não dê para comparar a capacidade de comunicação do carioca ante as notórias dificuldades de articulação do nosso governador.
Não importa. Afinal, em terra que tem alguém transbordado como Rafael Greca, hoje ministro, e Roberto Requião, ora pretendente a um papel supra-regional como senador de oposição, até que a discrição reticente de Jaime Lerner se justifica. Enquanto os dois políticos podem, em função do papel que exercem, tender para uma dimensão um tanto quanto folclórica, o governador, por força mais da imagem que montaram a seu respeito do que do seu repertório, tende a ser levado mais a sério.
Os dois pontos básicos da reunião de governadores, mais relevantes, tiveram a sua participação como formulador, com todas as suas notáveis deficiências, ou instigador: o fórum de gestores provinciais e o fundo de pensão. Agora Anthony Garotinho, governador carioca, põe óleo lubrificante na iniciativa e marca um encontro de todos os colegas, se possível, para discutir o tema em conferência na segunda quinzena de fevereiro, bem depois, é claro, do Carnaval.
Méritos, pois, para o governo paranaense, ainda que sua comunicação seja bem autárquica, voltada para dentro, como é tradição, o que acompanha, inclusive, todas as tentativas internas de projetar alguém como candidato presidencial. O que foi terrível nas experiências de todos, desde Munhoz da Rocha, depois do suicídio de Getúlio Vargas, passando por Ney Braga e chegando aos desempenhos pífios de Requião e Álvaro Dias em tentativas no PMDB, sem esquecer do papelão de Affonsinho, um dos maiores coordenadores (o que o demonstrou com Tancredo) políticos, com aquele vexame com a sua campanha assessorado pelo Tião Macalé, o Nojento, e com sua correspondência ‘‘xuxesca’’ com os baixinhos pela tevê.
Recomendar-se-ia que não se falasse em projeto nacional e que se praticasse atos concretos (bom governo, por exemplo, o que até agora não aconteceu) que levassem a esse objetivo de forma natural. Mas antes precisa credenciar-se e com algo que responda aos furos de sua gestão, como o de ter multinacionalizado a economia estadual e a desnacionalizado e desparanizado. Se for em direção ao prestigiamento ao pequeno e médio produtor e empresário dos vários setores da economia, com a carteira de fomento, que pretende implantar, compensará, ao menos em parte, muitos dos profundos desajustes da capitalização intensiva e tecnológica, que é ótima, mas tem uma perversidade orgânica - a de acelerar os processos de descarte da mão-de-obra e favorecer a concentração de poder.
AFORÍSTICO
Só falta agora, no agito da Bolsa, aparecer o FHC avisando que em poucas horas tudo muda, podem crer
BIZARRICE Candidatos a rei Momo do Rio ficaram tão impressionados com o nível de animação do ministro Rafael Greca, do Esporte e Turismo, que acharam o paradigma inimitável e capaz de levá-los à depressão pela insuficiência pessoal de transmitir Carnaval como aquela autoridade. Para quem o viu nas festas de São Francisco, em Curitiba, pode imaginá-lo no Sambódromo.
AXIOMA A discussão sobre as dimensões do Estado, ente público, normalmente descamba para o maniqueísmo: opõe-se ao Estado onipresente o ausente. Mais ou menos o que muita gente está vendo agora no Paraná. A privatização aqui está bem mais lenta do que em outros Estados.
GLOSA PMs à paisana, do Pelotão de Choque de Curitiba, foram apanhados em assalto em Palmeira. Usaram a farda para fugir. Não é crível que seja o único episódio do gênero como também não é o que foi apurado na delegacia de Polícia de Almirante Tamandaré, ano passado. Em caso de assalto e violência chamamos quem?
ECONOMIA Pelo jeito o Palácio Iguaçu está levando a questão dos gastos tão a sério, imposta pelo Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal, que alguns telefones são sistematicamente atendidos pela secretária eletrônica. Seria bom na Casa Branca para dispensar espaços de estagiárias.
SPRAY Os Belinati, que arregimentam prefeitos em sua chácara, poderiam ampliar o seu trabalho para nível nacional. Estados se agarram em fio descapado, e o endereço do chio, mais correto, é outro: Brasília. - A proposta de Hauly, de sete anos passados, sobre fundos de pensão municipais e estaduais dorme nas gavetas da Câmara Federal e deveria ser reapreciada, agora, quando a União vai ser submetida a pressões estaduais. - Guaratuba está longe de poder ostentar condição de pólo turístico de ‘‘importação’’: sua rede hoteleira tem apenas 243 leitos. - A briga pelo poder na Polícia Civil não está exaurida: facções tentam colocar seus preferidos, valendo-se da circunstância de o atual delegado-geral não se vincular a grupos. - Dos 3.638 aprovados no vestiba da Federal, nada menos de 63,21% se inserem entre as faixas salariais familiares de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil até os que se colocam acima de R$ 5 mil. Como o salário médio da Capital, o segundo do País, anda por volta de pouco mais de R$ 550 e a renda familiar média não chega a R$ 700, percebe-se o quanto a faixa privilegiada é que mais se beneficia do acesso à universidade pública e gratuita. Essa é a verdade, o resto é o coral ideológico dos populistas e seu consulado que ajudam a afundar a Universidade, não apenas com a invasão do ‘‘baixo clero’’ como com a notória perda em relação à de Santa Catarina, que emplaca quatro primeiros lugares nacionais em Engenharia Mecânica (graduação e pós) e Engenharia Industrial (graduação e pós). - Proporcionalmente, a Federal, a mais antiga do Brasil, perde, em desempenho, para a estadual de Londrina, conforme o peso que lhe atribuiu o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais. O fato é que setores de excelência cada vez mais se atrofiam: Engenharia Florestal, por exemplo, da Federal, já foi a primeirona do Brasil. Não é mais.
FOLCLORE Entre os doleiros, quinta e sexta-feira, um clima parecido com o do filme ‘‘Apertem os cintos, o piloto sumiu.’’ Alguns deles, tão perplexos estavam, que se escondiam nas chácaras por não saberem se deviam vender ou comprar, uma espécie de Hamlet recitando o ‘‘ser e o não ser’’ na Bolsa.
CROMO Ecologista de verdade é o que tem lianas e musgo em lugar de pêlos no corpo e líquens nos poros.

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