Luiz Geraldo Mazza
Todos reclamavam, no campo da política, da falta de tato do governo. Para cobrir a deficiência, uma solução pleonástica redundante: nomearam justamente o Tato Taborda. Respira-se um novo clima, superado o ciclo do triunvirato das cabeçadas regido por Giovani Gionédis, Gerson Guelmann e Fernando Ribas Carli, ao qual se atribui, com o exagero de praxe, o isolamento do governador diante dos políticos e público em geral, em função das perspectivas que se abrem neste momento de definição clara para o posto.
Como o momento é de agudíssima crise, e nela se tem o melhor dos caldos de cultura para a resposta aos grandes desafios, o ingresso de Tato Taborda cria o único e verdadeiro fato novo da reeleição. Tudo o que há de negativo nas ações políticas de Lerner se deve justamente à ausência desse interlocutor: antes de Taborda, já num ciclo de revisão, tivemos os irmãos Luis Alberto e Cândido Martins, habilitados plenamente ao papel e no entanto prejudicados pelo traço transitório das suas designações. Um setor desses não pode visar a próxima eleição ou o semestre, e muito menos substituir a ação política do governador que projeta a imagem de desinteressado nesse campo, quando não existe gestor que possa ignorá-la.
O que se capta no momento em que Pretextato Taborda Ribas entra em ação na Secretaria da Casa Civil, como um canal aberto à comunidade, é o flagrante de um governador, entusiasmado e atuante em levar a seus colegas de outros Estados a proposta do Fundão, o que fez ainda ontem no Rio de Janeiro. É preciso maior densidade comportamental nesse front, em que, na verdade, o governador até aqui vinha apresentando sinais de saturação e tédio, algo jamais compreensível em políticos como Álvaro Dias, por exemplo, e Aníbal Khury em particular. O governante tem que contagiar a sua equipe com energia, disposição de luta e aplicação. Espera-se que estejamos diante de um novo ciclo na carreira de Lerner. Tato agora é claramente o que não falta.
AFORÍSTICO
O Código de Trânsito foi mil vezes mais útil como resposta à realidade do que a Constituição Cidadã do Doutor Ulysses.
BIZARRICE O presidente do Clube Curitibano, Luiz Gonzaga da Motta Ribeiro, está sendo processado porque mandou cortar duas araucárias. Engraçado: bem na frente da casa do governador, no Cabral, tido como um defensor máximo da ecologia, várias árvores de porte foram derrubadas na construção de dois prédios na Avenida Paraná.
AXIOMA Já que o kit polêmico dos primeiros socorros provoca tanta discussão e se trata de atendimento supostamente médico, por que não se chama Kit Abdalla? Isso ao menos é mais elegante do que a sugestão de Millôr Fernandes, meio pesada, para que fosse denominado de kit pariu.
GLOSA Já que o governo quer cortar os descontos em folha para sindicatos e associações, por que não pára de servir de intermediário de bancos e agiotas fornecendo garantias para empréstimos de servidores espoliados com os juros abusivos nessas consignações?
IRONIA Empresas que teriam se comprometido no Paraná a bancar centros esportivos como o de excelência em basquetebol ou o de atletismo, em função da crise, estão tirando o time de campo, apesar do sucesso do Rexona. Agora é a Hortência que ameaça levar a sua turma, campeã brasileira no Rio, para São Paulo e o Corinthians. O irônico é que uma empresa paranaense, já absorvida pela Parmalat, a Batavo, é que oferecerá a grife. Bem-feito para quem só vive de oba-oba. É bom lembrar que também perdemos a Batavo para a multinacional no governo que mais abriu o Estado ao capital estrangeiro.
Mas, como diz o ditado, não adianta chorar o leite derramado. No caso do Paraná dá para fazer a pergunta do anúncio Tomou?. E como tomou.
SPRAY O governador Jaime Lerner desfraldou uma bandeira que já constava de um projeto do deputado federal Luiz Carlos Hauly há sete anos, tratando justamente dos fundões estaduais e municipais. - Hauly previu que no ajuste de contas na hora do final do desmonte, os fundões, via ressarcimento da mudança para o regime único exigido pela Constituição de 88, teriam função relevante para o equilíbrio fiscal. - A repórter Carmem Murara, ao cobrir a greve dos trabalhadores das terceirizadas da Audi-Volkswagen, tomou a iniciativa, por mera curiosidade, de conhecer a origem dos operários: havia apenas um da capital e gente de Santa Catarina, São Paulo, Norte e Nordeste. A amostragem pode não ser expressiva, mas indica que grande parte veio atrás do paraíso da mídia. - Durante longo tempo, três gestões de Lerner, uma de Saul Raiz, outra de Rafael Greca, a massagem cerebral nacional foi mantida. - Mesmo nas gestões populistas de Maurício Fruet e Roberto Requião, especialmente nesta, houve, em rede estadual de televisão, a afirmativa sistemática de que Curitiba tinha a alimentação mais barata, o transporte de menor custo e mais eficiência, escolas fartas e, ainda por cima, facilidades para regularizar invasões. Com isso, obviamente, o pessoal que matava cachorro a grito no interior se deslocou à capital. - O Paraná agora, acertadamente, está impedindo a entrada de animais de Naviraí, Mato Grosso do Sul, em virtude de um foco de febre aftosa. Quando, alguns anos atrás, Santa Catarina - com toda a razão - fez o mesmo com o Paraná, houve uma tormenta de muita demagogia na divisa dos dois Estados com Aníbal Khury e o governador tomando parte nas manifestações inteiramente absurdas.- Publicações nacionais têm se dirigido à OAB-PR por causa da denúncia contra o escritório de Giovani Gionédis. O procedimento, levado ao tribunal de ética, é sigiloso e não pode ser afetado por explorações externas. O denunciante, Luis Fernando Fedeger, distribuiu cópias do requerimento a jornais, revistas, TVs.
FOLCLORE A cafajestice não se renova. Só que no passado não era acompanhada de tanta violência. Uma das gozações mais primárias era, nas sessões de cinema, adiantar o que ia acontecer ou interferir com gracinhas. No filme As duas órfãs, melodrama lacrimoso, uma pessoa bate desesperada a uma porta e chama por Maria e um gaiato, do público, acrescentava não poder atender porque está apurado no WC. Virava uma espécie de happening, já que os guardas ficavam de olho nos gracejadores. Pegando no flagra, no Cine Ritz, o sujeito que respondeu não poder abrir a porta porque estava evacuando, o guarda avisou ao público: Ele vai evacuar lá fora. E o evacuou.
CROMO É mais fácil fazer o poema na infovia do que na areia da praia na certeza de que a maré o apaga.





