LUIZ GERALDO MAZZA - O fim da tutela
Essa eleição de hoje não foi muito bem avaliada até mesmo pelos protagonistas e isso está visível na plataforma abrangente que apresentam como se o país não tivesse mudado, de forma substancial, no plano institucional e também a própria estrutura do governo estadual. Hoje, por exemplo, o Paraná já não conta com instrumentos financeiros, nem privado, e isso diante da perda do complexo Bamerindus, e muito menos públicos com a liquidação do Badep sob Alvaro Dias e o leilão do Banestado no ciclo lerneriano. Tanto o BRDE, apenas um instrumento regional e partilhado, está aí, uma vez que mal dá para levar em conta a tal Carteira de Fomento que rege os resíduos daquele Fundo de Desenvolvimento Econômico.
Como se não bastasse tudo isso há ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal que anula a hipótese, como se deu em governos anteriores, de ações arriscadas como a de fazer nada menos de três antecipações de receita. Recursos antecipados, como ocorreu durante os dois governos de Lerner, com cobrança prévia de tributos e percepção dos badalados ''royalties'' da binacional de Itaipu mostram que, além da Dívida Externa, que não é pequena, e que acabou sendo quintuplicada, teremos problemas graves, mesmo com a promessa de liberação gradativa dos recursos represados no ICMS dos grandes empreendimentos.
Esse estreitamento de recursos está minando uma velha distorção da praça na relação quase de subserviência dos meios de comunicação com o Estado. Se de um lado tira renda dos meios de comunicação, que em muitos casos tinham nas verbas públicas a sua mais densa clientela, do outro abre perspectiva para a ruptura com praxes que em nada nos favoreciam, compatíveis em tudo com as exigências de uma sociedade moderna e democratizada.
Ao lado, pois, das dificuldades referidas haverá mais essa novidade que inexistia, por exemplo, quando os dois principais candidatos governaram o Estado e fizeram o máximo uso dessa vantagem. Londrina deu uma lição ao Paraná e Maringá seguiu-lhe a esteira com o movimento ético da cidadania organizada e que possibilitou a derrubada dos prefeitos das importantes cidades. Esse fato mostra que a esse grau de maturidade alcançada pela sociedade haverá de corresponder, em sincronia, a maior permeabilidade dos meios de comunicação a esse sentido de participação.
Temos aí uma vacina contra o autoritarismo e um estímulo para que os meios de comunicação estejam à altura desse momento de afirmação das comunidades. Se não houvesse essa abertura os movimentos de Londrina e Maringá estariam fadados ao insucesso.
BIZARRICE Bastou Lerner viajar a Paris para o Ibope do Beto Richa melhorar.
AXIOMA O primeiro jornal paranaense ''O Dezenove de Dezembro'', de 1854, nasceu chapa-branca porque operava também como Diário Oficial. O leitor hoje resiste a um oficialismo extremado e uma das pontes entre o emissor e o receptor é a secção de cartas, mas não a única.
GLOSA Para o áulico tudo se justifica: quem seria aquele homem de branco, fazendo o sinal da cruz, ao lado de Lerner no Vaticano?
EPIGRAMA Um debate - o segundo entre Lula e Collor - matou o petista, embora no primeiro tivesse levado vantagem. Há quem entenda que o debate da Globo teria, mais do que qualquer outro fator, assegurado o segundo turno.
VINHETA Itinerário do martírio de Vargas: em 1953 cria a Petrobras e Eletrobras e menos de um ano depois é levado ao suicídio. Léo de Almeida Neves escreveu um livro em que vincula tanto a primeira como a última queda de Getúlio à intervenção dos ianques. E diz ter a convicção de que se Souza Naves estivesse vivo, Jânio não renunciaria. A obra é da ''Civilização Brasileira''.





