LUIZ GERALDO MAZZA - Tucano de asa quebrada
Era intenso o comentário de ontem à tarde de que nova pesquisa Ibope acusava queda mais acentuada de Serra e que, se a curva fosse mantida, seria já na próxima sondagem alcançado e até superado por Garotinho. Serra estaria agora tecnicamente empatado com o candidato do PSB (13 a 11), enquanto Ciro Gomes teria reduzido a sete pontos, conta de mentiroso, a distância de Lula.
Como desgraça nunca vem só, o indiciamento de Cassio Taniguchi, mantido ontem pelo juiz eleitoral, que desconsiderou a liminar em favor do prefeito, é, ao lado da queda de Serra, um drama incontornável para Beto Richa que patina na mesma posição e atrás do Padre Roque. Tucanos de asa quebrada não voam.
Aquilo que Nizan Guanaes temia vai provavelmente acontecer: até a abertura do horário gratuito vão lhe entregar se não um cadáver ao menos um paciente com todos os indicadores de terminal a caminho da UTI. A consequência nos dois níveis, o federal e o estadual, é a polarização, transformando o pleito em plebiscitário. Nacionalmente entre Lula e Ciro e aqui entre Alvaro e Requião, aliás com esse em crescimento assustador no Interior e na Capital e muito próximo de emparelhar, conforme as badaladas pesquisas internas. Isso sem falar no jogo do ''feeling'', semelhante ao do caiçara que olha, nestes dias, o mar e descobre os cardumes de tainhas e pode até calcular o tamanho desse eleitorado de escamas.
Claro que essa é uma fotografia do momento e que pode ser alterada. Mas como Jaime Lerner, tido por alguns como eleitor-chave, permanece na rotina de viver no exterior, agora em campanha para presidir mundialmente os arquitetos lá em Berlim, dá para calcular o drama que cerca o tucanato, cada vez registrando maior número de defecções nutridas pelo ressentimento e que se transfigura em ódio e desejo de retaliação, especialmente no oportunismo militante do PFL.
Como dizia a dona Jura da novela ''não é brinquedo não!''
BIZARRICE Querem usar dirigíveis no Rio para monitorar a ação do narcotráfico nas favelas, esquecendo que o armamento disponível do crime organizado derruba um aparelho desses como se fosse uma ave. E se fosse ave o crime seria inafiançável; já no caso do zepelim o processamento dos autores, se fossem identificados, seria daquele jeito que estamos cansados de saber.
AXIOMA Se é difícil montar o caixa 1, imaginem o de número 2. Agora aqueles clientes e tradicionais doadores para tirar o corpo vão alegar os riscos. O lado bom disso é que a retração atinge todos.
GLOSA Com a resistência dos investidores, faltaria dinheiro e com isso haveria mais Justiça na eleição. E para a paz de todos a campanha seria mínima.
EPIGRAMA Um dos candidatos está prometendo que não cobrará água e luz até um determinado limite. Com isso, privatiza mais rápido a Copel e a Sanepar pela exaustão das empresas públicas.
FOLCLORE Outro dia o Severino Araújo, do PSB, falou do caixa 2 da campanha do Requião para prefeito em 1985. Dessa época dizia-se que a grana era tanta do lado de Lerner que uma tal de Larita guardava dinheiro numa banheira que pode ter inspirado aquela do Gugu.
CROMO E esse rosa-claro, tão feminino, no fim da tarde anuncia menos frio?
AFORÍSTICO Se, com as pesquisas, alguém do governo estiver sorrindo preste bem atenção para ver se o ritus da face não é sequela de um derrame.





