O ex-governador Mário Pereira, autor de boa parte das denúncias que levaram o seu antecessor à cassação pelo TRE (dentre elas, a mais candente, a das ‘diárias frias’), está disposto a conversar em Florianópolis com o senador Roberto Requião, único nome disponível no PMDB para disputar o governo. Trata-se de um ato de sobrevivência, mesmo que não passe de mera dissimulação para valorizar o partido numa eventual composição com o PSDB, pois nanicos como o PSB, PC do B e mesmo o PT, pelo menos em termos regionais, pouco significam.
No encontro do PMDB meridional desta semana, de 20 a 21, na capital catarinense, haverá, de saída, um problema: o governador do Rio Grande do Sul, Estado mais importante da região, é pela aliança com FHC. Os que não têm compromisso direto com a realidade gostam de fazer o gênero oposicionista como essa figura de Mombaça, o presidente do partido, Paes de Andrade, e que encontra receptividade em pessoas com o estilo de Requião. Já aí, pois, o primeiro ponto de ruptura.
Mas o encontro entre Requião e Mário Pereira, ainda que não cicatrize todas as feridas, pois deitaram e rolaram em agressões mútuas, isso sem falar na história do cara que vendia cachorro-quente em Ponta Porã e em cujo nome se faziam operações de milhões de dólares no Banco del Parana, pode estabelecer um armistício indispensável para o aproveitamento do maior eleitor do PMDB e, quem sabe, favorecer outra aspiração do senador, a de sair candidato presidencial pelo seu trânsito na esquerda nocauteada desse país que vê, tanto nele como em Lerner, duas forças importantíssimas. Estão matando cachorro a grito e não se trata daquele cachorro-quente que parecia tocado pelo rei Midas.
Na verdade, Álvaro Dias é o nome mais forte, neste momento, e com a vantagem de contar com o apoio ‘imperial’ de FHC, para bater chapa com Lerner. Assim mesmo com boas condições de ser derrotado, ainda mais se o casuísmo desejado pelo PSDB de pôr fim ao segundo turno for transformado em regra. Para Lerner levar de novo a eleição basta fazer um mínimo do seu programa - o do anel de desenvolvimento e privatização das rodovias - e usufruir as consequências de haver transformado a economia do Paraná com o segundo pólo automotivo do País.
BIZARRICE - Segundo o juiz aposentado e anarquista Elísio Marques, o dia nacional de mobilização da magistratura pode se transformar também num momento de autocrítica. ‘‘É o momento em que Themis fará strip-tease, repetindo a figura lendária de Frinéia, absolvida ao ficar pelada no tribunal e justamente por sua beleza. Vai mostrar mais que Demi Moore e seguramente menos que Carla Perez.’’
SPRAY - Aplicação do princípio de Lavoisier (na natureza nada se cria, tudo se transforma) em Guaratuba: o novo Fórum inaugurado sem estar pronto, remetidos para São José dos Pinhais os autos 150/92 (processo das bruxas), posta à venda a casa da viúva Celina Abage na avenida principal em frente à prefeitura, inaugurada piscina da Colônia dos Magistrados, ex-Associação Prosdócimo. - Corre processo contra o ex-presidente do BRDE, ex-superintendente do IPE e atual dirigente da CIC, André Zacharow, na Central de Inquéritos. Acusação é em cima de fatos ocorridos no BRDE. - Aplaudida a determinação do prefeito Cássio Taniguchi em enfrentar os problemas de circulação da cidade. Idéia de botar um sistema de vigilância eletrônica, na base de radares, é especialmente eficaz. Urge evitar confusões como as que ocorreram com a aquisição da rede de semáforos controladas por TV. - De 24 a 28 de fevereiro no Senac, das 19 às 22 horas, cursos de pesquisa de mercado para pequena e média empresa, análise de demonstrações financeiras e gerência de compras. As demandas normais do mercado é que ditam a linha dos cursos. Pesquisas de mercado se tornam indispensáveis quando o governo federal lança o Simples para que não ocorra natimortalidade, como se dá, de microempresas. - Curitiba detém a menor taxa de analfabetismo dentre as regiões metropolitanas do Brasil: média é de 1,7% entre crianças de 11 a 14 anos de idade. Na periferia ela sobe para 3,5%, local das favelas, assentamentos e invasões. A mais elevada taxa é a de Fortaleza (13,9% e 24,3% na periferia), seguida de Recife (12,7%), Salvador (10,5%), Belô (3,6%), Rio (3,4%), Porto Alegre (3,2%) e Sampa (2,4%). Dentre as capitais, o recorde é de Maceió, com 21,6%, seguida de Palmas e Teresina (18,1%).
FOLCLORE - No jogo entre Brasil e Camarões, o Pinheirão já tinha dado o vexame com as galerias dos vestiários tomadas pelas águas. Antes houve aquele evento entre Brasil e Chile, no qual Zico sofreu contusão por causa do mau estado do gramado. Onaireves Moura, mal-agradecido (a Vila Olímpica viabiliza o mausoléu como estádio), diz que a água ficou acumulada por causa da pista de atletismo. Bem feito: Lerner é culpado pela existência do Pinheirão desde o início, ao abrir mão das cláusulas de impenhorabilidade e de venda das partes que cabiam à prefeitura no loteamento. O Banestado até hoje não se ressarciu dos prejuízos de cadeiras cativas que recebeu em vez de dinheiro. Bem feito também, pois estava na cara que o empreendimento não tinha a menor viabilidade. No domingo, o jogador Reginaldo apareceu nadando ao dirigir-se aos vestiários. O governo resolveu botar dinheiro naquele charco. Bem feito. Os batráquios agradecem. Dá para um anúncio da cerveja Budweiser.
CROMO - O arquiteto divino, seguido pelos seus aliados, solta um bafo de vapor na manhã fria: a maioria enxerga uma aurora boreal e o menos realista vê um arco-íris.
AFORÍSTICO - ‘‘O homem, de maneira geral, é tão covarde, nem se suicida nem vive: sobrevive.’’ Eusébio Maestri, em ‘‘Fazendo Nada’’.

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