Pelos candidatos que temos e respectivas assessorias dá para prever que não teremos uma só idéia nova no processo eleitoral. Aliás os partidos vivem para a eleição tão somente, não sabendo aproveitar a entressafra que seria o tempo mais indicado para fazer funcionar os seus institutos doutrinários.
No campo das baixarias ou das promessas primárias, que no fundo têm a mesma raiz, é que haverá o foco principal da batalha, sem falar, é claro, das articulações marquetológicas. Dizer que não há o que discutir é desprezar a riqueza do quadro paranaense. Para a oposição, por exemplo, seria adequado contestar indicadores e números do triunfalismo oficial, a falseta calhorda dos 700 mil empregos, já amplamente desmoralizada pelo Dieese.
O forte do Paraná continua sendo aquilo que é de sua vocação econômica, em destaque a agroindústria que respondeu pela dinâmica dos empregos mormente no interior. O propalado ganho com a indústria de ponta não é verdadeiro. Vemos, por exemplo, a taxa zerada de nacionalização da Renault como expressão clara de que o novo perfil da economia impõe a dependência das importações, isso sem falar na precariedade dos ganhos em mão de obra (pouco mais de 7.500 vagas nas quatro montadoras, incluindo a de máquinas agrícolas) e mais ainda a baixa remuneração média.
Dos que estão diretamente na disputa há uma pessoa, o candidato a vice de Alvaro Dias (esse tem limites conhecidos de conteúdo), Luiz Forte Neto, que pode mudar esse quadro por sua reconhecida capacidade de coordenação em processos de planejamento. É a exceção no deserto de idéias e conhecimento.
Quando se vê o comando da atividade política no PSDB entregue ao presidente do Legislativo, Hermas Brandão, se tem uma noção precisa das carências. No partido mais agressivo de oposição, o PMDB, este um exemplo claríssimo de algo que não se renova até pela persistência do personalismo autoritário, também se pode esperar contribuições de humor e frasismos como os que Requião lançou sobre a Aliança Trabalhista quando previu que José Carlos Martinez seria o secretário da Fazenda, Janene o de Obras e Transportes e Tony Garcia o da área cultural. Divertido, sim, mas que nada acrescenta.
Procura-se uma idéia, que não precisa ser uma idéia-força, mas que ponha um condimento de inteligência e reflexão no processo.
BIZARRICE Para os brasileiros o goleiro Oliver Khan é, de fato, o melhor do mundo, principalmente por ter ''batido roupa'' no chute de Rivaldo.
AXIOMA Desde o descobrimento havia algo de profético sobre o ocorrido dia 30: as embarcações dos colonizadores se chamavam Santa Maria, Nina e Penta.
GLOSA Depois do porre cívico desportivo, a depressão eleitoral.
EPIGRAMA Dolar se aproximando de R$ 3, desemprego em alta, aumento das tarifas públicas. O penta é o anestésico para o momento.
FOLCLORE Ney Braga era oficial de dia do quartel em que serviam os jogadores Neno e Altevir do coxa. Na véspera do Atletiba (Ney sempre foi rubro-negro) eles pediram dispensa para concentrarem. Ney autorizou. O coxa venceu por 2 a 1, gols de Neno e Altevir. Por essas e por outras é que a sua forma de liderar vinha desde os tempos militares.
SCAPS A bolsa de Pandora é o caixa 2 de Curitiba e aquele de Santo André.

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