Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O mediador tímido
O mediador da briga entre governadores de oposição e a União deve ser temido e nunca um tímido. E Lerner está pretendendo desempenhar um papel, bem intencionado, que não lhe assenta bem. Com um detalhe a seu favor: a moral que o Paraná detém em relação aos demais estados diante da pequenez da sua dívida mobiliária. Mais ainda a tese corretíssima da criação dos fundos de pensão nos governos estaduais como forma de enquadramento nos rigores da Lei Camata e exigências do ajuste fiscal. Todavia não dá: é muita areia para o seu caminhãozinho de potencial político. Basta ver a forma como se acerta com um pito do Aníbal, um muxoxo do Janene e um olhar de soslaio dos Belinati.
Poderia, se suplantasse os pré-requisitos de sua notória falta de energia e determinação. Essa é uma briga em que o Esperidião Amin está mais apto por mil motivos a começar da articulação verbal. Embora em idéias luminosas Lerner seja uma usina e o Amin um monjolo, no papo é fraquíssimo e, com um detalhe radical, não convence.
Se entrar nessa parada e se sair bem terá o meu aplauso como agora apenas há de produzir dúvida e muito ceticismo. De outro lado há na própria oposição gente habilitada a fazer a ponte para a busca de um consenso. Nem todos entraram na do Itamar. O gaúcho Dutra foi aos tribunais pleitear o direito de depositar em juízo as suas parcelas da dívida para resguardar interesses.
A tese da criação dos fundos é corretíssima, pois tiraria os governos dessa asfixia orçamentária, ainda mais se houvesse socorros compensatórios como o Paraná, bem comportado, (não por causa de Lerner, mas em virtude da cultura interna de sobriedade) está pretendendo para capitalizar esse caixa sem o que tudo não passará de um sonho de uma noite de verão do Renato Follador.
A IDIOTICE O pessoal do marketing de Lerner continua delirando: bateu palmas para aquela matéria enorme, de anteontem, no Jornal Nacional, que em nada ajuda o Paraná a não ser o alisar do ego do governante equivocado. Mostrar Curitiba como um paraíso de emprego, como se fez com a picaretagem da ecologia na Prefeitura, é pedir para agravar os dramas urbanos com migração de marginais e de gente inabilitada para as tarefas das montadoras, e também de ingênuos metalúrgicos que porventura se desloquem de São Paulo atrás da fantasia.
Na propaganda da Audi-Volkswagen um detalhe de honestidade: a mão que segura a tesoura que corta a fita inaugural é de um robô. Quem descobriu isso e o fez com risadinhas do Doutor Silvana foi o Cândido Gomes Chagas, o persistente dono da Paraná em Páginas, denominada pelos inimigos de Paranóia em Páginas e que mudará de nome para Brasília em Páginas se Lerner substituir Fernando Henrique, como sonham os áulicos, robôs nos elogios.
A burrice é tamanha que nem cabe analisar. É claro que os que sentem o calor do poder nessas coisas estão anestesiados. Jamais enxergarão o óbvio porque
acreditam na perenidade da empulhação bem urdida.
AFORÍSTICO
Imaginar, como quer o Nego Pessoa, um time sem técnico, é viável, mas jamais a Assembléia sem o Aníbal. Seria como o filme King Kong sem o gorila, uma assembléia empresarial sem o Carvalhinho
BIZARRICE Estão anunciando a volta das Malas Ika. Pergunta-se: e como é que ficou o problema no Banestado e as brigas entre as partes que ganharam o foro?
Fábio Campana, quando redator da Equipe Propaganda, bolou um teaser: Amor de Ika, o amor que fica. E ficou, o que não deixa de ter o seu lado bom, pois se trata de um produto que projetava o Paraná até no exterior.
AXIOMA A vice-governadora Emília Belinati decidiu fazer um raio xis das prefeituras que estão quebradas. Para os puxa-sacos seria um ato de traição à coligação que elegeu Lerner. Traição seria esquecer prefeituras que foram o fundamento-chave da vitória.
Outro aspecto positivo: num governo sabidamente monolítico, que não tolera qualquer tipo de crítica, ações como essa da Emília e algumas (nem todas) do Aníbal Khury ajudam a desasnar.
GLOSA A matéria da Globo sobre a Audi-Volks é uma nova etapa de marketing. Primeiro tivemos o da ecologia e agora de algo oposto: as montadoras que sempre trazem algum gravame para o ambiente. No caso da ecologia havia mais eco do que lógica e agora a expectativa de empregos que provocarão mais inchaço na periferia. Os 160 mil desempregados endêmicos da Grande Curitiba olham o anúncio com a mesma naturalidade com que um índio ou um caiçara vê a passagem de um avião a jato.
SPRAY Vem aí uma bomba: na onda das revisões judiciais sobre os vários planos (Verão, Bresser, Collor), a perspectiva de um mutuário (mortuário, na verdade) da Caixa Econômica ter a redução da prestação de R$ 3 mil para menos de R$ 300. - Incrível, fantástico, extraordinário: desapareceram os avais de uma incorporadora de imóveis que deu um estouro de R$ 20 milhas na praça e que constituíam a garantia de um banco. Entre os ais, lá se foram os avais. Dá até para parodiar o slogan de Requião prefeito: Avais, nunca mais. - Valdir Leal, o Tabaco, entrou com uma ação rescisória contra o senador Requião no Tribunal do Trabalho da 9ª Região. É que até agora malograram as tentativas de provar vínculo empregatício. Valdir está obcecado com o senador de tal forma que botou em seu carro uma faixa: Muito Obrigado, Paraná. Tabaco. Sutileza é referente à derrota de Requião, não à vitória de Lerner. Fidusca em pó, Maria Sororó - diziam os antigos para os que rogavam praga. - O Ópera Rio, código que os maridos usavam para despistar que iam à Sociedade Operária Beneficente e Protetora dos Operários, comemora dia 28 seu 116º aniversário. É uma instituição curitibana por excelência. - A síndrome Monica Lewinski volta a ameaçar os meios políticos do Paraná com denúncias de cachos, amizades coloridas de figurões. Moralismo e chantagem se equivalem: sórdidos!
FOLCLORE Sobre o Ópera Rio, Operário, há histórias geniais como a de uma burguesa que foi ao festival de gays no Carnaval e, é claro, com a máscara cobrindo-lhe o rosto. Excitada, ao aproximar-se do balcão com o marido, viu um amigo de Clube Curitibano com uma mulataça e fez questão de aproximar-se. O cara que estava com a mulata foi dizendo: Fulano, sempre trocamos de mulher quando um tem vontade. E já foi se atracando na cintura da dama encabulada e constrangida.
CROMO Talhou o leite, coagulou o sangue e a seiva que me mantém é seu amor.





