Circula entre os comandos da Polícia Militar um manifesto contra a forma como foi defenestrado um oficial de carreira brilhante como Honório Bortolini do Comando da Capital, num caso em que a corporação foi duramente agredida por fatores externos à sua área de atuação, os de natureza política.
Dentre as primeiras preocupações do retorno de Lerner ao planeta terra, medíocre e rotineiro, estão essa questão, que só não ganhou o público pela atuação ponderada do coronel Mainguê, que recomendou a não divulgação do documento enquanto não se esgotassem as perspectivas de um diálogo frutuoso.
Além dessa questão séria há a caricata da luta de staffs de Greca e dos aliados mais próximos do governador quanto aos espaços que seriam concedidos ao burgomestre tanto na equipe de Cássio Taniguchi quanto no governo estadual.
A PM, na medida em que foge ao rigor dos seus códigos deontológicos para atender demandas ocasionais de políticos, mesmo se tratando daquele que está no poder (daí a legitimidade de opor-se a ordens ilegais, como falei a um grupo de oficiais, para que não se vejam amanhã como os torturadores de ontem obrigados a justificar-se com a ‘‘obediência devida’’), corre o risco de estiolar-se como instituição.
Assim aconteceu nos tempos de Lupion na forma como deu cobertura a colonizadoras contra os posseiros ou mais recentemente com Requião ao servir de anteparo ao excesso de fair play usado nas questões fundiárias que resultaram na tragédia de Campo Bonito.
Quando um burocrata do governo diz, com aquela serenidade de múmia, que os que não estiverem satisfeitos devem deixar seus postos, não faz idéia do que custa para uma instituição como a Polícia Militar formar os seus quadros e, especialmente, os de excelência.
Surpreende em tudo isso que o coronel Vieira, integrante da hierarquia superior, na condição de chefe da Casa Militar, não faça chegar ao governador e seus colegas do Palácio Iguaçu a especificidade de um organismo como a PM. Bastaria uma informação detalhada e não se conceberia um ato bufo, irrefletido e primário como o da demissão do Comando do Policiamento da Capital.
BIZARRICE - Frase de efeito é indispensável em política. Requião e Greca são os mais talentosos. De Requião para Hélio Duque, que insiste em desafiá-lo para um debate: ‘‘Ele deveria discutir com o Esmaga.’’ Esmaga é o Alvino Cruz, megamordedor de Curitiba, que está se curando da cirrose, pretendendo voltar à ativa antes do Natal.
Na verdade, o debate seria sobre os documentos que ilustram a denúncia que redundou em cassação. De Greca um dos melhores é aquele de chamar os ecochatos de ‘‘biodesagradáveis’’. Do Hauly para o Requião, dizendo ser injusta a comparação com a cassação de Humberto Lucena: ‘‘Lucena andou imprimindo alguns calendários na gráfica do Senado. Os gastos de Requião dariam para comprar várias gráficas.’’
SPRAY - Tribunal de Alçada confirmou a condenação do Hospital Nossa Senhora do Carmo a pagar indenização por negligência: pensão mensal de dois salários mínimos ao menor Douglas Barbosa até que complete 25 anos e mais R$ 75 mil a título de indenização a Virgílio Barbosa e seus filhos, reparando danos morais. - Decisão recente do TJ não retira competência do Conselho do Litoral sobre os projetos com mais de três pavimentos ou em áreas de maior restrição para efeito da concessão de anuência prévia na orla marinha. As decisões sobre o assunto ainda não versaram sofre o mérito da matéria. O assunto é grave, pois há uma decisão do STF que manda derrubar um arranha-céu em Caiobá até agora não foi cumprida. - Por falar em meio ambiente, essa lenda da metragem quadrada de verde cabível a cada curitibano é mais uma jogadinha de marketing: perto do Graciosa Country Club, ao lado das instalações da Faep, um bosque vai ser dizimado, embora a representatividade florística e faunística, para dar lugar a um prédio da organização Moro. Do lado de um edifício próximo o geólogo João Bigarella faz o inventário de dezenas de pinheiros adultos, pés de jaboticaba, guabiroba, pitanga e araçá assistindo a morte anunciada de mais uma área que deve fazer parte daquele cálculo que ajuda a projetar Lerner e Curitiba em escala até internacional. - Vânia Mara Welte, repórter, está figurando como finalista para o Esso Regional, ao lado de colegas do ‘‘Diário Catarinense’’ e do ‘‘Zero Hora’’, de Porto Alegre. Textos de Vânia sobre ‘‘As Bruxas de Guaratuba’’ no semanário ‘‘Hora H’’ reabriram o rumoroso caso. - O semanário ‘‘Impacto’’ publica hoje a documentação do processo que cassou Requião.
FOLCLORE - Encontro na Praça Osório essa figura genial de estadista Hosken de Novaes. Como estou informado que uma televisão desejava entrevistá-lo, ele se apressa em dizer: ‘‘Eles podem ter muito a perguntar e eu tenho pouco a responder.’’ Modéstia personificada, figura admirada em Brasília nos meios jurídicos (isso eu pude pessoalmente constatar no respeito que por ele nutria o historiador e jurista Paulo Mercadante num almoço do qual participei, junto com o megaempresário das comunicações do Paraná, Francisco Cunha Pereira), flagrei-o dispensando o motorista do Palácio e levando para casa as compras do supermercado. Não me esqueço também de quando lhe perguntaram o que faria como vice-governador: ‘‘Recolher-me à minha insignificância’’. Outra dele e de Natal: o Aljocir Esteves, homenageado de hoje no Country em Londrina, foi lhe levar uma dúzia de garrafas de vinho de um empresário da cidade. Hosken foi peremptório: ‘‘Deixe o cartão e pode levar o vinho, que eu ganhei demais.’’
CROMO - Fim de tarde no Bacacheri: a lagoa refletindo o verde é cópia de um quadro do Miguel Bakun até na barba-de-velho dos pinheiros remanescentes.
AFORÍSTICO - Mesmice dos nossos políticos, até os bons de votos, lembra aquele popular da Rua XV que simula agredir um gato numa caixa de papelão, uma chatice irremissível.

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