LUIZ GERALDO MAZZA - O feudalismo do pedágio
Reconhece-se que o pedágio, quando o Estado quebrou, é uma das saídas viáveis para acertar a questão do parque rodoviário. O ideal seria que se o adotasse tão somente para a manutenção e não para obras de duplicação, viadutos, etc. Há no entanto, uma suspeita, desde o início de sua adoção, de que essas planilhas são bem mais misteriosas do que as das tarifas de ônibus. E isso tanto é verdade que Lerner, de uma tacada, fez um corte linear de 50% nas tarifas para que a sua reeleição não fosse prejudicada. A propósito tanto ele, como nós, devemos estar arrependidos.
Em sua passagem pelo oeste do Paraná, o senador Osmar Dias sentiu o nível de revolta de agricultores, industriais, contra o abuso do pedágio: sugere-se que o equivalente a 5% da produção agrícola fica nas mãos das concessionárias e como essa conta é mais uma ''caixa-preta'' não se sabe o que fazer. Caminhão que saia de Céu Azul em direção ao porto de Paranaguá deixa no pedágio o equivalente a 15 sacas de soja. É um número estarrecedor.
O oeste paranaense contribui com 8% da produção nacional de grãos e o prefeito de Céu Azul, Jaime Basso, o Dosão, acha que há um processo espoliativo contra o qual é preciso fazer alguma, devassar as contas, revisar contratos. Ocorre que o cenário lembra uma espécie de feudalismo em que o povo é o vassalo e o senhor as concessionárias das estradas.
Mas isso deve ser enfrentado com responsabilidade e sem demagogia. Bravata apenas para efeito eleitoral não resolve como anunciar, por exemplo, a revogação dos contratos, o que não é tão fácil. Como está não dá para ficar: a acomodação atual lembra a postura do escravo diante do terrateniente e urge conhecer as entranhas dessa inovação, saber os níveis de faturamento e o custo das obras, se é que foram efetivamente feitas, fazerem, enfim, o monitoramento do qual ninguém está se ocupando.
BIZARRICE Toda campanha eleitoral tem caixa 2, todo governo ou prefeitura mobiliza seus funcionários para a eleição, especialmente os que detêm cargo em comissão. Como ensina La Rochefoucauld a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude. Todo moralista, em princípio, é suspeito.
AXIOMA Por que Alvaro Dias e Rubens Bueno brigam tanto pelo palanque do Ciro?
GLOSA Ciro Gomes cresce graças à fraqueza dos adversários e à beleza da sua mulher, Patrícia Pillar. Há quem ache que nem Evita fez tanto por Peron.
EPIGRAMA Quando o candidato não deslancha seus assessores podem argumentar que pelo menos não caiu. Ora não pode cair quem nem saiu do lugar.
FOLCLORE Mais uma do Rubinho Ferreira sobre a Festa do Divino em Guaratuba. É que estiveram lá os candidatos Beto Richa, Rubens Bueno, Alvaro, Requião. Como o Padre Roque não pintou, Rubinho ditou: ''santo de casa não faz milagre''.
VINHETA Em São Paulo, Ciro Gomes teria pedido que não o fotografassem fumando. E não era para agradar o Serra, antitabagista. Aqui o Serra beijava crianças na rua. Político pode não fumar, mas nós é que não escapamos de levar fumo.
CROMO Não sei se há eloquência no seu silêncio ou na minha imaginação.
AFORÍSTICO Quem esperava que a Emília Belinati fosse vingativa apenas estava projetando os seus sentimentos de culpa. Abre mão de tudo e toma posse em mais 15 dias de interinidade. Haja mãos suando.





