Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Governo banana
O governo paranaense é banana, mole, frouxo na defesa dos interesses do Estado. Essa é uma conclusão óbvia que se percebe historicamente pela perda seguida de batalhas ora com Santa Catarina, com Rio Grande do Sul ou São Paulo. As evidências são claras nas coisas mais corriqueiras: das universidades estaduais, que não foram federalizadas (Tarso Dutra, gaúcho, com uma tacada, passou o terceiro grau daquela unidade federativa para a União) ao caso escandaloso do Hospital de Clínicas, o único hospital-escola do País, que não tem o pagamento do seu pessoal aos cuidados da União. E vejam bem que tivemos, tanto na pasta da Saúde quanto na de Educação, ministros da terra de 54 para cá: Aramis Athayde, Luis Carlos Borges da Silveira, Alceni Guerra na primeira, e Flávio Suplicy de Lacerda, Ney Braga, Euro Brandão na segunda.
Agora estamos sob risco novamente na questão dos limites do mar territorial por causa dos royalties da exploração de petróleo. Santa Catarina se apega num laudo que reduz drasticamente o nosso espaço, limitado a um pequeno triângulo, e que foi aceito pelo ministro Carlos Veloso, do STF. Procuradores do Estado impugnaram o laudo e esclareceram que Santa Catarina teria perdido o prazo para a contestação, já que a competência, que é da União, foi exercitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O governador Jaime Lerner não esgotou a pauta reivindicatória paranaense ao conseguir romper a dependência histórica relativamente a São Paulo com o pólo automotivo e a arrancada na industrialização. Não bastassem os aspectos graves das perdas que estamos sofrendo com a morte súbita de empresas paranaenses, para o que deveríamos oferecer salvaguardas mínimas, temos essa derrota sistemática de pleitos nas questões inter-regionais, no que demonstramos uma fragilidade em retaguarda logística assustadora e isso por frouxidão da autoridade que, sendo um homem da Universidade, deveria ter um mínimo de domínio das implicações nessas matérias, ainda mais numa terra que sofreu a maior das espoliações territoriais no processo histórico do Contestado.
A ausência de estratégia, embora ninguém fale mais no assunto do que Lerner, é visível na falta de um núcleo operativo voltado para essas questões e a inexistência de um cadastro de massa cinzenta disponível para atuar neste front. A tentação pelo superficial e a crença na eficácia do marketing como panacéia permanente, o que é sintoma grave de alienação, mostram que o governo prefere o frisson do espetáculo à luta obstinada por objetivos permanentes, como esse da nossa integridade territorial, outra vez ameaçada.
AFORÍSTICO
A política lembra, cada vez mais,
a metáfora das ruas suspeitas
DEMAGOGIA Paranaguá vai se transformar num porto inseguro, sem capacidade de competição, se o governo frouxar nas suas relações com os sindicatos da área, que continuam vivendo na fantasia corporativa do dá ou desce. A questão do pátio de contêineres, empurrada com a barriga por causa da eleição, volta à toda carga com arrumadores querendo ir ao paraíso à custa da marginalização do porto, enfim matando a galinha dos ovos de ouro.
Arrumadores querem ganhar R$ 39 por unidade, 50% nos feriados e mais ainda rotatividade de trabalhadores, além de vínculo trabalhista. Enquanto isso, no Sul, Itajaí tem custo de R$ 18,7 com todos os encargos, com acréscimo de 50% no período noturno. Santos e Rio de Janeiro, que operam com pessoal próprio, cobram R$ 4,10 por unidade.
AXIOMA A disputa pelo campo petrolífero de Tubarão, em nosso mar territorial, com Santa Catarina, vai mostrar, uma vez mais, nossas vulnerabilidades. Governo viajando - e como é compulsivo nesse regalo! - e políticos desmobilizados, o risco é grande. No passado ganhamos a localização da refinaria da Petrobrás e por pouco não levamos o terceiro pólo petroquímico, porque aí a parada era com os gaúchos. Hoje, só no futebol batemos os catarinas. Em Miss Brasil nem pensar, já que em tênis o Guga leva todas.
Outro dia, o Espiridião Amin, bem mais afirmativo como político do que Lerner, mandou um recado num debate nacional: Santa Catarina não importa empresas e empresários, o que parece uma sutil referência ao Paraná. Não dá nem para pensar num debate entre o gago e o careca.
GLOSA O gabarito de Gustavo Fruet foi evidenciado ao dar sua opinião sobre a questão das pesquisas que colocou, corretamente, como um choque entre o valor de liberdade (de informar, no caso os institutos) e igualdade (quebra notória da isonomia pelas distorções induzidas). Coisa de cientista político, areia demasiada para o caminhãozinho da maioria que atua na área.
BIZARRICE Antes do jogo de ontem, o anarquista Elísio Marques sonhava: Atletiba no play-off nacional. E aduzia: Para matar cardíaco e ressuscitar cirrótico? E domingo tem Atlético e Coringão e Coxa e São Paulo. É mais seguro prever resultado de eleições.
SPRAY A jornalista Graça Gomes, incapaz para o trabalho em função de uma neurocirurgia da coluna, é funcionária do Ministério Público e está sendo enquadrada como abandono de emprego. Todos sabem da sua incapacidade laborativa, apoiada em laudos periciais, e surpreende o ato do Procurador de Justiça, ameaçando-a de exoneração. - Feirantes reclamam de derrame de notas falsas de R$ 50,00 e R$ 100,00. Aconteceu de novo na feirinha da Praça Osório de Curitiba. - grande quantidade de lixo contaminado nas imediações da fonte de captação de água de Curitiba. Não bastasse o caso dos metais pesados da extração de areia, ainda há o lixo, inclusive de caráter hospitalar. - Como aquele mundo, o das invasões, é apartado da realidade, não há peito na autoridade para verificar o que está ocorrendo. - Foi esse estilo de frouxidão que permitiu a presença de 50 mil moradores em áreas de preservação permanente. - Na próxima semana, última etapa das provas do concurso de juiz substituto. Segue-se a prova de títulos. - Dia 20, finaliza inscrição no concurso do Ministério Público. Há mais de mil inscritos, inclusive do Nordeste. - Saiu lista de aprovados no concurso de Comissário de Menores. Um terço dos aprovados é de bacharéis em Direito.
FOLCLORE Ao tomar posse na Academia Paranaense de Letras, o filólogo Carlos Alberto Sanches, português de nascimento, brasileiro por opção, disse que a língua portuguesa seria valorizada fortemente com o Mercosul, a nossa influência determinante, e com Portugal, no Mercado Comum Europeu, e a presença das comunidades na África e na Ásia, com as referências do antigo império ultra-marino. Muito antes que sua tese fosse comprovada, o que é um exercício mais do desejável do que do possível, houve a escolha de José Saramago para o Nobel de Literatura, o que acelera grandemente o ideário.
CROMO Na noite estrelada o mimetismo pulsante dos vagalumes.





