Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Requião, agora agregador?
Tido pela maioria dos seus críticos e mesmo de alguns dos seus seguidores como um desagregador, o senador Roberto Requião, pelo menos nessas eleições, operou em sentido contrário, como um agregador, seja na proteção do espólio do PMDB como um salvo do incêndio e na aproximação (até corajosa, por haver a percepção de que Lula o contaminava negativamente) com o PT nacional, posto que com amplos setores, mais conservadores do partido tivesse regionalmente uma forte camaradagem, às vezes caracterizada até por vassalagem, como se operasse como uma sublegenda.
Passou o candidato, ao aceitar o desafio, ao duplo papel de viabilizar tanto o PMDB como o PT, ao qual ainda pode se alinhar em condições de exercer papel nacional melhor do que no grêmio atual, onde são restritos os seus espaços para atuar além dos estritos limites do campanário. Há quem ache que o saldo, pelo menos até agora, não é bom para Requião. O PMDB, em que pese a grande e até surpreendente votação, sai minado do confronto nivelado ao PSDB e perdendo duas figuras ligadas pela ação e pelo sangue ao candidato derrotado: o deputado estadual Luis Cláudio Romanelli, o que mais encarnou a oposição, e o federal Maurício Requião, o que é duplamente paradigmático por se tratar do seu irmão.
O dado mais agregador foi, porém, o da vinculação a Lula quando Requião a assumiu claramente, desprezando a hipótese de alianças informais, como Romanelli sugeria, com FHC. Em 1994, Requião evitou mostrar-se próximo de Álvaro Dias quando percebeu que isso o desgastava nas pesquisas e nas intenções de voto para o Senado. Desta feita assumiu com Lula, mesmo sabendo que no Paraná ele tinha um dos maiores índices de rejeição de todo o País.
Considerando todos esses fatores e a pequena diferença com Lerner, quando enfrentava a máquina e mais três níveis de governo, poder econômico e a mídia, como sempre chapa branca, o desempenho é muito bom. Mas a reacumulação de forças para tentar ganhar a prefeitura da Capital em 2000, que seria um alvo estratégico, esbarra na falta de candidatos, já que ele próprio, Requião, teria dificuldades para ganhar de um Taniguchi ou de um Greca, e não há outro com seu poder de fogo.
Além do mais, o seu desempenho em Curitiba não foi o esperado e o seu convívio no PMDB nacional com os fernandistas no comando se torna difícil, aparecendo a alternativa de ingressar no PT como a melhor saída, ainda mais se mantiver as pretensões de figurar em cenário maior.
AFORÍSTICO
Aí o gaiato mandou o telegrama para o Requião: Parabéns por sair à frente do Jamil Makad! Quem ganha, festeja; quem perde, corre esse risco
AXIOMA Depois da suadeira, que foi acompanhar os boletins do TRE, o staff de Lerner festejou, madrugada a dentro, anteontem, na Boite Mezza Notte, no restaurante da Família Fadanelli em Santa Felicidade. Lerner, emocionado, mas não tanto como aquele dia em que chorou no programa eleitoral, agradeceu a aplicação de todos. Greca, o mais alegre e vitorioso de todos, não apareceu.
GLOSA Elas por elas: em 1985, a máquina elegeu Requião contra Lerner. Só que a diferença foi mínima, cerca de 17 mil votos. Agora se deu o inverso. Naquela, o PDT ameaçou pedir recontagem de votos, e nessa o Requião quer uma cautelar para que o TRE não proclame os resultados. Quando Requião ganhou o governo em 1990, José Carlos Martinez pediu cautelar contra a posse. Essa mesmice é que ajuda o brasileiro a ficar, cada vez mais, com nojo da política.
BIZARRICE A dificuldade de certas lideranças em garantir a eleição dos seus protegidos é notória: FHC não conseguiu emplacar o José Serra na prefeitura de São Paulo, Requião (que antes não elegera vereador o Doático Santos) não obteve sucesso com o irmão Maurício para federal e o Lerner também se frustrou ao tentar a vereança em favor do seu preceptor filosófico Caio Soares.
REFLEXÃO O Tribunal de Justiça realiza sessão plena dia 9, às 9 da matina, para tratar da fusão entre ele e o Tribunal de Alçada. O Paraná passa a ser o terceiro Estado a contar com mais de 100 desembargadores. A pirâmide da Justiça está ficando isósceles, segundo o ex-juiz e anarquista Elísio Marques, com menos juízes de entrância inicial do que desembargadores. O assunto merece reflexão até para atender ao imperativo da justiça eficiente e desembaraçada.
SPRAY O desemprego torcia pelo segundo turno no Paraná. É que o biscate da campanha eleitoral dava uma boa viração. - Hoje já há credores correndo atrás de cabos eleitorais, assessores e candidatos que não pagaram o pessoal que fez panfletagem e serviços semelhantes. Toda eleição o fato se repete. - Cada vez há menos voluntários em campanhas eleitorais. Mesmo o PT, que foi o último a ter militância, não escapa do pragmatismo. - Na eleição de Richa e na de Álvaro Dias, no PMDB, o partido tinha militância, mas o caráter profissional acabou mudando tudo isso. - O flagrante de um assessor oficial dando grana para um vereador em Londrina é narrado em Curitiba como carta enigmática. - Paiquerê de Londrina está querendo conquistar o Brasil, em Curitiba, via Rádio Clube. É o que se diz nos bastidores e, se acontecer, será muito bom porque nunca gente de perfil tão empreendedor assumiu a nossa emissora de maior potencial. - A assessoria jurídica de Lerner, que perdeu boas batalhas para a de Requião, encara como pura chicana a medida cautelar intentada pela oposição. - Rádio Banda B foi advertida pela Justiça Eleitoral no sábado por haver narradores e comentaristas, em entrevistas com Lerner, feito sutilezas como a de lembrar que com o empate do Coxa com o Santos ,o clube fazia 25 pontos. E repetia o 25 para lembrar o número do governador. - Abstenção mais votos brancos e nulos representaram quase a metade do eleitorado apto a votar. É expressivo demais.
FOLCLORE Lerner, no Couto Pereira, sábado passado, deitava e rolava, ao lado de Cássio Taniguchi, os dois Coxas, contando proezas. E repetiu uma que já virou clichê de um gol que ele, quando garoto, fez de peixinho como avante do Combate Barreirinha. Só faltou dizer que depois do Kruger ele foi o maior ídolo do time. Seria mais ou menos que fazem com seus feitos urbanísticos.
CROMO A rosa é uma rosa é uma rosa, de Gertrud Stein; Rosa rosae rosae rosam rosa rosa, da declinação latina. E vejam se não há uma ponta sensorial nessa conclamação à santíssima: Rosa Mística, rogai por nós.





