Luiz Geraldo Mazza
Furúnculo e folha gorda
O governo tem vários furúnculos que latejam. No Banestado, muito antes de descobrirem o ‘‘grampo’’, havia vários deles identificados na Leasing e na Corretora, isso sem falar em situações mágicas como a da indústria Malas Ika, em que o governo assimilou o pepino. Com a divulgação das atas do banco, primeiro pela Internet e depois pelo Diário Oficial do Senado, por iniciativa de Requião, percebe-se um caso muito concreto de furunculose dispersa. Em medicina isso se dá quando o paciente, por descuido na higienização dos tumores superficiais, acaba contaminando outras áreas do corpo.
Na medicina caseira de antigamente, quando não havia produtos heróicos como os antibióticos de largo espectro, para ‘‘puxar’’ a tumefação usava-se duas coisas: a pomada de basilicão e a folha gorda, esta típica do trato de caráter alternativo. ‘‘Espremer’’ um furúnculo, conforme a localização e profundidade, é um tormento, o que dá bem uma idéia de quanto isso se torna mais complexo quando, alegoricamente, se dá numa corporação bancária.
Mas o apostema que pulsa e que vai dar muita dor de cabeça ao governo é o dos gastos com propaganda. Não entra na cabeça de nenhuma pessoa normal que haja um gasto como aquele certificado pelo secretário de Comunicação Social, Jaime Lechinski, fartamente explorado na campanha eleitoral, mas nem assim em qualquer momento respondido, de R$ 334 milhões em menos de quatro anos. Na 3ª Vara da Fazenda Pública, corre um processo movido pelo infatigável eremita, Florisvaldo Fier, o Doutor Rosinha, e a Justiça já solicitou ao Executivo o detalhamento desse gasto até agora não respondido.
Também a diretoria do Sindicato dos Jornais e Revistas, em nota pública, assinada por seu presidente, o jornalista Abdo Aref Kudri, estranhou a certidão e o montante porque para os veículos impressos o dispêndio não teria alcançado 10% daquele total. No documento alegou-se a imperiosa razão do acesso à informação, fundamento essencial do regime de opinião pública, para que o governo esclarecesse a questão, o que não fez na campanha eleitoral, por motivos óbvios, e que até agora igualmente não atendeu a solicitação.
A justiça vai fazer drenar o apostema: o esclarecimento virá de qualquer jeito, queira ou não o governo. Não se trata de uma exigência de curiosos ou de adversários circunstanciais do poder, mas de toda a sociedade. Se houver apenas prodigalidade, o que não impressionará (afinal, a lista dos sete conselheiros substitutos está aí para confirmar a insensibilidade com a gastança), será apenas pecado venial, afinal, trata-se de uma ‘‘cultura’’ do grupo, mesmo quando o nó financeiro obriga a ir buscar grana no BNDES para pagar o 13º do funcionalismo, os alugueres de prédios e alguns dentre os muitos prestadores de serviços e fornecedores.
A opinião pública é o basilicão e a folha gorda para o caso. Afinal, a eleição já passou, não há mais riscos de desgastes políticos e não é luxo exigir-se um mínimo de transparência.

AFORÍSTICO
O segundo governo de Lerner pinta uma semelhança com o de Lupion. Só que naquele as denúncias eram injustas, como ficou provado.


AXIOMA Por falar em Malas Ika, o jornalista, então na área da propaganda, Fábio Campana, produziu um texto que tinha a frase radical ‘‘amor de Ika, amor que fica.’’ O dono da agência despediu o criador, mas agora quem sofre prejuízos é o governo, via Banestado, com a criatura. O fato é que há muito amor pela Ika, daqueles que fica.
GLOSA O estudante que ficou pelado na rua conseguiu o que queria ao levar o tema para os meios de comunicação. O João Carlos, que encaminha quadrinhas para a rádio CBN, assim glosou o caso: ‘‘Andar nu e circulando// nem protesto, nem baixeza// É um pacote do Fernando// para reduzir a despesa//.’’
BIZARRICE Vamos a outra charge em cima do strip-tease, esta de autoria do advogado e anarquista Elísio Marques: ‘‘Depois do Julian (do PT), anistiado pela juíza Sônia Regina de Castro, e do guri pelado nos ‘outdoors’ censurados, pintou (sic) agora o Peladão da Boca Maldita. Parafraseando Plínio Marcos: ‘Três pelados numa urbe suja’.
FAXINAL Quem se liga em Faxinal do Céu de 26 a 28 deste mês é o Ministério Público e que trará entre outras figuras o senador Roberto Freire (‘‘O papel da nova esquerda’’), deputado federal Jarbas Lima, RS (‘‘As reformas constitucionais e o Ministério Público’’), ministro do STJ Felix Fischer (‘‘Prova ilícita’’).
Está aí iniciativa meritória: a utilização das instalações da Universidade do Professor para simpósios e ‘‘cursilhos’’ de outras áreas.
SPRAY Uma guerra pesada no interior da GBOEX entre grupos que desejam dominá-la. O coronel Péricles da Cunha mandou um manifesto aos associados com o título ‘‘GBOEX, um novo MFM?’’.- Tanto o GBOEX como o Montepio da Família Militar deveriam ser lembrados na hora em que tanto se aposta em formas, as mais variadas, de previdência e montepios privados.- Neste sábado a Loja Maçônica Verdade Real faz seu IX Encontro de Estudos no Grande Auditório do Edifício Castelo Branco (Centro Cívico), com apoio do Grande Oriente do Brasil e mais da Universidade de Londrina, com os conferencistas Marcos Coimbra, da UERJ e Escola Superior de Guerra, e Mário de Almeida, da UEL.- Abaixaram o grau mínimo de 6 para 5 para que fosse alcançada a quota mínima de 200 classificados na prova preambular do concurso para promotor substituto. Se isso não acontece passavam na ‘‘peneira’’ apenas 45.- Próximas aposentadorias no TJ: os desembargadores Antonio Schiebel e Luiz Perroti. Diz-se que com a aposentadoria do desembargador Ronald Accioly teremos a primeira mulher no posto com a desembargadora Regina Portes.- A vulnerabilidade do Banestado à espionagem interna é antiga e normalmente atribuída aos próprios funcionários e agora chegou ao auge com o processo de saneamento e privatização. O fato de as atas internas terem chegado às mãos do senador Requião não impressiona, mas há quase um ano se fez uma varredura na área, não se compreendendo como tenha surgido o mais recente ‘‘grampo’’ denunciado por Neco Garcia.- Tony Garcia ganhou sua pendência, em primeira instância, contra a revista ‘‘Veja’’ e sua publicação regional. A editora foi condenada a pagar, na ação de reparação de danos, 500 salários mínimos ao ofendido, mais o dispêndio com resposta publicada na imprensa e custas judiciais.-
FOLCLORE Guardas municipais teriam feito um banquete com animais do Museu de História Natural, sacrificando três cotias. Seguiram ao pé da letra o dito popular à sua maneira: ‘‘paca, tatu, cotia sim’’. Não respeitaram nem animais empalhados. Imaginem se a moda pega no Passeio Público e no Zoo.
CROMO A televisão tornou o cinema uma banalidade. Já não é mais aquela catedral mundana do passado em que os jovens se imaginavam inseridos na trama como em ‘‘Rosa Púrpura do Cairo’’, de Woody Allen.

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