Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Retaliação fiscal
O que está acontecendo no Rio Grande do Sul certamente se repetiria no Paraná na hipótese de uma vitória oposicionista: empresas de porte, beneficiárias da lei de incentivos fiscais, ameaçam abandonar a região se houver revogação do que foi concedido. Petistas e o próprio governador Olívio Dutra dizem que não cumprirão a medida. Ocorre que o PT é minoria: hoje tem 19 deputados e continuará na próxima legislatura com 20. Pretendem, no entanto, criar o fato político, sob o fundamento de que oferecer incentivos a megaempresas é um achincalhe à maioria das organizações pequenas e médias.
Se olharmos os resultados eleitorais com atenção e os descuidos de Requião em escolher o foco adequado para as críticas (Banestado e especialmente a falta de segurança), estivemos muito próximos da situação gaúcha, conquanto não se possa comparar o padrão de política deles e o nosso, especialmente no que diz respeito ao Partido dos Trabalhadores, que tem enraizamento forte na sociedade e quadros treinados como aqueles que vêm administrando Porto Alegre.
A negativa de incentivos à laminadora do Grupo Gerdau está levando o presidente da organização a ameaçar deixar o Rio Grande do Sul. Esperidião Amin, de Santa Catarina, que andou fazendo críticas ao tipo de desenvolvimento industrial do Paraná, já acenou com o interesse de atrair os possíveis desgarrados do território vizinho.
A guerra fiscal, mal gerida pelo Conselho de Política Fazendária, Confaz, é um dos pontos abrangidos pelos desdobramentos do pacote fiscal. Renúncias tributárias são incompatíveis com regras mínimas de racionalidade e de ajuste como o proclamado, da boca para fora, pela União. O próprio estado-membro deveria ser contido em sua ansiedade porque tudo isso acaba onerando toda a sociedade de uma forma direta ou indireta.
Fatos consumados, no entanto, como os protocolos do Paraná e dos gaúchos, geram direitos e a sua revogação não é tão simples, como querem fazer crer os oposicionistas. De outro lado eles têm obrigação, os oposicionistas que chegam ao poder, de reafirmar seus compromissos.
Mesmo que Requião vencesse aqui no Paraná, em que pese o seu autoritarismo, não teria maioria para obter os resultados desejados. Faria o tumulto e é o que Olívio Dutra, bem mais sério e articulado e também mais consequente nas suas posturas políticas e ideológicas, poderá fazer, ainda que remando contra a correnteza da maioria parlamentar. No caso paranaense há aspectos positivos na chegada das montadoras e outros empreendimentos porque rompem a tradicional dependência ao pólo paulista, mas é de reconhecer-se que isso ocorre num momento em que quebram empresas regionais ou que são obrigadas a fundir-se com o capital estrangeiro.
O debate é válido porque pode resgatar uma tonalidade fundamental no processo de desenvolvimento - a do interesse nacional e regional - obscurecida pela onda agalinhada dos que apostam tudo na dependência externa, sob o fundamento de que não existem outras opções. Verdade mandamental, que é colocada como fato decorrente de mais um determinismo confessional, do neoliberalismo, ainda não testado em profundidade, tal qual se deu, em passado recente, com o socialismo real no leste europeu, que se cria fundado na profecia de Marx e Engels e um empurrãozinho, pedagógico, de Lênin. E que deu no que deu, como se dará também com a verdade revelada da moda, cujos sinais ocorreram na Ásia e Rússia.
AFORÍSTICO
Segundo Rubinho Ferreira, a viatura policial de Guaratuba perde a corrida para uma bicicleta, qualquer uma delas, mesmo a magrela antiga.
AXIOMA A propósito, há uma piada: a de que a Rússia quase conseguiu seu objetivo maior do passado com a economia de mercado - o de acabar com o capitalismo ao experimentá-lo em sua forma incipiente. Se isso acontecesse estaríamos diante do similia similibus curantur da homeopatia.
GLOSA Lerner se elegeu com menos de um terço do eleitorado (22,44% nulos e brancos, 21,12% de abstenção). Como não é católico, não se obrigou a ficar com um terço (rosário) de orações à mão para não perder.
BIZARRICE Rafael Greca é estrela demais. Foi ao programa do Paulo Henrique Amorim e deitou e rolou. Observação dos bastidores: não é estrela, mas um cometa no sentido literal da palavra.
APELIDO Em Paranaguá (e isso pode repetir-se em todo litoral brasileiro) havia um empregado da padaria Torres que tinha um dos olhos fechados e seu apelido era Pontaria, como se com sua postura visasse um determinado alvo.
SPRAY Pedro Ribeiro conta, em sua coluna, que há baralho marcado no pedágio das rodovias federais. Pergunta-se: quando não há, tanto nas federais quanto nas estaduais?- Desta feita pretende-se cortar as médias e pequenas empresas (o sistema é assim mesmo, apropriado ao nosso capitalismo tardio e selvagem). Requião, quando governador, teve uma qualidade: abriu o mercado aos pequenos e médios, facilitando esse acesso.- Nem sempre uma licitação, respeite-se o velho trocadilho, é uma ação lícita. Dá para lembrar da concorrência acertada da Ferrovia Norte-Sul, governo Sarney, denunciada por Janio Freitas que, com isso, ganhou um Prêmio Esso, ao dar em código, em anúncio classificado, o resultado da licitação. E depois os empreiteiros foram mantidos com a simples mudança dos lotes.- Uma empresa do Paraná está vetada pelos organismos internacionais que financiam estradas pedagiadas.- Por falar em estradas, uma pergunta: o governo continua fazendo o papel de tolo quando toca uma rodovia, não exigindo a doação, em documento público, das áreas próximas da faixa de domínio? O curioso é que na gestão Richa se denunciou a existência de duas advogadas, paqueras, que percorriam as estradas e pegavam procurações e depois acionavam a Maria Joana, o Erário Público, que responde, aliás, por grande parte dos bilhões em precatórios devidos pelo governo estadual.-
FOLCLORE Sete eram as pragas do Egito, sete as colinas de Roma, sete os pecados capitais, sete eram os samurais, sete os anos de pastor que Jacó serviu a Labão para botar a lábia em Raquel, sete serão os beneficiários do trem-da-alegria de Jaime Lerner no Tribunal de Contas e sete, certamente, serão os anos de prodigalidade do governo paranaense porque no oitavo, se a cabala funcionar, o Lerner vai ser candidato à Presidência, provavelmente numa campanha fulminante de sete dias. Vão pintar o sete na casa do chapéu!
CROMO Antes mensagem de amor era a canivete nas árvores, agora sai a piche no muro ou gritada numa faixa publicitária. Na Internet, a rimada e o acróstico pegam muito mal. Oscilamos, pendulares, entre a rosa e a célula fotoelétrica.





