A vaca deveria ser o símbolo desta campanha eleitoral. Alvaro Dias e Requião, seguindo as artes do mestre Horácio Rodrigues, quando presidente da Câmara Municipal de Curitiba, enxergam eleitores latentes nos lactantes, naqueles que carecem do produto, especialmente as crianças. Horácio foi mais longe do que qualquer um deles e não deixou por menos: montou uma vaca mecânica com o leite mais abundante que existe, o de soja, até ser interrompido pelas ações do Tribunal de Contas que tiraram a máquina sem tetas do imaginário pasto.
Há até uma polêmica entre Alvaro e Requião. O primeiro quer oferecer ao mês dois quilos de leite em pó, o segundo um litro diário, tudo de graça. Requião sugere que a indicação de leite em pó seria um ato de cortejamento do seu colega de Senado para obter vantagens das multinacionais. E é claro que Requião garantindo um nicho institucional do mercado, a merenda escolar por exemplo, agradaria os produtores e especialmente o seu vice, Orlando Pessuti, no cortejamento constante de granjeiros e produtores de frangos e suínos.
Na verdade mais do que os candidatos, os seus cabos eleitorais e assessores sonham com outro tipo de leite como se fossem Remo e Rômulo a quem se têm como o homem que erigiu Roma e mamando nas tetas de uma loba. As tetas túrgidas do governo são o objetivo do exército de seguidores, notadamente os mais próximos, olhadas como fontes inesgotáveis.
Quem lidou com leite em pó e quebrou a cara foi Ney Braga quando prefeito de Curitiba ao conceder essa iguaria aos trabalhadores municipais como se fosse o ''vale transporte'' de hoje em dia. Boa parte deles transformava esse bem, o indispensável ''Ninho'' da Nestlé, em dinheiro para tomar pinga no boteco da esquina. Afinal cachaça não talha.
BIZARRICE Com essa insistência em prometer leite, o PMDB vai acabar mudando, adequadamente, de nome para PMDbebê. O que não significa que seja o partido das ''mamatas''e muito menos o do ''peito''.
AXIOMA O Brasil é um país surreal. Os partidos pensam mais no aleitamento do que no alistamento eleitoral.
GLOSA A idéia de colocar câmaras de tevê nos ônibus de Londrina, a pretexto de combater a criminalidade, pode não dar certo, mas terá uma enorme vantagem ao não exibir o programa eleitoral gratuito e nem virar num ''Big Brother'' sem as amarras globais.
EPIGRAMA Se sabia que se ganhasse a eleição, conforme disse, encontraria um Inferno, como Alvaro Dias declarou várias vezes, espera-se pelo menos que cuide de colocar ar refrigerado no ambiente e beneficiando uma empresa paranaense, a Britânia, que até agora escapou da globalização.
FOLCLORE Num jantar dos serventuários da justiça, organizado por um líder da categoria, o Caíto Quintana, Requião, em seu discurso, prometeu criar nada menos do que o Movimento Revolucionário dos Sem Cartórios. Outra do mesmo naipe foi quando sugeriu que se providenciasse o casamento do Paulo Salamuni e do Gustavo Fruet, clareando: afinal as mulheres presentes deveriam ter filhas, jovens e bonitas, habilitadas à celebração.
CROMO A consciência das crianças é artística: ferida ou morta a borboleta, guardam o inseto em meio à natureza, entre vegetais em busca da ressurreição, como se o gesto anulasse o remorso.
AFORÍSTICO Lula é uma caricatura do que era no passado e uma incógnita em relação ao futuro. Quem muda tanto, pode ''endireitar'' ainda mais.

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