Não dá para comparar as dimensões do Banespa com o Banestado. Mesmo contando com um líder mais afirmativo do que o nosso e até mais próximo do presidente Fernando Henrique, Mário Covas, não pôde evitar a federalização do banco e que já apresentou resultados surpreendentes, como se viu com o valor de suas ações na Bolsa de Valores. Seus papéis tiveram alta superior a 70%, o que é um feito excepcional quando o índice Ibovespa das ações mais negociadas recuou 33,5%.
Pergunta-se: se a solução ‘‘federal’’ foi tão eficiente ao ponto de o banco apresentar balanços surpreendentes por que se insiste num processo rápido de saneamento, como o até aqui imaginado para o Banestado e submetido ainda aos rigores de um cronograma apertado, já que se imagina a sua privatização para julho? Quais os ganhos, além dos de ordem política, que teríamos com essa solução que o governo estadual defende com tanta veemência, ainda que revelando uma lentidão para resolver as preliminares, nas quais se percebe uma luta surda por áreas de influência dentro do sistema?
Sobre o Banestado não é conveniente fazer perguntas porque as respostas são evasivas, como se percebe no caso concreto das inúmeras irregularidades da Leasing e da Corretora, só para falar nas mais conhecidas, isso sem contar as trapalhadas inconcebíveis constantes das atas de reuniões de diretoria que ganharam mais do que o registro na Internet, o que faz de tudo um segredo de Polichinelo, sem falar na publicação dos eventos no Diário Oficial do Senado por obra e graça da ação tumutuária do senador Roberto Requião.
Quem fará o monitoramento dessa operação saneadora que deve ultrapassar os R$ 4,1 bi, como já se sugere e tal qual se deu com todos os estabelecimentos que ficaram sob regime de gestão especial em função da injeção de recursos do Proer? Se é verdade que neste governo é que foram descobertas e processadas as barbáries da Leasing não se pode negar que os episódios lamentáveis se deram durante a sua vigência. Como a frouxidão ocorreu sob o comando desses agentes, posto que envolvendo um circuito muito específico, não se deve estranhar que o Banco Central seja mais zeloso em cima do assunto do que desejam os políticos, muitos dos quais eram adeptos notórios de que tudo deveria continuar como sempre, ao ponto de alguns deles estarem sonhando ainda, mesmo depois da ação saneadora, em manter a velha estrutura viciada na condição de banco público.
A designação de Reinhold Stephanes para a diretoria melhora o cenário, sem, no entanto, desanuviá-lo. O fato é que a divulgação dos resultados exitosos do Banespa induz à reflexão de que o caminho adotado tem menos acidentes do que o até agora trilhado pelo governo estadual em suas negociações com a União e o Banco Central e que corre o risco de não chegar a bom termo em virtude do ritmo lento e confuso das providências adotadas. A tese da federalização, que chegou a ser encampada pelo senador Roberto Requião na Comissão de Assuntos Econômicos, ganhou alento com o desempenho do Banespa e não há como negá-lo.

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