Luiz Geraldo Mazza
Baixaria desnecessária
A vantagem de Lerner é de 15 a 18 pontos, como sugerem as pesquisas? Se assim é, por que, depois de uma campanha ‘‘soft’’, a gratuidade imbecil (seria algo dirigido aos ‘‘imbecisos’’, eleitores híbridos entre imbecis e indecisos) de lançar um jingle sobre Maria Louca, sabidamente um dos apelidos de Requião criado por seus adversários já das eleições de 85, portanto os mesmos de agora, tanto que era grafitado em muros da cidade. O fato de não terem feito referência ao nome do senador não torna a mensagem mais sutil ou inteligente. Ela é grosseira e desnecessária e, com um detalhe, nada engraçada.
Em vez de partir para uma provocação desnecessária, por que o governo, ao menos, não respondeu às questões levantadas como a da quebra do Banestado (claro, todos ajudaram a fazê-lo e de há muito tempo, mas a contribuição atual, como todos sabem, não é pequena), a dos gastos dos zilhões em propaganda, enfim imposições obrigatórias do direito à informação das pessoas. A propósito, o Sindicato dos Jornais e Revistas exigiu, em nota pública, essa explicação, que até agora não veio. E não virá. O curioso nesse episódio é que os 340 milhões despendidos são de tal forma absurdos que o públicoá á- vejam só a que ponto chegamos em matéria de paradoxos - não acredita, ainda que um documento, assinado por Jaime Lechinski, dê fé à prodigalidade. Parece coisa de Yonesco ou de Becket: o absurdo tomando conta do cenário.
Também às denúncias sobre o choque entre PM e professores, diante da pasta fazendária, o governo só acordou para a resposta três dias depois de massiva utilização por oposicionistas. É claro que se tratava de manobra primária para criar mártires que também, graças à contenção da polícia, não aconteceu. Ou confiam demais no caráter de intangibilidade do governo através do seu sistema de sensoreamento (pesquisa em telemarketing para apurar o retorno junto ao público) ou então entraram em processo de embotamento na certeza da vitória, como se não tivessem o dever de prestar esse tipo de informação e de contestação. O pior é que deram resposta enxuta, perfeita, com o defeito essencial de estar fora de hora, apenas com três dias de atraso.
Fossem tão bons os alquimistas de campanha eleitoral e não cometeriam esses erros e muito menos baixarias que operam como contraponto da linha geral do processo. Ao se valerem disso, ficaram muito parecidos com o que há de pior dentre os defeitos do adversário, o de desqualificar as pessoas por uma via de ironia corrosiva e maldosa.

AFORÍSTICO
Quem perdeu mesmo nesta campanha foi quem ouviu horário eleitoral.


AXIOMA Só falta agora um dos restaurantes de Santa Felicidade, para mostrar seu apreço ao governador, lançar o prato ‘‘parafuso’’ em paródia ao quadro criado pela oposição no horário eleitoral. Seria de massa e uma homenagem à chegada das montadoras.
GLOSA O número de público que havia anteontem no Marumbi Expocenter foi apenas o dobro do registrado no jantar de adesão a Gustavo Fruet. Assim mesmo áulicos queriam que a imprensa registrasse o dobro, 15 mil pessoas, quando houve apenas a metade. Se estiverem fazendo isso com pesquisas vai ser de doer. Só que o animador do primeiro foi o FHC e do segundo, SS, Sílvio Sebastiani.
BIZARRICE Quando o Atlético Paranaense estava na pior (antes dos três últimos jogos que ganhou) uma piada na cidade sugeria que era o ‘‘Viagra’’ vermelho que fazia os outros crescerem.
DUREZA Se o Brasil for ao FMI logo depois do primeiro turno, os aliados de FHC que disputam o segundo turno nos Estados vão sofrer. Pior seria, no entanto, se a dureza fiscal viesse imediatamente. De qualquer forma, é bom lembrar do ensinamento de Maquiavel: o bem se faz aos poucos, o mal de uma só vez. Collor entrou nessa: bloqueou os ativos financeiros. A parte boa ele promete para a próxima vez. Como ‘‘o tempo é senhor da razão’’, ainda pode acontecer. Vade retro, Satanás. Que no meu palanque você não entra. Xô, xô.
ELISÍADAS O juiz aposentado Elísio Marques, na base do sarro, faz previsões eleitorais. Para presidente dá segundo turno entre Ciro e Enéas e no returno FHC apóia Ciro e Lula vai de Enéas, Brizola neutro. Para governador, Requião ganha no primeiro turno e Lerner e Saul Raiz viajam para Massada no dia 4. Para senador, o ‘‘ornitorrinco’’ petista, Nedson, ganha do pavão tucano. Maria Fernandes foge para o exterior com Toni Garcia’’.
SPRAY Agora já se sabe o que está ocorrendo nas resistências burocráticas ao saneamento do Banestado no Banco Central: a Corretora comprou R$ 110 milhões, no início de setembro, de títulos podres de Santa Catarina e Osasco, o que já havia ocorrido anteriormente.- Rodrigo Gomes, irmão do deputado Albanor Gomes, foi demitido por causa dessa trapalhada. Essa e mais as da Lesasing e as anteriores do mesmo setor são de derrubar um governo, o fim da picada.- Sai a aposentadoria do desembargador Ronald Accioly no fim do ano. Vaga será preenchida por um dos componentes do Alçada com origem no Ministério Público ou na classe dos advogados, o chamado quinto constitucional.- Turma que caiu do IPMC (previdência de Curitiba) gastava demais no supérfluo, inclusive com sucessivos seminários de dirigentes e servidores. Houve auditoria, tal qual no caso da Secretaria da Saúde, e mudança radical. É a diferença de estilo entre Lerner e Taniguchi. O primeiro rumina o assunto e empurra com a barriga.- Pela segunda vez, a cerveja Schincariol divulga Campo Mourão. A logomarca dos 51 anos da cidade está estampada nas latas de cerveja que começaram a distribuir nesta semana para todo o País.- Notícia quente: a Renault amplia seu agregado industrial com fábrica de motores, apta a produzir 6 mil por semana.- Mas há uma outra montadora que está pedindo mais de US$ 200 milhões junto a um banco de fomento. Essa é notícia que preocupa, ainda mais com o quadro mundial.- O maior filósofo da matemática do Brasil, o paranaense Newton Carneiro Affonso da Costa, será homenageado pela Associação de Ex-Alunos da Universidade Federal do Paraná com medalha de ouro e diploma de cientista emérito.
FOLCLORE Por falar em emérito, quando o mestre Rosário Farani Mansur Guérios recebeu o título de professor emérito, fez um discurso que desconcertou muita gente, com seu espírito irônico, ao afirmar que não sabia se estava sendo homenageado ou pichado porque, segundo o rigor da semântica e da filologia, suas especialiadades, ‘‘imérito’’ significaria ‘‘sem mérito’’. Fui aluno dele e ele se divertia com anedotas em cima de curiosidades linguísticas.
CROMO ‘‘Sob as asas da pomba,/fomos dois e um./ Nas garras da águia,// sou muitos e nenhum’’. Fabiana Moraes, de Cascavel, que vendia poemas em buteco, diz ser de sua autoria.

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