Politicamente do governo Lerner o que se pode dizer é que, antes de qualquer coisa, é ruim de reflexo, isto é, parece ter notórias dificuldades neurológicas na hora de responder a um agravo, conquanto ágil no momento dos elogios. Como esses são mais frequentes do que aqueles dá impressão de normalidade, o que é complementado pelo exército de áulicos em seu costumeiro ritual de massagens no ego do governador.
Lerner, que exerce com razoável talento o frasismo de humor tem uma tirada muito boa sobre as suas deficiências em debates: ‘‘Se eu for para confronto com Requião só respondo amanhã ao ataque de hoje; o Rafael Greca replica na hora, instantaneamente’’. O reconhecimento dos próprios limites não deixa de ser uma qualidade, embora às vezes possa parecer falsa humildade.
Tanto no desafio feito por Belinati - oportunista porque enquanto seus parentes permaneciam no governo não houve reclamação - quanto agora no caso dos precatórios a lentidão foi de irritar. Parece que o núcleo operativo do governo está justamente naqueles setores que os políticos chamariam de tecnocráticos para usar um clichê ao gosto dos corretores da esperança: além dos ministeriáveis como Ficinski, Miguel Salomão e Alex Beltrão há a atuação surpreendente pelos resultados obtidos (ganho em produtividade nas escolas pelo uso da maximização dos quadros com o que foi reduzido drasticamente o número de professores e radicalmente os dos contratos temporários) de Ramiro Wahrhaftig na Educação.
A perda de Cássio Taniguchi, também ministeriável, aleijou o setor político porque era quem falava pelo governo ao interior. Embora numa pasta de traço técnico era o mais ‘‘político’’ de todos e nesse tempo não se sentia como agora a ausência do governador nas cidades, justificada em parte pelo acidente que sofreu em Londres por não saber como qualquer brasileiro onde está hoje a direita e a esquerda.
No encontro de ontem com a delegação do setentrião, chefiada por Farage Khouri, um empresário de abrangente representação e que por isso pode falar pelo norte mas com a noção de quem se expressa pelo conjunto, nutrida pelo lançamento da fábrica de café solúvel da Macsol em Cornélio Procópio, chegamos a uma lista de reivindicações que exigiria o filtro do planejamento para uma visão de prioridades. O importante, porém, é o diálogo maduro, ainda que não dispense mesuras e rapapés.
A lentidão do governo nas respostas políticas e administrativas é chocante e explica o fato de Belinati ter ficado tanto tempo flutuando no noticiário e, usando as bandeiras de oposição que em seu radicalismo mal dissimulavam ressentimentos que não mais se justificam, até porque estamos hoje, como diria Sartre sobre a liberdade, condenados à integração e à unidade. Não apenas o norte - e nós o temos representado por mais de um, do pioneiro ao novíssimo - mas outras áreas geoeconômicas devem lutar pela remoção dos desníveis que, como tenho dito, ameaça a nossa unidade, por exemplo, pelo adensamento da concentração industrial no eixo Curitiba-Ponta Grossa. Desconcentrar apenas na chamada Região Metropolitana não resolve, conquanto poupe Curitiba da saturação. Pode-se fazer isso sem demagogia e emocionalismo como deu para percebê-lo ontem.
BIZARRICE - Mais uma irreverentíssima do advogado e anarquista Elísio Marques: ‘‘Requião na televisão falando para o Brasil; Lerner na televisão falando para Cornélio Procópio; Álvaro Dias falando na televisão para o próprio umbigo. E Maluf na praça falando pelos cotovelos! Historicamente, o Paraná tem a vocação para pagador de tropas e tropeiros...’’
SPRAY - O asfalto entre Nova Prata do Iguaçu e Salto Caxias acirrou disputas microrregionais com Três Barras do Paraná e Quedas do Iguaçu. No calor das divergências sugeriram que aquela ligação foi prioritária para favorecer o secretário de Transportes que tem fazenda nas proximidades quando ela existe desde 1972, época da reivindicação municipal, mal se iniciara a sondagem nas rochas pela Copel. - Esse tipo de disputa é inevitável como também o uso da malícia como se fez contra Paulo Pimentel por ter feito o que chamavam de estrada do sogro ou a acusação de que a autoestrada Curitiba-Paranaguá teria privilegiado a família da empreiteira Lisímaco Costa. - Só faltou alguém contra Requião insinuar que teria duplicado a São José-Garuva porque a família tem casa na praia do Grant, ainda bem distante do trecho beneficiado. - Mais uma vez o ministro Stephanes ‘‘quebra a cara’’ ao enfrentar um seminário de idosos. Acabou saindo do recinto como aconteceu na outra ocasião, anos passados, quando foi cobrado pelo fato de ter se aposentado com 41 anos na prefeitura de Curitiba. - Dossiê de gastos do governo com a mídia provocou frisson na Assembléia ontem. O doutor Rosinha e Romanelli fizeram a onda. Obviamente muito pouco vai ser publicado ou insinuado. Deputados aparecem como contemplados na condição de donos de rádios. Vereadores também.- A CPI dos picaretórios, imaginada, não sai. - Para atender parte da demanda do estudo de línguas em função do novo quadro com as montadoras, o Senac dá cursos a partir de 10 do corrente de inglês, francês e espanhol. - De 10 a 14 no Senac cursos de iniciação em qualidade total, Imposto de Renda (pessoa física), gerência do trabalho, matemática financeira no horário das 19 às 22 horas.
FOLCLORE - A polícia do Paraná é a piada: depois de fazer um auê com a gangue de assaltantes de bancos, flagrados por circuíto interno de TV, deixaram a rapaziada fugir. O jeito é colocar TV na Furtos e Roubos para ver ao menos como se consegue escapar. Prender a atenção não é função principal da área.

mockup