Do segundo governo Ney Braga para cá apenas o de Alvaro Dias permaneceu até o fim e passando o bastão ao sucessor. Ney deixou o estadista Hosken de Novaes em seu lugar, Richa passou a bola para João Elísio, Alvaro se manteve para garantir a vitória de Requião e este passou o posto a Mário Pereira e agora Lerner promete ficar até o fim, embora viajando e transferindo tarefas à sua ‘‘regra três’’, Emília Belinati como rotina.
  Tudo se explica na disposição de os governantes continuarem disputando o Senado como Alvaro Dias também pretendeu fazer e não pode, impedido por aquilo que chamou de conspiração dos ‘‘filhos do mal’’, forma eufemística de dizer outra coisa que não fica bem na boca de políticos educados. Dos que saíram para candidatar-se ao Senado só Ney, a despeito de sua condição de líder maior dos paranaenses, não se elegeu.
  Lerner transmite uma penosa sensação de tédio no poder, de cansaço, estafa, estresse, fadiga do material. Tanto que emplaca mais duas viagens ao exterior e nem inaugura sequer 2% das obras (cerca de 14 mil) que construiu ao longo desses oito anos. Assim mesmo quer sair em alta com o tal Museu de Arte, obra de um escultor da arquitetura de estilo em que o estético se sobrepõe à qualquer perspectiva do funcional. Ainda mais agora que o Rio perdeu o Museu Guggenhein, o que já assanha setores locais para essa transferência. Essa, aliás, se acontecer, o que não é fácil, com o beneplácito de Cassio Taniguchi, irritará, sobremaneira, o futuro governante. Para um notório pródigo (vide a elevação da dívida a R$ 10 bi e a perda de milhões em supérfluos), esse tipo de curtição ao gosto dos faraós deixa marcos de maior expressão do que parques e jardins ambientais, aparatos de gosto discutível e o pedágio inesquecível.
  Dá para imaginar o oba-oba que marcará a inauguração do Museu até mesmo em nível nacional que contará com a presença principesca do presidente FHC.
TUCUNARÉ A dispersão do espécime amazônico, tucunaré, hoje presente nos rios do Pantanal e até na bacia do Paraná, prova a forma amalucada com que tratamos as questões ambientais no Brasil. Pois agora, aqui em nosso Estado, na altura do Porto Epitácio, 650 quilômetros de Curitiba, nos alagados do Rio Paraná a pesca do tucunaré (exemplares de até três quilos) virou rotina.
  Há, porém, um alertamento: os ventos fortes que por vezes atingem a região se constituem em grave ameaça com naufrágio de barcos e situações desesperadas como a de um grupo que se safou agarrado a uma árvore. Consta que no Piraí, no Pantanal do norte, teria havido ajustamento do tucunaré ao ambiente até pelo fato de existirem outras espécies predadoras.
PEDÁGIO A decisão do TRF que obrigou a concessionária Rodovia das Cataratas a devolver valores cobrados dos usuários entre a entrada de Guarapuava (BR-466) e a Ponte da Amizade naquela praça de pedágio não vai se sustentar. O entendimento da instância superior tem sido pela validade dos contratos e é com essa esperança e esse argumento que o governo paranaense recorre ao STF.
  De qualquer forma a decisão, que não é a primeira de segundo grau, isso é de tribunal superior, alimenta a guerra do time que entra contra o que sai nesse ‘‘front’’ específico das estradas. E dá força ao pedido de Orlando Pessuti, em nome do futuro governo, que Lerner suspenda o aumento a que está obrigado por imposição contratual a vigorar ainda em dezembro.
NACIONALIZAÇÃO Uma das curiosidades da equipe de transição de Requião no caso dos protocolos das montadoras vai além de saber o quanto o governo investiu como sócio (R$ 400 milhões no caso da Renault) para entrar em detalhes sobre os níveis de nacionalização. É que a ausência de taxas aceitáveis mantém um quadro de dependência, visível no volume em dólares nas importações.

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