O chargista Chico Caruso, de ‘‘O Globo’’, deu um saque sensacional sobre a CPI dos títulos estaduais: Maluf e Espiridião Amin seguram a corrente que contém Rex, um cão bravio que se aproxima de uma árvore onde se esconde, lá no meio das folhagens, Celso Pitta. O cão tem todos os traços do senador Requião e na legenda o alertamento dos dois pepebistas ‘‘Volta, Rex!’’.
Pelo jeito eles não conhecem o Rex, que aliás é rei em latim, mas cuja volta, pelo menos a desejada, é outra: ou para o governo estadual ou para nova aventura presidencial, depois de haver surfado nas ondas da CPI como seu relator. E é com os olhos voltados para esse objetivo que o senador tende a faturar o máximo, mesmo quando força e distorce as coisas como no empenho em enquadrar o Paraná no itinerário das investigações. Na medida em que o governo estadual se revela fraco para encará-lo dá novos nutrientes às suas arremetidas.
Embora Espiridião Amin tente de todas as formas mostrar-se indiferente ao risco de um sacrifício de Pitta e do próprio Maluf, já que ambos se envolveram na questão dos precatórios e o PSDB até quis usar a matéria na campanha, de todos os que estão aparecendo, pelo menos em frequência na mídia, Requião é o menos interessado em preservá-los. Isso não cabe no seu estilo, pois não hesitou em atribuir tanto ao Senado quanto ao Banco Central responsabilidade abrangente na patologia ora parcialmente purgada.
Se Espiridião juntamente com Kleinubing, derrotados no último pleito em Santa Catarina, fazem um empenho até no sentido do ‘‘impeachment’’ do governador Paulo Affonso, conquanto essa prerrogativa seja do legislativo estadual, o que dá ao episódio uma característica de terceiro turno via ‘‘tapetão’’, Requião não tem nenhum motivo para deixar de enquadrar no relatório final tanto Pitta quanto aquele auxiliar que dava o caminho das pedras. Mas tem mais razões para fazer isso com aquelas pessoas do que com o governador e instituições locais, o que não lhe retira o direito de investigar tudo a fundo, sem precipitar, no entanto, juízos de valor, o que não pega bem, pois presunção não é prova.
BIZARRICE - Dalton Trevisan encontra na livraria do Chaim alguns intelectuais, entre os quais Luis Roberto Soares e faz observação aguda: ‘‘O Fábio Campana está querendo ser o nosso Castelinho, especializando-se em escrever sobre o nada’’. Castelinho é o mais famoso colunista político do país e o nada é a política para a qual Dalton olha com desprezo.
Numa coisa, Dalton tem razão: não há lugar para a clonagem como a política. Nem na literatura há tanta mesmice. Aliás sobre mesmice outro intelectual vai falar: Arnaldo Jabor sobre o fenômeno no mundo empresarial.
SPRAY - Se os títulos dos Estados eram livremente negociados não será fácil estabelecer conexões com fraudes. A Corretora Banestado, por exemplo, operou com títulos de Alagoas, Santa Catarina e outras unidades. - Já as operações da Leasing Banestado, há muito sob vigilância do Banco Central, causarão um rombo nas finanças públicas em casos paradigmáticos como o de um shopping de Maringá e em outras intervenções como as de obtenção de capital de giro para empresas. - Incrível: ganhadores de um mandado de segurança contra o legislativo além de não verem a decisão cumprida (tratava-se de promoção para procurador) tiveram a decepção de ver a Casa beneficiar outras pessoas do agrado político da Assembléia. - Também até agora o presidente da Assembléia, Aníbal Khury, se obstina em não atender matéria transitada em julgado na instância superior e beneficiando servidores. - Como esses exemplos frutificam, o presidente do Tribunal de Contas, Artagão de Mattos Leão, se recusa, de forma obstinada, ainda que admoestado do delito de desobediência por um desembargador, a cumprir decisão que coloca fora do redutor as vantagens de caráter pessoal a diversos funcionários, o que já constitui jurisprudência pacífica. - Não bastassem as suspeitas levantadas na CPI dos títulos sobre o Banestado, os sindicalistas partem para operação concentrada de denúncias contra o que classificam de regime do ‘‘terror’’ com a redução da carga horária dos funcionários, o que tornou o banco ainda mais deficiente e com sacrifício pesados aos trabalhadores com a perda das horas extras. - Cássio Taniguchi só tem um meio de botar ordem na circulação em Curitiba: tornar o IPPUC mais responsável e endurecer a batalha contra as concessões de alvarás como os que beneficiaram colégios em ruas como a Dr. Pedrosa, Visconde de Guarapuava e 13 de Maio e que produzem engarrafamentos incontornáveis.
FOLCLORE - O radialista José Wille entrevistava o geneticista Newton Freire-Maia sobre a clonagem e o mestre achava o feito da reprodução da ovelha Dolly surpreendente e importante, mas se opunha à manipulação genética com seres humanos. Wille, ao ser lembrado de que havia uma clonagem de instituições no campo da política, visível na reprodução de discursos e comportamentos, disse que nesse aspecto os parlamentares com seus excessos de servidão lembravam ovelhas de presépios, a carneirada da ratificação, independentemente do governo de plantão.
CROMO - Por que não trazer de volta, quando se fala na clonagem, dos animais e plantas em extinção? Cadê as frutinhas silvestres, como o São João que tinha a forma de um balãozinho, e que alimentava passarinhos ou o ‘‘veludo’’ uma cereja rústica de folhas sedosas? Se prestassem para a industrialização como a goiaba, o caju, o marmelo, a banana persistiriam por certo.

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