Luiz Geraldo Mazza
Sutileza inexistente
Não se deve usar tacape em jogo de peteca. Esse é um saque antigo meu, ainda não patenteado e que gostaria de vê-lo folclorizado pela lição moderadora que comporta. Alguns têm essa noção, principalmente na política e na diplomacia; outros, nem tanto.
Vamos a vários episódios: ontem, no Senado, Requião, comentando o problema das supostas contas do tucanato nas Ilhas Cayman, referiu-se a uma situação parecida em que uma revista nacional o teria envolvido e que respondeu com uma procuração autorizando a editora a retirar o depósito referido. E concluiu, bem no seu estilo: era isso que os acusados deveriam fazer. Quase uma sutileza, que não deixa de ter seu lado pedagógico.
Essa mini-guerrilha entre Cássio Taniguchi e Aníbal Khury, que nem deveria existir pela simples circunstância de que nem o prefeito deve meter-se na eleição da Câmara Municipal e muito menos no Legislativo estadual e da mesma forma o guru que, afinal, conforme a versão corrente, acumula poderes. Já se deu explicação ao caso: o deputado Marcos Isfer teria ido, no entusiasmo do aureolado da última eleição, a Aníbal para levar-lhe solidariedade no seu projeto de reeleição, vitorioso, obviamente, e andou dando alguns palpites, ainda em função da euforia, na formação da chapa. Foi o suficiente para que outros políticos dessem a Aníbal a versão de que Cássio estava invadindo a sua área. O repique veio imediato e, em meio às especulações, sugeriu-se que o Edde Abib, vereador, encabeçaria outra chapa para combater a de Derosso.
Já houve dois almoços para aparar arestas criadas pelas especulações. Aníbal faz do diálogo a sua missão, ainda mais quando tem almoço ou salgadinhos no meio. Essa ligação entre a trama política e a degustação é muito bem resolvida na casa do Turco: ele tem à mesa uma espécie de carrossel com doces e salgados que é um instrumento indispensável no seu café da manhã, quase uma comunhão (não há irreverência na comparação, muito menos heresia), pois os que o procuram parece que oram pela amizade e pela saúde de Aníbal.
Assim o jogo é de peteca, mas quando há a resposta (e já está provado que o prefeito nada tem a ver com a manobra para antecipar as eleições da Mesa da Câmara Municipal) como foi dada a impressão que o lance é de tacape e não de um exímio jogador da política e conhecedor, como poucos, da arte da sinuca.


INDISPENSÁVEL
Sutileza, eis a matéria inexistente em nosso meio político. E ela se revela indispensável para a educação de todos



AXIOMA A APP Sindicato quer derrubar o secretário da Educação. É mais fácil trocar uma autoridade numa democracia do que a direção sindical, que é resistente às mudanças porque se acredita incontestável e, além de tudo, um vetor da história sem o que a civilização não anda.
GLOSA Por sinal que ontem, no encontro da APP, deputados e governo houve algum avanço, ao menos teórico, em relação aos descontos da contribuição sindical, reivindicação legítima, ainda que decorrente do clima de retaliação de lado a lado. A Secretaria da Educação propôs uma consulta direta ao professorado para saber o que achava do desconto. O Sindicato percebeu que isso poderia lhe ser prejudicial e não aceitou, pois a negativa dos descontos poderia ser olhada como uma rejeição às ações do comando da APP.
BIZARRICE Duas pessoas discutiam na Boca Maldita sobre a chuva de meteoros que se dará hoje, na constelação de Leão, entre 15 e 20 horas. Um deles imaginou: ‘‘Que tal o Rafael Greca no meio dessa festa cósmica?’’
SPRAY Ramiro Wahrhaftig pediu há seis meses ao governador para deixar a pasta da Educação por pretender voltar ao seu trabalho na Pontifícia Universidade Católica, onde trabalha há dezoito anos. - Sabe que isso poderá ser interpretado como uma derrota para a APP-Sindicato, cujos dirigentes pediram sua cabeça, como sempre faz historicamente com todos nos momentos de tensão, como disputa salarial, greve, briga pelo Estatuto do Magistério. Mas não se importa, entendendo que valeu a pena diante dos avanços conquistados. - Em função do seu trabalho, Ramiro foi eleito presidente do Conselho dos secretários da Educação do Brasil e ainda exerce essa coordenação, inclusive agora no momento de lutar pelo abrandamento dos cortes em função do ajuste fiscal. - Em duas reuniões que hoje devem ser complementadas, busca-se resolver o corte das contribuições sindicais. Diz-se que os deputados é que pediram esse tipo de retaliação, mas com a presença de representantes parlamentares, como está acontecendo, pode-se chegar a um acordo. - É legítimo um dos pleitos do magistério: o de que o Pladep não seja levado à discussão nas férias, quando há desmobilização. Aníbal Khury prometeu atender essa aspiração classista.
SURREAL Vejam o que os astronautas perderam por não permanecerem no espaço sideral: hoje, de 2 mil a 10 mil meteoros por hora, a uma velocidade de 250 mil km horários, saídos das caudas de cometas, ingressam, fulgurantes, na atmosfera. O último feito dos elementos que chegou a Curitiba, fora dois eclipses, foi a neve em 1975 que fez nosso povo soltar a franga, solidário, executivos do Bamerindus trocando bolas de neve, num pastelão glacial na Avenida Luís Xavier, com lavadores de carros e engraxates. Nunca mais fomos tão humanamente poéticos. Hiberna em nossa memória o povo ao avesso, alegre como o nordestino em relação ao sol e às suas praias de mar verde opala.
FOLCLORE Renê Dotti, o jurista, é um ator recolhido. Narra historietas de teatro com extrema graça. Uma das mais curiosas é a de uma cena em que um ator era esfaqueado e carregava uma bolsa de tinta vermelha sob o peito. Na facada, a bolsa caiu no chão do palco. Houve o aturdimento, aqueles segundos de espanto e paralisia. O ator esfaqueador se abaixa com o punhal e fura a bolsa, enquanto espirrava ‘‘sangue’’ pelo chão e ele gritava vitorioso: ‘‘Não me escapas, consciência!’’
CROMO ‘‘Dizem que vivo nas nuvens// Porque sonho com outro mundo.// Meu sonho é lindo e profundo,// Pois sonho com outro mundo.// Meu mundo é de paz, alegria e felicidade.// Tomara que um dia se torne realidade!’’ Poeminha de Lilian Tibaldi Bueno, 4ª série, Telêmaco Borba, na antologia do ‘‘Palavrinha Viva’’, que apurou talento literário dos alunos do primário do Positivo.
AFORÍSTICO Uns 50 mil trabalhadores deixarão de receber o 13º de empreiteiras e prestadoras de serviço do governo estadual por atraso de quatro meses dos seus créditos. Vejam como a economia privada ainda depende do governo.

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