LUIZ GERALDO MAZZA - Questão de identidade
Relevantíssimo o fato de que o grupo empresarial paranaense tenha mantido o controle da programação Globo. Não que se deva criar fronteiras internas ou chauvinistas num momento de fastígio cosmopolita, mas importante porque se dá num instante em que é visível a perda de espaços no mundo empresarial de organizações da terra impelidas à absorção por transnacionais.
Seria fastidioso enumerar as perdas que tivemos, e isso muito antes do ciclo mais recente de globalização, como Móveis Cimo, a maior da América Latina, a gigantesca rede de lojas de departamentos de Hermes Macedo, a Nossa Senhora da Penha nos transportes de passageiros. Uma das imposições da globalização é a busca da identidade e seria extremamente penoso que houvesse a perda desse instrumento que no caso está vinculado também a jornais e rádio.
O ideal seria que pudéssemos dispor de um meio que nos possibilitasse emitir daqui as nossas mensagens para o Brasil. Essa hipótese ficou parcialmente configurada com a Rede OM, hoje CNT, a despeito de tratar-se de uma estrutura de menor alcance. Soaria, porém, desastroso se na ''reengenharia'' processada na Globo o grupo empresarial (RPC) da terra ficasse de fora.
Assim um fator de integração cultural, que vai além da física, já ocorrida no tempo de Ney Braga com as ações de infra-estrutura em transporte e energia, completaria o trabalho de identificação e de unidade. Ficamos mais fortes e mais próximos. Ao público o papel de pressionar para que os veículos se mantenham numa linha de abertura, democracia, convívio e progresso.
BIZARRICE Lula teve seu momento de Vanhoni e Garotinho o de Taniguchi. Aqui foi a pergunta sobre o Procel e lá a respeito da Cide (Contribuição de intervenção sobre o domínio econômico). Lula ficou boiando tratando de encher linguiça para ver se descobria do que se tratava.
AXIOMA O debate regional foi ridículo diante do nacional. Mais uma evidência da ausência de opções.
GLOSA 83% dos empregos, gerados de janeiro a agosto no Paraná, são do Interior. O que comprova que o tipo de industrialização da Região Metropolitana de Curitiba, poupador de mão de obra pela automação e robótica e intensificador de Capital, não serve para a área mais crítica de desemprego e alvo das migrações. A região ficou com 16,7%. Quem emprega mais é a produção agroindustrial, de transformação, dentro das vocações de nossa economia.
EPIGRAMA Todos os candidatos, à exceção do Severino, se dizem os vencedores do debate. Se já raciocinam assim dá para imaginar o que pensarão, se eleitos.
E o que teremos também de suportar por falta de alternativas.
VINHETA Ratinho se viu obrigado a apoiar Paulo Pimentel por intervenção do Sílvio Santos quando fazia aberta propaganda de Tony Garcia. Apesar de ter sido deputado federal, Ratinho caiu na ratoeira do jogo político e das pressões empresariais. Sua liberdade, como a de qualquer comunicador, é apenas aparente, especialmente quando checada.
FOLCLORE No debate estadual Requião disse que a campanha eleitoral deve respeitar a porta da casa dos candidatos. Embora tenha razão no caso da exploração do acidente do seu sobrinho, não foi assim que agiu ao colocar no ar, com intenções satíricas, o casamento da filha de Lerner em Nova York.
CROMO Ouvir o Negrinho do Pastoreio, o responso para achar coisas perdidas, não é bem o caminho para reencontrar a consciência.
AFORÍSTICO Se o debate dos presidenciáveis fosse como um vestibular a primeira vítima certamente seria o líder de todas as pesquisas.
SCAPS Hoje sai a última pesquisa Ibope de intenções de votos para o governo do Paraná e se mantiver posições inalteradas, como tem acontecido, apesar da troca de agressões e canibalismos, vai ser duro de aceitar.





